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Grindr, Take #1

sábado, 3 de setembro de 2016


Agosto
Estou naquela fase.
Gato escaldado com bastante medo da água quente.
Tento não cair no cliché de assumir que os homens, essas grandes bestas, serem todos iguais.
Instalo o grindr, no auge do verão, camisas decotadas e depilações feitas, e espero que caiam propostas.
E elas não tardam, pequenas restaurações temporárias na minha fé pelos homens, e pela minha vida romantico-sexual.

Escolho um dos poucos que não me ilumina o ecrã com convites para um fodão ou derivado, porque estou - aparentemente - numa de boa moça.
Falamos da vida, de gostos, de aspirações, toda aquela conversa digna de mostrar à tia-avó emigrada, com pequenos laivos de química e boas doses de flirt.
Trocámos a foto da praxe, e eventualmente, combinámos um encontro, meio a palpar terreno.

E vou, sorridente pelo mar de turistas, entretido pela música e pela promessa de uma noite interessante.
Sento-me num banco à beira mar e espero.
Espero uns minutos.
Espero uma hora.
Espero duas.

Desisto depois de não obter resposta a nenhuma das mensagens e não ver sinal do rapaz.

Compro um gelado e subo a rua, e vejo pelo canto do olho um casalinho aos beijos num canto menos iluminado da rua.
Dois miúdos novos, Provavelmente turistas, um loiro e baixo, com gargalhadas sôfregas a fingir afastar as investidas de um moreno de óculos.
Reviro os olhos, suspiro e acelero o passo, controlando a ânsia de dar um safanão aos dois miúdos e gritar-lhes que é provavelmente uma paixãozeca idiota de verão, influenciada pelo bronzeador e pelos mojitos, fadada a morrer na mesma altura em que as minhas camisolas de malha voltem a ocupar a prateleira principal do armário.

Deixem-me.

Estou naquela fase...

Ou talvez não.

O ex nostálgico

quinta-feira, 5 de maio de 2016



Como tantas outras histórias de "amor" entre dois rapazes, começámos no manhunt...
Ou foi no Grindr?
Hornet?
Não sei, é igual ao litro.

A fase da lua de mel veio e foi-se, o encanto morreu, ficaram as memórias de quecas bem dadas - modéstia à parte -, os investimentos em preservativos com sabores, e a costumeira promessa de manter o contacto.
O tempo voa, e o contacto foi na melhor das hipóteses telegráfico.
Perguntas de trabalho, dos estudos, do cão do gato e do periquito, sem qualquer resquício do romance meloso que outrora bateu em nossos corações - ou seriam virilhas?
Poderia acabar por aqui, uma trágica história de um romance que nunca o chegou a ser, um souflé que desabou antes de estar pronto.
Mas obviamente não se ficou por aqui.
Volta e meia, nas épocas festivas quando a fome é negra e o grindr anda às moscas, magicamente a memória funciona , e lá se lembra do meu número de telefone para enviar sentidas mensagens de saudade e introspecção.

Saindo do trabalho, um destes dias, o telefone volta a vibrar, trazendo consigo uma pergunta inócua quebra o silêncio de meses.
"Como estás? Tenho pensado em ti."
E embora à primeira vista não pareça, eu já sei imediatamente que isto é uma uma tentativa desesperada de me voltar a saltar para a cueca.
A converseta floreada passa pela localização geográfica do dito cujo, e rapidamente escala para um digno:
"Tenho saudades de te arranhar as costas" 
ou
"Lembras-te da ultima vez que demos uma?"
E não sei sei é suposto o meu cérebro estar algures na minha glande, porque só assim se explica a noção de que era suposto ir a correr cada vez que um marmanjo qualquer se lembrar que eu só sirvo para lhe apagar o fogo.
Sorrio malevolamente, enquanto a minha consciência me sugere que o faça sofrer um bocado, antes de lhe cortar as asas.
Quando eventualmente me aborreço da conversa, e o informo da minha atual relação, rebate com um:
"Ah, ainda andas nisso? Pensei que tivesses vontade. Fica para a próxima"

Porque com propostas assim, quem consegue resistir, nénon?

Fica a pergunta:
Reciclagem de ex agora é uma trend?

A primeira vez que beijei um rapaz

sábado, 19 de março de 2016


"Vens ver um filme a minha casa?" 
- Não consigo deixar de pensar que se todos os convites destes resultassem mesmo num filme assistido, tinha o equivalente a um mestrado em análise cinematográfica moderna.-
E lá fui, num misto de ingenuidade e expectativa que fazia o meu estomago girar mais depressa que uma máquina de lavar no programa de centrifugação - afinal, nunca tinha em nenhuma espécie de encontro, muito menos com um homem.
Acontecia tudo numa espécie de câmara [insistentemente] lenta que tornava as conversas em ecos distantes.
 Falámos efetivamente em filmes, lembro-me de ver uma coleção simpática de filmes de terror, e tenho uma muito vaga ideia de me ter feito sugestões enquanto se aproximava, não muito discretamente.
Cheirava bem, a after shave e tabaco, uma combinação estranhamente agradável, lembro-me de ter as palmas das mãos suadas, um mar de dúvidas e autorecriminações a inundar-me a cabeça - afinal estava a forçar aberta a porta do armário que se manteve escrupulosamente fechada anos a fio.

E depois aconteceu.
E pode parecer anticlimático, mas mal as nossas bocas se encontraram e a barba me arranhou a cara não senti nenhum tipo de borboletas ou qualquer outro inseto esvoaçante no sistema digestivo como é da praxe, Não tive nenhuma epifania religiosa;
Nenhum chamado divino;
Senti apenas uma  alívio imenso.
As preocupações foram-se todas pela janela á medida que o beijo se prolongava, agora a uma velocidade agora acelerada.

O beijo?
Foi bom, mas o que recordo sempre é aquele alívio imenso.

E vocês, ainda se lembram?

Limpeza Colónica da Lista Telefónica

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


Dia 29 de Dezembro
Quatro e meia da manhã.
Tropeço ao ir para a cama cama agarrado ao telemóvel, aborrecido e com frio.
Faltam dois dias.
Dois dias para, nas minhas cuecas azul cliché, regado de espumante barato e confettis - provenientes daquelas pistolinhas pavorosas que alguém sempre tem a brilhante ideia de carregar desde casa para rebentar juntamente com as doze badaladas -  receber o ano novo.

E enquanto a minha parte racional acha toda a tradição imbecil e desnecessária - facilmente substituível por uma boa sessão de filmes e sexo tântrico - estou, como todos os anos, ansioso, à espera do momento em que carrego um botão gigante de Reset, e que todas as incomensuráveis cagadas que fiz este ano se vão, com as sete ondinhas, que nunca pulo, (porque afinal não estamos no brasil e o mar está gelado e não me apetece começar o ano novo com uma pneumonia e roupa salgada).

Desejo todos os anos o mesmo, saúde dinheiro e amor.
Mas como nunca acontece porra nenhuma, começo a suspeitar que há alguma espécie de interferência na linha para a qual se fazem a encomenda dos pedidos de ano novo, isso ou então a telefonista que regista os meus para as entidades superioras está sempre ligeiramente alcoolizada e compreende que a definição de amor se prende a sair com um rapaz que me pedia fisting anal e sadomasoquismo no segundo encontro, em vez de cafuné e croissants na cama.



Em jeito de retrospectiva, abro a lista de contactos e revisito os fracassos amorosos do ano da lista telefónica, uma tradição anual masoquista que não consigo evitar.
Os nomes dissociam-se de caras específicas, todos se transformam num borrão indistinto na minha cabeça passado algum tempo.
Relembro com algum embaraço as situações caricatas, memórias de uma gaysha com mau gosto.
O vesgo que me perseguiu semanas para um encontro que concedi, ganhando em retorno um pneu furado e uma tampa,
O sacana que convidou um amigo meu para um encontro na altura em que estávamos a sair,
O "hétero" que queria "experimentar" na garagem da avó com mulher em casa,
Eclipsam-se um a um com cada "deseja eliminar este contacto?" a piscar no ecrã.

E com um sorriso de satisfação vingada, dou por concluída a limpeza, uma renovação antecipada.
Deito-me e penso "para o ano é que vai ser".
Até ao próximo dia 29 de Dezembro, às quatro e meia da manhã.

Feliz ano novo

O Casal

domingo, 11 de outubro de 2015

(não resisto a usar este vídeo)

Ainda na minha fase Polyanna, que se esmorece mais a mais com cada experiência falhada, inscrevi-me em mais um aplicativo - Já lhes começo a perder a conta.
Controladas as minhas quase incontroláveis expectativas, já tinha ultrapassado a fase de procurar desencalhar - pelo menos parcialmente - , passando a contentar-me com a eventual queca divertida com algum gajo giro e interessante.
Com o passar dos dias, comecei a acreditar mais na fada dos dentes do que na realização dessas expectativas bastante básicas.

Parece que no Algarve só há casais à procura de rambóia, ou "amizade especial" como tão subtilmente sugeriam nas mensagens que me mandavam uns atrás dos outros.
Juntando à equação as intermináveis exigências dos solteiros de "sigilo" e "discrição" fiquei com a vincada impressão que estava a pedir códigos para o lançamento de mísseis nucleares, cada vez que queria combinar um café ou um cinema com um torso sem cabeça.

Então, um dia qualquer, Senti aquela descarga de adrenalina que a típica dona de casa suburbana sente quando vai ao supermercado e compra as cinquenta sombras de grey juntamente com arroz carolino e uma lata de ervilhas cozidas para o jantar, uma grande puta pioneira na arte dos menage a trois, e resolvi por responder a uma dessas mensagens de um casal das redondezas.
Teclei com muita facilidade, regado de vodka e aborrecimento.
Disse-lhes que nunca tinha feito tal coisa e pareceram-me muito compreensivos e simpáticos, o que vendo em retrospectiva acontece sempre que alguém nos quer saltar para a cueca.
Em aproximadamente cinco minutos evoluímos da conversa cliché de quererem fazer amigos - que devem dizer a todos - para descrições muito...gráficas de fetiches sexuais e coisas que me fariam quando me pusessem a mão -e outras partes do corpo - em cima.

O resto da conversa foi meio que um borrão de elogios e sugestões.
No dia seguinte, a vodka tinha saído toda do sistema, e com ela foi toda a minha coragem líquida.
Subitamente, a puta pionera, virou virgem vergonhosa.
Reparei que afinal não eram assim tão giros.
E que moravam a quase cinquenta quilómetros de mim.
E que queriam que eu fosse ter com eles para um sítio que desconhecia completamente.
E passou-me a vontade completamente, enquanto pensava que nunca mais devia andar com aplicativos de engate, com vodka no sistema.
Afinal eles eram simpáticos, e sabiam que eu nunca tinha feito nada disto, e que era normal que ficasse nervoso e pudesse mudar de ideias, iam compreender.
Então, como uma pessoa racional expliquei-lhes que afinal não queria. Que não estava pronto para me meter numa situação dessas e tinha ponderado e tal.
E lá foi a compreensão com o caralho.
Foi um bocado como se tivesse prometido dar um rim a alguém, e me tivesse levantado da mesa de operações cinco minutos antes da cirurgia.
Passámos da negação à chantagem emocional numa cena digna da novela das oito.
Aparentemente um deles partiu um candeeiro e andava aos berros lá em casa, com a fúria imensa de não poder possuir o meu esbelto corpitxo.

Enquanto isso, o outro me dava uma lição de moral interminável, porque, tinha por escrito por mensagem a minha intenção de me enrolar com eles, e isso é lei.
Quanto mais lhes tentava explicar que afinal não me estava a soar tão bem a ideia de fazer 100 kms para dar uma queca, agora que estava sóbrio e racional, mais me tentavam fazer sentir mal, e reconsiderar.
Prometeram-me um jantar à luz das velas - provavelmente porque já não tinham candeeiro para acender - e uma noite inesquecível - que provavelmente incluiria levar com o outro candeeiro na tromba se corresse mal.

 E quando disse que não, que talvez mais tarde, mas que podíamos continuar a falar, e talvez desenvolver uma amizade - porque afinal, tinham dito de cinquenta maneiras diferentes que procuravam amiguinhos por lá, a eterna aldrabice não é verdade? - disseram-me que iam deixar de me falar, mas que se reconsiderasse lhes podia dizer.

Até hoje nunca mais voltámos a falar, não sei muito bem porquê.


*Eventualmente fiz mesmo sexo a três, mas isso fica para outro dia. 
Ou então não que isto não é o - falecido - blog dos menages.*

Já alguma vez vos aconteceu algo parecido com alguém?
Um engate que não tenha levado bem a tampa?
Vá, comentem-me, à bruta.

O Primeiro

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Entrei na loja, com pressa, em busca de uma prenda para uma amiga. Uma blusa, um colar, um lenço, qualquer coisa para oferecer num aniversário comprada à última da hora, como manda a norma entre pessoas despassaradas.
Percorri a loja com o olhar rapidamente e vi-o de soslaio.
O primeiro marmelo por quem me apaixonei estava ali, qual aparição do além, oito anos depois com o mesmo corte de cabelo, alto e magro com um relógio preto no pulso e barba cuidadosamente aparada, a trabalhar atrás do balcão da stradivarius.

Não vou negar que durante alguns anos meses sonhei com o momento em que nos encontrássemos na rua ocasionalmente, ele me visse todo elegante e maravilhoso - como sempre obviamente - e percebesse a monumental cagada que fez, me pedisse desculpa de lagriminha no olho, para que eu pudesse dar a estocada final com um redondo "não" esmagador de egos (já agora, na minha fantasia ele era trolha e eu estava com uma camisa de linho branco e umas calças de duzentos euros, porque a minha imaginação é uma novela da globo).
Afinal, foi ele quem me deu a primeira tampa monumental, que me fez ficar uns 9 meses trancado em casa a comer haagen daz e a ouvir Toni Braxton engordando a olhos vistos e adoptando uma postura celibatária que roçou o preocupante para alguém com a libido de um coelho em época reprodutiva.

Na realidade infelizmente não costumo andar com camisas de linho quando vou comprar prendas de aniversário... e quanto às calças de duzentos euros... bem eram umas jeans rotas de 10 euros compradas nos saldos, largas e gastas.

Dei por mim a rever tudo o que se passou, sorrindo nostalgicamente, parcialmente escondido atrás da prateleira dos óculos de sol.
Afinal, na altura era eu um jovem inexperiente e ingénuo, alheio à complexidade de uma relação amorosa e das implicações que ela mesmo depois de um mau término.
Vivia tudo com mais intensidade e não analisava as coisas de cabeça fria.
Agora não, sou uma  pessoa madura e racional, que não se deixa afectar por memórias de um pé na bunda com quase uma década de existência e vive a sua vida de cabeça erguida.
Uma pessoa madura e racional encalhada mal vestida e despenteada.
Então, como pessoa lógica e racional sem rancores nem complexos que sou, larguei a secção dos saldos, tão minha amiga, e peguei na blusa mais cara que a loja tinha, uns brincos e um cinto a condizer, mentalizei-me para fazer a linha rica, empinei o nariz, e dirigi-me à caixa para pagar.

Pus a minha maior cara de snob, e preparei a minha cara de falsa surpresa, olhei-o pela primeira vez desde que entrara na loja diretamente nos olhos e pedi para fazer um embrulho, porque era oferta.
... E fiquei genuinamente surpreso.
... Afinal não era ele.
Sabem aquele momento, em que se começam a rir involuntariamente, depois de fazerem figura de ursos? Foi mais ou menos o que aconteceu, quando aquele rapaz muito bem parecido me perguntou se queria ou não laçarote no embrulho.
Quem ganhou nisto tudo, foi a vaca da minha amiga, só porque me esqueci dos óculos em casa, justamente num dia em que acordei aparentemente nostálgico.

E vocês?
Ainda ficam balançados quando encontram o vosso "primeiro"?

O romântico

sexta-feira, 31 de julho de 2015


Saí de casa meio sem vontade, para ir a uma daquelas festas chatas, em que só se conhece o anfitrião, uma socialização forçada que rapidamente culminou em 3 vodkas no estomago e uma enorme cara de enjoo - Da qual falarei futuramente - 90% da noite, completamente submerso em conversas sobre pessoas que não conhecia e acontecimentos que não presenciei.

E então ele apareceu.
Amigo do anfitrião, trocámos olhares, e foi mágico, e quando apertámos as mãos a eletricidade estática fez disparar o meu coração com uma intensidade que eu nem sabia possível, enquanto descobríamos que tínhamos imensos interesses em comum, e nos sentávamos a discutí-los na rua, longe do barulho, e da história de como a Ana Cláudia dos recursos humanos pintou o cabelo de ombré e lhe fica muito mal.
Pediu-me número de telefone ao meu amigo, e qual gentleman, enviou-me poemas românticos, convidou-me para jantar, e depois no caminho para casa trocámos um longo primeiro beijo, e soube ali que me tinha apaixonado loucamente.

... Vá lá,  sabemos todos que isto não aconteceu. 
Afinal, É de mim que estamos a falar.

Portanto, o rapaz apareceu, fomos apresentados, era atraente, falámos cinco minutos, eu disse algumas piadas maldosas, fiquei ali baptizado de bicha má, fui pedir outra vodka, fui dançar e nem me lembrei mais dele.


Passou-se um ano, muita água pela ponte, e alguns homens pela cama, até voltar a ver o rapaz.
cruzámo-nos na rua, e quando dei por ela, tinha o meu amigo a dizer-me que o rapaz lhe veio perguntar por mim, extremamente interessado.
Portanto, teve 365 dias para maturar o interesse, como qualquer pessoa normal faz, afinal é assim que as coisas funcionam hoje em dia, ou se dá uma queca no primeiro encontro, ou se espera um ano para meter conversa, vá-se lá entender estas bichas modernas.

Começaram a chover elogios.
Sendo eu um Leonino, isto nem deveria ser problema, não fosse o ridículo de ouvires aquelas linhas cliché de quem te quer saltar para a cueca a serem debitadas mais depressa do que um relato de futebol no rádio.
Dizia me que eu era especial e sexy, e que parecia diferente dos outros - informações que claramente conseguiu assimilar em cinco minutos de conversa há doze meses atrás
- mas que me tinha achado muito arrogante quando nos conhecemos - novamente, provavelmente adquirido de cinco minutos de conversa, o rapaz devia fazer parte do cast do mentalista, ou assim.

Conversa trivial jogada fora, e subitamente aterramos no Zodíaco. 
E eu adoro astrologia, mas nunca quando o resultado é: 
"Oh, és do signo do meu ex, os leões são uns falsos"

isto a juntar à genial decisão de insultar o gajo a quem estás a passar a asa, levou-me a ir buscar um balde de pipocas, para assistir ao rumo que a conversa iria tomar.
Valeu imenso a pena.
Disse me que procurava o amor e que queria pessoas diferentes - cantada nota mil, diga-se de passagem - mas que o destino tinha sido cruel e não tinha sorte.
"É que eu tenho um problema"
"Ai sim?"
"Sim"
"Qual é?"
"Tenho uma pila muito grande"
E em cinco segundos o meu telemóvel era invadido pelo rapaz - que eu só tinha visto uma vez naquela noite, aqueles cinco minutos - nu, de benga na mão e cara de boi cobridor.
Ainda mal eu tinha tido tempo de processar a imagem - que por acaso correspondia á descrição - e já era presenteado com a seguinte frase.
"É que as putas querem pilas grandes, os meninos sérios não"
Por esta altura eu estava a ponderar se lhe aconselhava a seguir uma carreira no stand up, porque me estava a arrancar imensas gargalhadas, quando a história toma proporções emocionais dignas de uma sonata, ou uma balada da Adele.
"O meu ex acabou comigo por causa disso"
"... Por causa da pila?"
"Sim e porque tinha medo de se apaixonar mais"
"Ah... pois" (Fica a Dica, falar do ex quando queres saltar na cueca de alguém é tipo regar uma plantação de milho com gasolina.)
"És tu homem para me amar, mesmo com a pila grande?" (Porque aparentemente, ter uma jibóia cega, é o mesmo que casar com alguém com um tumor cerebral, é preciso muito amor e dedicação para lidar com isso.)

Por esta altura estava com a clara sensação que estava dentro de um filme porno, e que a qualquer momento todo o ambiente ao meu redor ia ficar a meia luz, e ao fundo aquela música de saxofone ia tocar enquanto ele aparecia de pirilau na mão para alegadamente me enrabar até ao sol raiar - e se rimou era claramente verdade.

Completamente constrangido com a conversa, tentei mudar o assunto, mas a conversa oscilava entre a genitália do mancebo, e o ex que lhe deu um par de patins.
Quando lhe perguntei se a coisa tinha sido muito séria, recebi um
"Chorei e gritei muito, estou a morrer por dentro mas já passou, sou forte"
"Acabaram quando?"
"Há uma semana, então resolvi começar à procura de um homem bom e honesto"
portanto, nessa uma semana, veio meter conversa de engate comigo, mesmo estando "a morrer por dentro" uma história surpreendente de superação emocional, Equiparável à das vitimas do tsunami no Haiti.
Ficou até hoje à espera que lhe diga quando quero combinar um café, ou "qualquer coisa".
Cada vez que o encontro na rua, lembro-me desse café, carinhosamente marcado para dia de são nunca, de manhã, só para variar.
E se fosse com vocês?

O Misterioso

domingo, 14 de junho de 2015


Farto de conhecer marmanjos de outras freguesias, que faziam a minha gasolina evaporar-se ainda mais depressa que a minha paciência, optei pelo plano de ação mais racional, e limitei-me a procurar pretendentes na minha zona de residência - o que me levou a conhecer um rapaz muito simpático que encorna o namorado, mas só aos fins de semana, e um senhor de 60 anos chamado Armando que devia ir ao dermatologista verificar aquele sinal estranho que tem na pila, antes de lhe voltar a tirar fotos. - Até o conhecer.

Misterioso e calado , chamou-me o interesse como uma traça à chama.
Combinámos um encontro, fomos comer um gelado, e depois de percebermos que moramos a 5 minutos um do outro, conhecemos algumas pessoas em comum, fizemos o que qualquer pessoa responsável faria, e acabámos na marmelada à luz da lua.

Continuámos a falar e a combinar ocasionais encontros, eu todo em chamas de desejo ardente, pronto para lhe fazer uma limpeza ao estômago pela laringe, e ele sempre naquele tom blazé que tantas cuecas molha já desde os primórdios da arte da corte.
No fim das contas deu-me acesso ao cofre forte - se é que me faço entender - e resolvi atribuir-lhe esse desapego a uma timidez inicial, porque nem toda a gente encarna a pomba gira com a mesma naturalidade que eu, não é verdade.

E tudo corria sobre rodas, até termos subitamente saltado do divertido ambiente de conquista e charminho sedutor para consultório médico patrocinado pelo calcitrin dos programas da manhã,em que eu era o doutor designado, e ele a octogenária que queria saber se comer beterraba tingia o xixi de vermelho - e nem estou a inventar, esta pergunta foi textualmente feita - e em que ele me contava como tinha muitos "problemas complicados" e - supostas - tendências suicidas.

Sabem quando bebem uma garrafa de vinho tinto a ver pela milésima vez o diário de Bridget Jones - o original, nunca a sequela pavorosa - , e depois do filme acabar imbuídos de motivação alcoólica chegam à conclusão que é a altura ideal para aprender a fazer aquele puzzle de mil peças com dois ursos polares num iceberg que a vossa tia avó Gertrudes vos ofereceu há uns anos atrás, mesmo sabendo que estão com a coordenação motora de uma lontra prenha numa onda de calor?

(não? só eu é que faço isso? oh well)
Eu faço as minhas escolhas romântico/sexuais nos mesmos moldes que monto esse puzzle hipotético.
Toda a gente sabe que o puzzle vai acabar mal montado e sem peças, mas o meu cérebro diz "Oh, mas tu fazes as coisas diferente. Tenta" o que dá sempre valente cagada mas não me impede de tentar.

Na minha cabeça, a lógica era "se continua a vir interagir com a minha pessoa, e a remarcar encontros, deve estar interessado", e faz sentido, digo eu.
Então, pimbas, lá virei o ouvido amigo, com aquela noção imbecil de que "é das dificuldades que nascem os amores mais lindos"  ou outro chavão idiota de um filme da Jennifer Love Hewitt.
Acabámos eventualmente por combinar outro encontro, sempre depois do meu trabalho, quando a lua ia alta no céu.
À medida que os encontros se sucediam, ele tornava se mais e mais distante, e sinceramente, eu sou paciente mas não sou a madre Teresa, por isso, quando me levou para um lugar remoto com vista sob a cidade, despiu a camisa e me disse para irmos para o banco de trás, não seria de admirar que todo eu tremelicasse de emoção por todo um cenário romântico a desenvolver-se [muito]lentamente.

...Acho que nunca me tinha ocorrido o quão difícil é manter uma vibe romântica com alguém, quando recebes ao pormenor informações sobre o transito intestinal da pessoa - acredita em mim, se há coisa que nem as luzes da cidade conseguem apagar da tua memória é a menção de diarreia explosiva - , seguido de um detalhado relato de todos os problemas do dia lá no escritório, e queixas de como anda muito tenso ultimamente.

Depois, qual homicida determinado a trucidar qualquer centelha de erotismo que ainda existia, disse-me muito sério, olhos nos olhos, lábios quase a tocar-se
"consegues por-me de pau feito? Hoje de manhã finalmente acordei de pau feito,mas já se foi a vontade toda" 
- o que é obviamente o sonho de qualquer pessoa, um "olha, não me estás a dar vontade" - , encostou a cabeça no meu ombro, depois de vermos que não havia volta a dar naquele departamento - mais murcho que uma courgette fora de época, diga-se de passagem - , ligou o grindr e pôs-se a conversar com rapazes das redondezas, com direito a elogios e trocas de fotos, enquanto eu olhava pela janela à procura da câmara dos apanhados.
Acabei por, no auge do meu constrangimento, lhe dizer que queria ir para casa, não sem antes levar com o brinde, dito em voz velada e olhos nos olhos, qual Don Juan.
"Eh, ando a sair contigo porque és um rapaz simpático, mas a verdade é que eu e o meu namorado estamos num impasse, e ainda não sei se acabámos ou não, e sinceramente não quero acabar com ele. É por isso que ando com esta ansiedade e diarreia - porque eu tenho mesmo que saber como o intestino dele funciona, até a levar uma tampa."

No dia seguinte mandou-me mensagem a dizer que não estava pronto a conhecer pessoas novas - o que geralmente se diz antes de ter contacto com os genitais das pessoas, digo eu, cortesia comum - e a agradecer-me o gelado que lhe ofereci.

Pelo menos é bem educado, não é?

O "macho"

segunda-feira, 25 de maio de 2015


Diz-se por aí, que se desejares com força suficiente, o universo se encarrega de te enviar aquilo que lhe pedes.
Não me lembro de em lado nenhum no meu caderninho mental de preces cósmicas, de ter pedido homens com sexualidade dúbia.

Aliás, tenho especificamente encomendado um varão 100% gay, que goste de ver filmes aos fins de semana e de me comprar chocolates só porque sim.
E sim, ele é real, e está algures á minha espera, não tentem destruir o meu sonho.
E já fiz a encomenda há imenso tempo, sem receber nada até agora.

Mas o universo. qual estação dos CTT, manda-me sempre a encomenda errada, e ainda me cobra taxa de recepção, e no meio desta maré de burocracia cósmica, e dou por mim com um colega de trabalho fisioculturista mais enfiado dentro do armário do que o meu já velhinho par de sapatilhas de desporto - que já têm bolor de tão usadas.

E eu nem tenho problema nenhum com quem está no armário, é todo um processo e blablabla, mas quando a mesma criatura abençoada passa a vida a dizer no nosso local de trabalho que tem imensas namoradas, e pela calada da noite vai para o grindr - ou um outro derivativo qualquer  - anunciar que gosta é de salsichão Bockwurst para fazer um bom grelhado naquele rabiosque que arde mais que o churrasco de um quintal qualquer nos subúrbios, fica difícil defender não é verdade amiga?
suuuuuuuuuuuuuuper hétero.
Para ajudar ao filme, acho que todo eu nasci com uma aura de prostituta de esquina que escancara as pernas ao mínimo cheiro de sovaco e after shave, ou à ténue visão de um bícep mais desenvolto, a querer escapar-se por dentro da camisa apertada.
E isto leva a uma espécie de ritual de acasalamento não correspondida entre o mocito, que muito se flexiona e exibe, me acaricia volta e meia, e me diz o quão forte é, numa triste tentativa de levar uma neca na cueca, o que subsequentemente leva a todo um role de olhares jocosos de todo o corpo de trabalho - todos a par da minha "preferência alimentar" - que acha um piadão à situação, qual National Geographic versão homemsexual.
Bem vindo ao show, o ingresso é grátis e nem precisa de pipocas para apreciar devidamente
Enquanto trato de o recambiar para a terra dele, (ou em última instância, de pegar em todos os meus pertences e emigrar para a Antárctida onde não há homens, porque assim é estatisticamente impossível calhar-me mais uma peça destas na rifa)  fica já aqui o aviso, senhor universo, o próximo que me mandar, tem que vir nos conformes, ou vou pedir o livro de reclamações.

O professor

quinta-feira, 30 de abril de 2015



Conhecemo-nos e trocámos contacto - não interessa onde nem como, porque na realidade, o resultado vai dar sempre ao mesmo.

Achei-lhe piada, pareceu-me diferente e interessante.
Era professor, culto educado, e [aparentemente] romântico - vendo em retrospectiva... não são todos online? - os costumeiros elogios por educação rapidamente se transformaram em conversas pelo dia fora, tudo muito cheio de charme e provocações sugestivas.
Depois de algum chove e não molha, acabámos por conciliar horários e combinar um encontro, num dos cafés daqui da zona.

Não sei se fazem compras online, pelo ebay, ou até por alguma loja de roupas, mas todo o encontro pode resumir-se àquele fatídico momento em que abrem uma encomenda, que supostamente contém uma camisa em promoção, num maravilhoso verde abacate e em linho, abrem o pacote da, e têm uma camisa de poliéster verde alface dois tamanhos abaixo do que vocês pediram.

Cumprimentámo-nos, deu-me uma caixinha de chocolates - o que foi extremamente amoroso - começámos a falar, e a conversa simplesmente não fluía.
Provavelmente deixou toda a lábia algures no porta malas, e trouxe consigo a personalidade de um intercomunicador de condomínio com mensagem automaticamente gravada.
Dei por mim diversas vezes a puxar a conversa para evitar aqueles silêncios constrangedores enquanto ele me dava pequenas palestras de 30 minutos de cada vez sobre os regulamentos da escola onde trabalhava.
Era claramente mais velho do que me tinha dito - não que idade seja requisito -, e fez questão de o frisar umas quantas vezes com pequenos statements completamente fascinantes como "Tenho idade para ser teu pai" ou "no meu tempo..."

E fica a dica, se estão a sair com alguém com metade da vossa idade... tentem não o mencionar a toda a hora. Uma questão de marketing. despoletar daddy issues, não é o mesmo que despoletar uma crise de consciência.

Parecia irritado com alguma coisa, toda a conversa levada muito na defensiva, e eu, como boa pessoa que sou, desculpei-o primeiro com os nervos de primeiro encontro, e depois com a provável falta de sono por causa do trabalho.
todas as desculpas se eclipsaram naquele fugaz momento, em que eu eu pensava que a noite não podia ficar mais estranha, e levo com um condescendente
"Então, e já sabes o que queres da vida?"
"Hm?"
"Sim, já sabes o que queres? Já que andaste a chafurdar na rata"
E subitamente estava no programa da Fátima Lopes, a ser entrevistado pelo polígrafo e a ter que explicar porque é que sabia que sou efetivamente gay, visto - e estou a citar -  "não ser um gay genuíno". como se fosse antes uma cópia, uma bicha contrafeita à venda na feira da ladra, porque num laivo de ousadia meti o salsichão na arca errada.

Encontro - finalmente - terminado, cada um vai à sua vida, e pensei nunca mais ouvir nada do senhor, porque acho que até das futuras colónias de marte se conseguia ver o quão mau foi aquele encontro.
...Pensava eu.
Chego a casa, e tenho uma alegre mensagem á minha espera
"Então, o que achaste?"
Então... mas ele não estava lá?
"Ehrm... foi... interessante"
"Ah, eu achei te mais gordo que nas fotos. és bonito, mas não és demasiado bonito, por isso não estás fora da minha liga, e tive imensa vontade de te pregar um beijo"

portanto, recapitulemos, chamou-me gordo, feio e disse que me queria beijar.
Ainda a tentar responder de forma politicamente correta, enquanto ele queria uma resposta mais elaborada, uma quantificação, se calhar confundiu-se e pensou que estava a corrigir testes, ou a dar notas a exames, em vez de falar de encontros.
Antes de ter tempo de elaborar a minha explicação simpática - porque como boa pessoa que sou, tenho sempre imensa pena de dar com os pés, e acabo a arrastar situações por tempos inimagináveis - de como não estava minimamente interessado em continuar a vê-lo, a conversa continua:
"Pois, mor - oi? - é que eu não posso ser passivo. fui operado duas vezes ás hemorróidas e sofri infernos com isso, por isso não posso ser penetrado, não te conseguiria satisfazer nesse campo. mas podemos fazer outras coisas interessantes"
seguido de um:
"Mas também, sou baixinho e tenho a pila pequena, por isso fica à tua consideração" 
Não sei, talvez seja eu que sou mesmo muito novo, e há vinte anos, falar de hemorróidas e de dimensões penianas depois de um primeiro encontro fracassado sem absolutamente química nenhuma, fosse um acto de supremo sex appeal, mas por algum motivo... comigo não resultou.

O melhor encontro de sempre

quarta-feira, 22 de abril de 2015


Tinha sido uma semana péssima, a juntar a tantas outras semanas péssimas que se sucederam em catadupa.
Os amigos, ocupados com o trabalho e com as próprias vidas, não me serviram de grande consolo, e o namorado imaginário infelizmente também não soube desempenhar o seu papel.
Uma onda de autocomiseração abateu-se sobre mim, qual tsunami psicológico, quando caí no erro de me pesar e reparar que engordei 5 quilos, rapidamente atribuidos aos ataques de gula e ás invasões madrugadoras ao frigorífico para roubar cheesecake e bolo de bolacha.

Todas as energias foram pelo mesmo ralo que o dinheiro do mês, e dou por mim, à uma da manhã de sexta feira sentado na cama de robe e manta com uma caneca de chá, assistindo um episódio da minha série de culto - desperate housewives - a ponderar em que encruzilhada da vida dei o pisca para o lado errado, para estar tão miseravelmente infeliz, sem direito sequer a um gato para preencher o vazio que nenhum brinquedo de sex shop alguma vez conseguirá.

Nesse preciso momento, qual sinal divino, o ecrã do telemóvel acende-se em todo o seu esplendor, vibrando alegremente qual bóia de salvação da noite para maiores de 70 anos que se estava a formar no meu quarto.
Um rapaz qualquer aqui das redondezas viu o meu perfil.
"Olá, és giro. queres vir cá a casa?"
"...Olá . Aí a casa?"
"Sim"
"... Fazer?"
"Sei lá... conhecermo-nos melhor, conversar e assim"
vamos abrir um parênteses para o facto de ser uma da manhã, eu estar de pijama, carente e miserável, sem chocolate no armário nem homem na cama. Para isso e para o pormenor mais que muito lógico de que não existe homem nenhum neste planeta a convidar desconhecido/as para sua casa a meio da noite sem segundas intenções. 
"Hm, okay, porque não?"
Na minha cabeça, um encontro duvidoso parecia melhor alternativa que encontro absolutamente nenhum. e do ponto de vista puramente comercial, se não expuseres o produto, ele não vende, não é verdade.
E lá me pus eu no carro, e guiei 5 minutos a pensar se não ia ser assaltado e morto e ninguém ia saber de mim. Pelo menos não estava a beber chá de roupão. Já era um avanço emocional.

Chegado à porta do prédio, encontrei o a fumar, muito tenso e com cara de poucos amigos.
Não era bonito de todo, mas tinha aquele aspeto de camponês rústico que descarrega a frustração sexual reprimida a cavar couves e batatas.
Sim, eu sei.
Eu tenho problemas.


Adiante.
Cumprimentei-o e resolvi ver onde ia dar.
E aqui começou a hora mais estranha da minha vida até à presente data - e sim, estou a contar com aquela vez nas praxes, em que nos trancaram num barracão deitados uns em cima dos outros sem camisa e eu não conseguia decidir se tinha uma ereção ou um colapso nervoso traduzido em riso por causa de todo o fetichismo gay inerente, saído de um qualquer porno rasca dos anos 80. 

Entrámos no apartamento, e disse me para me sentar à vontade, no pequeno sofá cama duro e cheio de bugigangas em cima, virtualmente sem espaço nenhum para te sentares "à vontade", ligou a TV e sentou se ao meu lado.
E ali ficámos, uma hora nestes preparos.
Ele de pernas super abertas, talvez a querer marcar território, talvez a mostrar virilidade - o que não resultou muito bem - semi deitado no sofá, e a criticar as séries que passavam na TV, enquanto dizia em tom reprovador que "as mulheres são todas umas histéricas" e reclamava com os turistas e com o sistema nacional de saúde, sempre de olhos fixo na TV e corpo encostado ao meu.e mão sobre o meu peito
Eventualmente um pequeno volume surgiu timidamente nas calças jeans do rapaz.

Outro pequeno parênteses. Eu quando fico muito nervoso, tomo as piores decisões DE SEMPRE.
Juntemos a este parênteses o anterior, e façamos a equação. é óbvio que vai dar merda.
Então, enquanto conferenciava com amigos - obrigado internet móvel - cheguei á conclusão, que talvez o rapaz estivesse só nervoso.  Resolvi roubar-lhe um beijo. afinal, perdido por 100, perdido por 1000.

Nunca tive uma experiência de quase morte, ou vi um acidente de perto, mas pelo que descrevem, foi basicamente a mesma coisa.
Todo o mundo começou a mexer-se em camara lenta, enquanto a minha cara se direccionava à dele, e vi ao pormenor o humilhante momento em que, ajeitando o volume nas calças, desviou a cara para o lado e disse "não, não"

E ali fiquei eu, a rir nervosamente, a tentar desculpar-me ao mesmo tempo que lhe queria pregar um bujardão na tromba porque foi a primeira vez que alguém me negou um beijo desde que me lembro de ter usado a boca para propósitos que não comer.
A série acabou - por algum motivo continuou com a mão no meu peito mesmo depois de me renegar até ao infinito e mais além -, e subitamente ficou cansado.
"Tenho que ir trabalhar cedo amanhã, blablablabla"
Levou-me à porta, deu-me um passoubem, e deixou-me na duvida.
Talvez queira levar as coisas com calma, e só queira beijos lá pro 5º encontro.
Talvez me tenha calhado o último cavalheiro gay.
Passadas umas horas, bloqueou-me e eclipsou-se da face da terra, mesmo como um cavalheiro moderno não interessado faz.

E dei por mim novamente na cama, a ver a minha série, no dia a seguir a pensar em como seria agradável encontrar um moço na fila do supermercado que me convidasse para ir ao cinema, em vez de só apanhar estas histórias da carochinha, em que a carochinha sou eu e acabo sempre como a da imagem acima.

Agora deixo-vos a bola no campo - para não se queixarem que sou só eu a falar:
Qual foi o primeiro encontro mais constrangedor a que já foram na vida?

O daddy sem sugar

quinta-feira, 9 de abril de 2015


Então, a dada altura da minha vida, - não interessa quando - tive que satisfazer a minha curiosidade inata em dormir com um homem mais velho.

Motivado por aquele velho ditado, Panela velha faz boa sopa, e pelo facto de me apetecer uma boa sopa, lá fui eu explorando o desconhecido.
Não tenho que explicar a ANALogia pois não?

Chegados ao café a curiosidade mal disfarçada falou mais alto, e acabámos a estudar-nos mutuamente de alto a baixo.
Não era particularmente atraente - não que isso seja para mim fator determinante - tinha uns olhos muito bonitos, era baixo e tinha umas mãos enormes.
Se isto fossem as cinquenta sombras de grey ou outro qualquer livro erótico digno do título de mommy porn,  podia dizer que senti o seu olhar de desejo ardente, e formou-se entre nós uma silenciosa atração pulsante, que quase me fez rasgar as roupas na esplanada ensolarada e possuí-lo com paixão.

Mas não é, por isso digo, que o senhor foi extremamente... vocal sobre as suas preferências sexuais.
Acho que nunca na minha vida me tinha sentido tão constrangido como naquele momento em que naquele sotaque ferrenho de homem do norte me disse em voz bem alta.
Ah, eu gosto muito de ser passivo, adoro uma boa penetração, uma boa espada na cama, um homem que me coma e me deixe a pedir por mais. Claro, preciso de uns bons preliminares. de Beijar muito, de sentir contacto humano.
Isto em plena esplanada em hora de ponta com famílias inteiras a aproveitar o seu pastelinho de nata e galão com criançada, o cão o gato e o periquito.
Podia ter-me levantado, ter saído porta fora,
Podia ter apagado o contacto do senhor e não ter feito nada e fingido que nunca nada tinha acontecido, mas hey, já que ali estava deixava rolar.
Combinámos um encontro mais... intimo, durante a noite.

Podia armar-me em virgem ofendida e dizer que "aconteceu" e "não estava à espera" ou que foi um acaso" mas não tenho pudores em dizer que quando a lua me bate até a salsicha grelha.
Era esse o intuito e queríamos os dois o mesmo.

Okay pessoas, fica a dica universalmente transmissível:
Quando dizem a alguém, Ah e tal, eu gosto muito de beijar, é melhor que beijem bem.
Durante umas horas, suspeito que tenha estado aos beijos com um arraçado de vaca e piranha porque ora me passava a língua pela cara, ora me mordia com imensa força. tive que lhe dizer umas quantas vezes para parar, ou que lhe beijar o pescoço para disfarçadamente afastar a minha cara daquele filme de terror classe C que decorria nos andares de cima.
Se quiserem ler a cena de sexo, volto a redireccionar-vos para as 50 sombras de gray, ou um livro da harlequin, ou mommy porn num geral.
Terminado o kay kay, - que não foi absolutamente nada de especial- senti-me exatamente como da primeira vez que provei caviar.
Onde estava o orgasmo monumental?
E todos aqueles anos extra de experiência?
Ultrajante. vou ligar à DECO.

Convidou-me para ficar a dormir lá durante o fim de semana, e não queria de forma nenhuma que me fosse embora. Por uns momentos achei que fosse acabar na capa do correio da manhã, encontrado num barranco próximo, depois de uma "discussão gay".

Quando pensei que as coisas não podiam piorar, ele resolveu que queria uma sessão de cuddling.
Não me interpretem mal, eu sou adepto e praticante da arte do cuddling, mas geralmente não quando tenho um preservativo usado na mão, estou nu, e o meu parceiro resolve deitar-se em cima de mim a morder-me a cara e chamar me garanhão safado, enquanto na TVI passava um reality show rasca qualquer.
Quando me consegui safar, dizendo que tinha compromissos de manhã, consegui a proeza de arrancar o carro em terceira, e acelerar até ao horizonte, para nunca mais voltar.

No dia seguinte mandou-me mensagem.
Tinha gostado muito, estava dorido, queria repetir. mas não se lembrava do meu nome.