Vieram e foram, sem grande alarido ou celebração, como começa a ser costume.
Os amigos lembraram-se e fizeram-me sentir especial, os ex sensatos esqueceram-se e fizeram-me ficar grato, os ex persistentes quiseram combinar o famoso café afoga ganso e fizeram-me sentir desejável.
uma miríade de sentimentos para uma mão cheia de anos de vida.
Estava a dar uma limpeza à minha lista de leituras, por causa do pequeno contratempo com o blog do Ricardo, e acabei por reparar que a blogaysfera sofreu uma desbastadela (nada) simpática desde que dela comecei a fazer parte.
Desapareceram uma data de blogs, poeira cósmica, na rede.
Passo pelo meia noite e um quarto, pelo blog do Miguel Almeida, o Rúben, ou pelo da bicha vai nua - que suponho que se tenha vestido nos entretantos - , entre tantos outros que se eclipsaram.
E embora já há algum tempo, nunca me tinha confrontado com essas pequenas percas, duma pequena "família" imaginária que se foi construindo.
Se tiverem vivos, vão dando notícias meninos.
Quando ando só e abandonado pelas ruas da amargura, é todo um comício de avantesmas, gajos sem ponta por onde pegar - sem ser a lá de baixo, não é verdade.
Mal começo a estabilizar com alguém de que gosto minimamente, aparecem partidos interessantes de todos os lados, como moscas atrás de fruta madura.
Isto é só comigo?
Assustam.
Às vezes evitamo-las como o diabo foge da cruz, por trazerem incerteza, mas são muito necessárias.
E como diz o ditado, quem não arrisca, não petisca! Hello meninos e meninas!
Tenho andado num reboliço estes últimos tempos, com algumas mudanças a nivel pessoal e profissional que me desregularam o horário blogosférico todo.
Estou agora a normalizar as coisas e não tarda volto a debitar as minhas postas de pescada, só para não ficarem preocupados com o meu evaporar cibernético.
Domingo é o dia de São valentim, e como tal, resolvi mandar a minha posta de pescada.
Quando dei por iniciada a jornada de jovem solteiro, vim com uma ideia predefinida - e particularmente idiota - de que ia ser tudo uma diversão despegada.
Que os sábados à noite iam ser passados num qualquer oásis paradisíaco com horas de dirty dancing na pista de dança e imensos orgasmos aptos a fazer Samantha Jones e Hank Moody -para quem não sabe, Sex & The City e Californication, respectivamente - Corar.
Toda uma montanha russa de homens maravilhosos bonitos e interessantes prontos a pagar-me jantares só pelo prazer da minha companhia, e a cortejar-me como se fosse o último pacote de oreos numa convenção de comedores compulsivos.
A realidade atingiu-me no focinho como uma toalha molhada estendida ao vento na sibéria, quando me apercebi que uma grande parte dos meus sábados à noite envolviam maratonas de séries, pipocas e chá.
Como substituto dos orgasmos, tinha sempre a regular tablete de chocolate em promoção do pingo doce, e no lugar de todos os homens lindos e interessantes, a pagar-me jantares que imaginei, tinha o rapazinho estrábico da peixaria do Lidl a tentar saltar-me para a cueca, ou o ocasional casanova que se esquecia da carteira na altura de pagar a janta.
A saturação imiscuiu-se num canto abandonado da minha consciência e cheguei ao eterno chavão.
"Não preciso de nenhum homem"
... E depois de uma das muitas fases de libertinagem, percebi que o reverso da moeda era assustadoramente evidente, e afinal, nenhum homem precisa de mim.
E aquela noção de rejeição tão óbvia caiu-me pior que um mergulho no mar depois de almoçar num all you can eat de picanha.
Afinal, depois de um certo número de encontros furtivos sem qualquer tipo de ligação, percebes que estar sozinho, mais do que uma jornada de autoconhecimento e crescimento pessoal pelo mundo - o que supostamente acontece quando não és uma bicha pobre, como eu - , segundo o que dizem os livros de auto ajuda, é - muitas vezes - um grande tédio.
E passando pela espiral dramática que é a minha imaginação, percebi que temos todos um bocadinho de medo de estar sozinhos.
E corremos atrás de pessoas que não nos respeitam, mantemos-nos em relações que não nos realizam,
não aguentamos um término sem pular imediatamente para a próxima, ou saltamos de cama em cama, tudo porque a noção de estar só é por si só avassaladora.
Porque temos tanto medo de estar sozinhos?
Também tiveram um eventual choque com a realidade, ou fui só eu?
Resolvi dar um tempo aos homens, depois da última miserável tentativa falhada de encontro, que acabou em casa sozinho com um sundae de caramelo acompanhado pelo familiar xvideos.
Resolvi expandir o meu círculo pessoal, afinal, amigos e zeros à direita na conta nunca são demais, e sempre era interessante ter mais algumas pessoas com quem tomar uns cafezinhos e desdizer a humanidade num geral.
Conheci um rapaz, aqui das redondezas, num grupo de facebook, e fomos falando durante uns meses.
É simpático, vive com o namorado e o cão - só para reforçar a ideia de que não tencionava abrir as minhas pernas mais depressa que as portagens da 25 de Abril - e tínhamos conversas divertidas e despreocupadas, como pessoas normais têm.
Passados uns meses, ele fez anos, e convidou-me para a festinha, com alguns amigos de longa data dele, que eu pensei - como qualquer pessoa pensaria - tornar-se-iam no mínimo meus conhecidos regulares.
Claro, o cosmos, observando-me na sua cadeira forrada a veludo com as suas unhas de acrílico púrpura e o seu infinito sentido de humor negro, resolveu vetar a ideia.
Então, chegado á festinha de aniversário, depois de alguma conversa fiada e um jarrinho de sangria, começo a ouvir um nome familiar, ocasionalmente mencionado..
Apercebo-me então, que o rapaz com quem ando a falar há meses, é não só conhecido - coisa que eu suspeitava - , como o melhor amigo de um ex-coiso meu, com quem saí uns meses.
E que aquele grupo selecto de amigos, era o grupo de amigos do meu ex coiso.
E que metade da noite foi passada a mencioná-lo.
E que provavelmente já toda a gente sabia disso.
Menos eu.
Então, qual alcachofra socialmente inadaptada que sou, ingeri o meu peso em álcool e adormeci no sofá, com a ligeira sensação que provavelmente nunca mais ia ver aquelas pessoas outra vez.
Uns dias depois, o meu ex-coiso reaparece das cinzas do silêncio, porque me viu na costumeira selfie do jantar, e quis saber muito - pouco - discretamente o que se passava, como se estivéssemos novamente no ensino médio e eu estivesse a tentar roubar-lhe o grupo de amigos, uma espécie de back off bitch muito cheio de "lols" e "tudo bem" .
Quem precisa de amigos não é verdade?
Tenho chocolate.
E netflix.
E xvideos.
É saber que toda a gente se anda a queixar das ressacas horríveis que ganhou da noite passada e de como tudo dói e soa demasiado alto
Enquanto eu bebi que nem um camionista, dancei e fiz karaoke até ás cinco e meia da manhã - a minha versão da Hello da Adele é digna de Grammy, já agora - e não tenho qualquer resquício de tal coisa.
Dia 29 de Dezembro
Quatro e meia da manhã.
Tropeço ao ir para a cama cama agarrado ao telemóvel, aborrecido e com frio.
Faltam dois dias.
Dois dias para, nas minhas cuecas azul cliché, regado de espumante barato e confettis - provenientes daquelas pistolinhas pavorosas que alguém sempre tem a brilhante ideia de carregar desde casa para rebentar juntamente com as doze badaladas - receber o ano novo.
E enquanto a minha parte racional acha toda a tradição imbecil e desnecessária - facilmente substituível por uma boa sessão de filmes e sexo tântrico - estou, como todos os anos, ansioso, à espera do momento em que carrego um botão gigante de Reset, e que todas as incomensuráveis cagadas que fiz este ano se vão, com as sete ondinhas, que nunca pulo, (porque afinal não estamos no brasil e o mar está gelado e não me apetece começar o ano novo com uma pneumonia e roupa salgada).
Desejo todos os anos o mesmo, saúde dinheiro e amor.
Mas como nunca acontece porra nenhuma, começo a suspeitar que há alguma espécie de interferência na linha para a qual se fazem a encomenda dos pedidos de ano novo, isso ou então a telefonista que regista os meus para as entidades superioras está sempre ligeiramente alcoolizada e compreende que a definição de amor se prende a sair com um rapaz que me pedia fisting anal e sadomasoquismo no segundo encontro, em vez de cafuné e croissants na cama.
Em jeito de retrospectiva, abro a lista de contactos e revisito os fracassos amorosos do ano da lista telefónica, uma tradição anual masoquista que não consigo evitar.
Os nomes dissociam-se de caras específicas, todos se transformam num borrão indistinto na minha cabeça passado algum tempo.
Relembro com algum embaraço as situações caricatas, memórias de uma gaysha com mau gosto.
O vesgo que me perseguiu semanas para um encontro que concedi, ganhando em retorno um pneu furado e uma tampa,
O sacana que convidou um amigo meu para um encontro na altura em que estávamos a sair,
O "hétero" que queria "experimentar" na garagem da avó com mulher em casa,
Eclipsam-se um a um com cada "deseja eliminar este contacto?" a piscar no ecrã.
E com um sorriso de satisfação vingada, dou por concluída a limpeza, uma renovação antecipada.
Deito-me e penso "para o ano é que vai ser".
Até ao próximo dia 29 de Dezembro, às quatro e meia da manhã.
Afinal, é sempre giro sabermos um pouco mais uns sobre outros por cá, cá vai;
Sou muito... Crítico, comigo e com toda a gente. Não suporto... Homens de 30/40 anos que acham que apanharem bebedeiras todas as semanas é um feito digno de admiração. Eu nunca... saí da Europa Já me zanguei... Comigo mesmo. Mais vezes do que gostaria de admitir. Não tenho culpa de ser idiota QB. Quando era criança... Fazia piqueniques à porta de casa sozinho, com dezenas de livros e um rádio com cassetes da Disney. Morro de medo...de acabar sozinho, e um dia acordar com 60 anos encalhado e ir para os bares fazer a corte aos putos de 18 de cerveja na mão. Sempre gostei... de romances, seja em filme ou livro. por muito que goze com eles, adoro um bom final feliz, já que não os vejo na vida real. Se eu pudesse... dava uma vida melhor à minha família Fico feliz quando... consigo ajudar alguém. Seja através de conselhos ou ajuda prática, estamos cá uns para os outros. Se pudesse voltar no tempo... Dizia a mim mesmo para não ter medo de ser gay, e deixar de ser imbecil, que não era só uma fase nem fazia mal a ninguém, e para não me meter naquele malfadado curso. Ah, e para não sair com aquele rapaz da padaria, que afinal era casado e não nos diz isso até ser demasiado tarde. e ensinava o meu eu do passado a viajar no tempo, porque me ia dar muito jeito. Quero viajar para... Tailândia, Londres, Tóquio e Mykonos Eu preciso... de me sentir amado. Não gosto de ver... Aqueles casais que acabam as frases todas com "mor" "morzinho" "fofo" ou "baby". Ando sempre com uma navalha no bolso para cortar as linguas de tais exemplares.
Se gostarem destas coisas, desafio vos, Bratz e Pedro
E lá se vai o natal, a fugir atrás dos últimos minutos do dia, levando consigo as enchentes de pessoas nos shoppings - por pouco tempo, porque os saldos estão a espreitar, ansiosamente - , o amigo pai Natal - manhoso, como sempre - as reportagens típicas da época. os Jantares solidários e as mais variadas sugestões para presentes nos programas da manhã e da tarde.
E cá estou eu, a aproveitar o silêncio, assistindo o último episódio de Miss Fisher's Murder Mysteries - que deviam ver porque é simplesmente fabuloso - e a encher o pandulho com chocolates e homenzinhos de gengibre - que, vendo bem, são os únicos homens como nesta época festiva.
Podia desejar-vos um feliz Natal, mas não me pareceu necessário, tenho a certeza que o aproveitaram tão bem quanto possível, na companhia dos que mais gostam, recordaram os que já cá não estão (como eu o fiz), ou talvez até sozinhos.
Pelos intervalos da preguiça vou passeando pela web, e na minha cabeça começa a formar-se uma simpática lista - eu e as listas... - sobre as pessoas que encontramos todos os benditos natais pelos nossos círculos sociais - on ou offline:
A Super entusiasta
OH MEU DEUS, É NATAL! SABIAM QUE É NATAL? EU TENHO UM BARRETE DE PAI NATAL!VOU PÔR O BARRETE DE PAI NATAL NO MEU CÃO!VAMOS FAZER PLAYBACK DO ALL I WANT FOR CHRISTMAS IS YOU DA MARIAH CAREY! BORA! QUEM QUER TIRAR UMA NATELFIE? É NATAL SABIAM?
sim, sabemos. acho que toda a gente tem acesso a um calendário, podes parar de publicar selfies com cornos de rena. we get the point.
A Fada do Lar
Aquela que vai postar tudo o que anda a fazer para o natal.
As bolachas a serem amassadas, depois no forno, depois no prato, a mesa a ser posta, a forma como dobrou os guardanapos em forma de floco de neve (o que até hoje me passa um bocado ao lado, porque em mais de metade de Portugal nem neva no natal, por isso não é uma coisa propriamente normal, mas hey.) .
E por meio de técnicas de sugestão psicológica, passam sempre a ideia que é super simples e fácil - quando não é - , sempre com um
Super Fácil! experimentem vocês também :)
ou um
E são estas pequenas coisas que fazem o natal :)
Que querem secretamente dizer
Podes tentar fazer um souflé de natal, mas sabemos os dois que nunca vai ficar tão bem como o meu, porque eu tenho um dom.
A Socialmente Consciente
Enquanto vocês estão em casa a comer bacalhau, há um monte de pobrezinhos a passar fome, espero que tenham isso em consideração enquanto digerirem a comida, e que façam por mudar a situação.
Porque a melhor prenda de natal possível é uma guilt trip.
O que é irónico é que toda essa consciencia social vem direitinha do Ipad, sentados á beira da Lareira a ver o frozen no plasma de casa dos pais e a beber um copinho de porto, nunca de uma sopa dos pobres a fazer voluntariado.
A Revoltada
O NATAL É IDIOTA ODEIO O NATAL VOU PARTILHAR MIL MEMES A SER SARCÁSTICO SOBRE O ASSUNTO E A SUGERIR QUE QUEM GOSTA DA ÉPOCA É POUCO INTELIGENTE PORQUE É QUE TEMOS QUE TER O NATAL, CALEM SE JÁ COM ISSO UÉ UÉ UÉ
Os que mais existem.
É uma moda ainda mais seguida que a das fotos dos pés na areia da praia.
É cool não gostar do Natal.
Porque é consumista(como se todos os feriados não tivessem o seu quê de capitalismo)
Sabem que mais? Niguém quer saber dos vossos queixumes. Não querem celebrar o natal, óptimo.
Parem de estragar a época a quem gosta, pelo amor de Deus.
E vocês?
Que outro tipo encontram regularmente nas épocas festivas?
Espero sinceramente que tenham passado uns bons dias :3
"Daqui a bocado vou aí levar-te a prenda de natal a casa, okay?"
Quando não te lembraste de comprar nada para a pessoa em questão.
Viver em casa dos progenitores, tem milhões de prós.
De entre os muitos que há, dou especial destaque a toda a falta de privacidade - afinal, quem precisa de privacidade - que se materializa diversas vezes aos ataques aleatórios de stepford wife arraçado de agente da divisão de controlo de narcóticos da minha mãe, que amavelmente me revista e reograniza todo o interior do quarto sem aviso prévio.
Como tal, toda a tarefa de ter preservativos por casa sem lhe causar uma arritmia cardíaca que despoletará o possível questionário ao nível do FBI - Como só as mães sabem fazer - sobre onde é que eu ando a gastar preservativos de sabor a morango, é bastante mais difícil do que possa parecer.
Como insisto em exercer esporadicamente o meu direito ao orgasmo, tive que me desenrascar.
A ideia que me pareceu mais lógica de há uns anos para cá, foi pegar num dos meus 20 e poucos casacos - não julguem - e nomeá-lo como "o casaco dos preservativos".
E é a esse feliz contemplado que calha o fardo de carregar tudo o que é preservativo que eu tenha à disposição, para uma altura de aperto, porque ninguém perde tempo a revistar casacos só porque sim.
Ora, tudo isto pareceu uma ideia genial e correu às mil maravilhas, até há uns dias atrás.
Resolvi ir comprar o almoço, uma coisinha leve e saudável e tal.
Vesti o meu biker jacket, e aquelas calças que por pacto demoníaco ou tecnologia inovadora deixam que o meu rabo pareça um poster dos boxers da armani, todo trabalhado na sensualidade, num daqueles dias em que acordamos a pensar que o mundo é um buffet, á espera de ser comido.
Comprei umas courgettes, uns pepinos e umas cenouras - por algum motivo a minha lista de compras estava um tanto ao quanto fálica naquele dia - uma embalagem de vaselina e umas bolachas de chocolate, e esbarrei contra o rapazinho mais delicioso de sempre na caixa.
Todo eu sorrisos e piscares de olhos, tiro do cartão para pagar e subitamente uma avalanche de preservativos espalham se pelo chão e pelo tapete da caixa, numa míriade de marcas e variedades, de extra finos a extra lubrificados, em quantidade suficiente para fornecer umas semaninhas o distrito da luz vermelha em Amesterdão.
Juntemos a isto as courgettes cenouras e pepinos e a vaselina - que nem era para mim - , e acho que podemos todos imaginar a minha vergonha, principalmente quando o rapazito se começou a rir da situação enquanto me ajudava a apanhar os ditos bem como os cacos da minha recém estilhaçada dignidade.
Podemos assumir que vou entrar em 2016 solteiro e com muitos preservativos para gastar.
Nada melhor para o espírito natalício colectivo que falar de humilhações pessoais, não é verdade?
Depois de lutar com os problemas de descobrir que é trans, esta senhora resolveu viver como uma menina de 6 anos.
Arranjou uma família adoptiva e passa os dias a colorir livros e a brincar com bonecas.
E eu pergunto:
É normal eu sentir que vou ser linchado em praça pública nas internets por achar que falta ali um ou dois parafusos?
(não pela parte de ser trans pela outra metade da notícia, só para acalmar os mais sensíveis)
Esta coisa de estar solteiro tem muito que se lhe diga.
Damos por nós ás vezes a investir em bofes que estão tão interessados em nós como no peso cultural do cultivo da mandioca no Uganda rural.
Como bicha apaixonada, fica pior que cega, muitas vezes não reparamos nos sinais até estarmos enrolados em pijamas de lã e mantas, com as luzes apagadas com acessos de autocomiseração a ver pela quinquagésima nona vez o Diário de Bridget Jones e a comer bolachas suficientes para alimentar um pequeno país de terceiro mundo - o que temos que admitir é muito comum. Ou pelo menos é isso que digo a mim mesmo para não me sentir um anormal cada vez que aconteceu.
Com o passar do tempo, reparei que muitas das vezes em que dava errado, haviam sinais, sinais que eu tendia a ignorar, porque "podia ser impressão minha" ou "estou só a ser exagerado".
Quando concluí que não era só impressão, acabei por criar uma pequena lista de perguntas.
Uma guideline, vá.
Se respondo a mais do que uma - duas se quiser arriscar - destas "sim" sei que não vai dar em nada.
Não tem interesse em partilhar dos teus interesses mas tens que fazer as coisas que ele gosta?
Aquela conversa de que tens que ter os mesmos interesses que as pessoas com que sais, é uma grande treta, mas quando passas horas a ouvi-lo falar sobre as coisas que lhe acontecem, os interesses, ou whatever, mas não te consegue dispensar uns segundos para falares das tuas, é um péssimo sinal.
Não que o bofe tenha que querer saber que compraram papel higiénico em promoção, mas é sempre bom ter algum interesse mútuo... aliás, se querem conquistar o bofe, não lhe falem em papel higiénico, okay?
Demora milénios a responder ás tuas mensagens, mas sempre que saem está com o telefone na mão?
Phoneblocking pode estar na moda, mas que seja um phoneblocking coerente.
Se podemos esperar horas por uma resposta, as outras pessoas também o deviam ter que fazer, logicamente.
Arranja sempre desculpas para não combinar coisas contigo, mas está sempre a sair com os amigos?
Já todos ficámos falidos.
Já todos tivemos problemas com o carro.
Já nos morreu um gato de estimação.
Já todos tivemos compromissos de última hora.
Não é preciso criar uma teoria da conspiração enorme se o bofe ocasionalmente desmarca algo.
MAAAAAAAAAAAAAS Quando começa a ter muitos problemas seguidos, é motivo para desconfiar. Se juntarmos a isso o factor de desmarcar planos convosco para marcar com os amigos, bem... não é preciso fazer muitas contas.
Tens de ser sempre tu a tomar a iniciativa?
Não liga, não interage, não se desloca até ti, e se der ao caso, O bofe vai sair contigo, como se fosse um grande serviço à humanidade, e como se os bofes estivessem em vias de extinção e fosse digno de um altar no armário dos sapatos. Claro, demonstrar interesse é sempre bom, mas se for de um lado só, vais acabar a fazer de capacho.
Fica chateado quando dizes que não apetece fazer sexo?
Então, têm um encontro. Vêm um filme, comem um hambúrguer no shopping, vão á praia, whatever. Se no final, ele fica sempre aborrecido ou ofendido quando não te apetece liberar a jibóia cega. Como se tivessem assinado um contrato em que tens que ter as pernas sempre abertas, como as portagens da autoestrada. Claro que sexo é óóótimo, mas se só querem sair contigo a contar com isso, diz no mínimo algo sobre as prioridades, digo eu.
[Bónus]Tem uma app de engate sempre ligada?
...E utiliza-a constantemente, mesmo estando contigo?
...Até mesmo quando vão num encontro?
E continuas a sair com ele?
Sério?
Apeteceu-me mostrar a cara.
Não é uma noticia propriamente interessante, mais um pequeno aviso, Só para não estranharem ver uma cara estranha nos comentários.
Revisitando o passado, dei de caras com uma das minhas primeiras paixonites platónicas.
Como boa criança portuguesa dos 90's que fui, cresci alimentado a programas generalistas com música pimba - o saudoso (e francamente mau em retrospectiva) big show SIC no topo da lista - e infindáveis novelas da globo.
Entravam por minha casa dentro, todos os serões, e calmamente em família, devorava as histórias, embalado pelo português macio de terras de Vera cruz, onde aparentemente as mulheres eram sempre altas e magras, os homens charmosos e os pequenos almoços dignos de um buffet intercontinental.
Era tudo simples e linear, o rapaz conhecia a rapariga, casavam-se e tinham em filhos o equivalente numérico a uma equipa de futebol, com direito a baladas da Ana Carolina como banda sonora, e a muitas lágrimas pela mistura.
E depois, um dia qualquer, num dos setecentos episódios da novela da altura, o Marcos Palmeira tirou a camisa.
E dentro de mim, qualquer coisinha fez o clique.
Entendamos que por aquela altura tinha praí uns dez anos, sexo era uma palavra, uma noção abstrata que não tinha qualquer desejo de compreender, e ainda estavam relativamente longe os meus anos de dúvidas sobre o assunto - quando as pequenas paixonites pelos coleguinhas de escola começaram a aumentar de intensidade - , e por arrasto sobre a minha própria identidade.
Não percebia muito bem na altura qual o apelo de ver um homem suado sem camisa, tendo em conta que sempre achara as mulheres de bikini francamente desinteressantes, e beijos na boca me pareciam a coisa mais nojenta do planeta - oh ingenuidade da juventude - mas nem assim parava de olhar maravilhado para as curvas e contra curvas do senhor na telinha.
O que tornou a minha pequena cabeça numa salada russa de dimensões industriais, afinal, o highlight da minha noite era esperar por aquelas curtas cenas em que ele aparecia em tronco nu - nos anos 90, altura das calças de cintura alta, em que um six pack era apenas uma embalagem de cerveja na américa e a depilação era uma tendência por descobrir- por obra e graça divina, ou do roteirista.
Então, um dia qualquer, começámos a falar de pénis e vaginas na escola, e toda aquela confusão de ereções vasos sanguineos ejaculações e penetrações, que faziam os meninos rir e as meninas corar.
(O timing mais apropriado para um pequeno rebento de bicha pervertida em formação, realmente.)
E, com o meu recém, adquirido conhecimento cientifico, resolvi desenhá-lo, num nu frontal de dimensões realistas, usando como referência a minha memória fotográfica, e o livro de ciências naturais da escolinha - porque sempre fui uma bicha cheia de recursos. Vendo bem em retrospectiva, não sei muito bem de que sinais precisava ter recebido uns anos mais tarde em plena adolescência para me aperceber que gostava mesmo de rapazes. talvez um sinal de neon a dizer "gay" na testa tivesse ajudado a cortar todo o drama interno pela metade.
Então, qual Gollum, guardei o desenho, debaixo da cama, revisitando-o cheio de orgulho artístico - e suponho que alguns laivos de libido - , até a minha mãe fazer uma limpeza ao quarto e se deparar com uma pintura rupestre - porque sejamos honestos, desenhos de crianças raramente são bons - de um homem nu e cabeludo com uma pila francamente desproporcional.
Claro que na altura nada disto me pareceu estranho ou digno de análise, e inventei uma desculpa esfarrapadíssima sobre como o desenho era para um trabalho da escola - não sei para que disciplina, suponho que para iniciação à bicheza - e fiz com que ele desaparecesse da face da terra - o que é uma pena, porque agora era bem capaz de o partilhar aqui se soubesse o seu paradeiro - , continuando no entanto a apreciar na telinha o Marcos Palmeira sem camisa.
Por isso, quando tiver "a conversa" vou dizer "Eu não era gay, a culpa foi da globo"
E vocês? qual foi a vossa primeira paixonite, televisiva ou derivados, tudo serve, partilhem!