Mostrar mensagens com a etiqueta homens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta homens. Mostrar todas as mensagens

O Desportista

terça-feira, 24 de março de 2015



Aqui há umas semanas tomei a decisão maravilhosa de me inscrever no ginásio, depois de muito ponderar sobre o assunto, visto ter algum dinheirito extra para gastar este mês, e supostamente ser fit é sempre um bom investimento, or so they say.
Uns dois dias depois de tomar essa decisão, perdi os meus amigos óculos de vista, e fiquei a ver pior que uma coruja de dia.

O que levou a todo um realinhamento das minhas frágeis finanças, e um sentido Foda-se direccionado ao universo, que me priva constantemente do meu sixpack.


Desanimado e sem nada para fazer fui ao email, onde mais meia dúzia de mensagens do manhunt aguardavam ansiosamente para me afagar o ego.
Pelo mar de visitantes no perfil - que é uma coisa comum, não é só comigo - um rapaz em particular chamou-me a atenção.

No nickname lia-se "Desportista qualquer coisa", e dizia muito sucintamente:
"preciso de um amigo para treinos pela cidade. estou disponível durante as manhãs" 
Aqui o vosso tio patinhas de serviço , fez as contas e pensou:
"somos vizinhos. ele quer ir fazer jogging. Tenho companhia - porque todos os meus amigos são lontras sedentárias como eu, então não servem para estas coisas - , por isso não me aborreço passados dois dias, e ainda por cima é de graça"
como boa bicha crédula que sou, resolvi ignorar completamente o facto do anuncio ser feito num site de engates e ir meter conversa com o rapaz.
"Olha, quando falas em treino, falas em fazer jogging e assim né? também sou da zona onde tu moras, se quiseres podemos combinar um café e conhecer-nos e começar a fazer umas corridas juntos"
Trocámos contactos, trocámos mensagens, e em 5 minutos já me tinha confessado que nunca tinha feito jogging na vida, que era ativo, que não fazia sexo há meses, e que tinha um chupa chupa com recheio para mim - citando literalmente.

Frisei-lhe que não queria sexo, para não haver mal entendidos.
Acho que vou reformular a frase.
Não sou bicha crédula, sou bicha idiota mesmo.
E após um de conversa completamente banal , começou a chamar-me "amor" e "bebé", e a convidar-me para "jantarmos juntinhos" e irmos ao cinema, assim do nada porque é a coisa mais perfeitamente normal para se fazer quando acabas de conhecer alguém.
#Not

Perguntei-lhe o que queria, porque já não percebia nada no meio daqueles sinais mistos todos, e disse-me muito calmamente que queria sexo, um amigo e um namorado - não queremos todos?.
Tudo combinados no mesmo pacote, tipo a MEO, porque assim era mais giro.

Disse lhe para ir com calma, porque eu não queria nada disso, queria um amigo de treinos, afinal, era o que vinha na publicidade né, direito do consumidor e talz.

Fiquei com alguma pena e propus-lhe um café, depois de uma sessão interminável de drama shakespeariano:
Okay, vamos antes tomar um café, pronto, na pastelaria ás 9 e meia?
Na pastelaria? Não há nada menos cheio de gente?
... Então queres ir onde?
Oh, eu sou timido trazes o carro, e o pc, e vamos só os dois para um sitio isolado, ver um filminho.
Então como querias ir jantar comigo? os restaurantes estão cheios de pessoas.
Oh, mas é diferente.
Diferente como?
Aí estamos a comer, não falamos :S
Portanto... queres ir comigo para uma falésia ou assim ver um filme?... (ah, e não queres falar)
Yah
Não muito obrigado. passo a oferta.

Ofendeu-se, chamou-me parvo e insensível, disse-me que queria ser meu amigo, e que os amigos fazem essas coisas - se bem que até hoje nunca me tranquei no carro de nenhum amigo a ver um filme num lugar isolado à noite - , e meia hora depois, mandou-me uma mensagem a descrever-me a sua majestosa ereção.... suponho que seja o que os amigos fazem.

Ponto Negativo: Não tenho training buddy.
Ponto Positivo: gastei imensas calorias a imaginar que o rapaz era um serial killer que me queria matar na falésia e roubar o carro depois de me violar à bruta, mas como não fui, não morri.
Lição a Reter: Sites de engate provavelmente não são a melhor localização para se encontrar parceiro de exercício que não o horizontal.

O Rebound

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015



Seis da manhã.
Agosto.
O calor insuportável do Verão começava a fazer-se sentir enquanto o sol molengão se levantava com as empregadas domésticas e os pedreiros para ver o triste espetáculo.
Enquanto caminhava sem meias, com a camisa desabotoada e o cinto aberto, olhos vermelhos costas arranhadas e cabelo em pé, chegava lentamente a uma conclusão que até ao presente dia me acompanha, tatuada nos meus neurónios...

Mas antes disso, recuemos ao início, uma longa semana atrás quando as minhas ancas ainda não doíam e o meu cabelo não parecia arrancado de uma drag queen em quarta feira de cinzas, pós carnaval.

O amor é fogo que arde sem se ver.
Especialmente quando o amor decide acabar contigo por sms, como quem muda de canal de TV, com um só dedo e um sorriso na cara.

Hmmm... Agora que penso nisto, pode ter sido uma má descrição, mas hey, deal with it.

Depois de todo aquele drama muito típico da pobre bicha campónia e ingénua que pensa que cada cu que come é um potencial marido, sozinho no sofá, como aliás acabaram muitos dos meus assolapados romances (acho que é um padrão, vou anotar isto algures para quando inevitavelmente aterrar no divã de um terapeuta charmoso, for para a cama com ele, dar errado, e precisar mesmo de terapia a sério) cheguei à conclusão que chorar e deprimir não me ia servir de nada, desliguei o ipod com as baladas da minha Toni Braxton , levantei-me e fui para o quarto ver porno.

No dia seguinte, por obra e graça do Destino, ele apareceu.
E agora, para isto ser uma história romântica como deve ser, eu dir-vos-ia que as nossas mãos se tocaram enquanto lhe fazia o troco, e reparei num brilho especial no seu olhar, e todo eu fiz faísca.
... mas vocês não estão aqui para ler um romance como deve ser. vão ler a história de como a pipoca mais doce conheceu o marido, ou whatever.
Não lhe liguei particularmente.

Aliás, sendo perfeitamente honesto, nem reparei na sua existência, eram um grupo grande de férias, alguém me deu um número de telefone e disse "o meu amigo acha-te um gato, liga-lhe".
E eu liguei, super convencido que era o loirinho de olhos castanhos com covinhas que se riu para mim umas quantas vezes.
Podia não casar com ele, mas ao menos ficaria bem servido, afinal era só um rebound

Por isso não é de admirar que quando cheguei ao local do encontro e me saiu o amigo errado na rifa, me tenha agarrado à vodka como um evangélico se agarra à bíblia (e ao porno gay, dentro de casa, depois de ser "curado" pelo marco Feliciano) na esperança que também ela, me mostrasse a luz.
E a noite ficou rapidamente animada.
Ou eu fiquei assanhada.
O que interessa é que no fim de contas ele até nem era feio.
E depois de lhe ter rasgado a t-shirt - que era feia, sejamos honestos - e o ter empurrado para cima de um capot de um carro - e ter traumatizado ligeiramente os pobres dos héteros do grupo - era de prever o resultado deste maravilhoso primeiro encontro.
Resultado este que se concretizou umas mais tarde na cama da casa de férias durante umas boas horas, com direito a dentadas em sítios que não foram programados para serem mordidos, e posições acrobáticas que fariam muitas estrelas  do porno internacional ponderar sobre os seus dotes de carreira, e as suas vistas no acto do fazer o amor em geral.

Despedimo-nos ainda a guardar as cobras zarolhas nas jaulas de elastano, com beijos quentes e um até ás próximas férias, e dou por mim, no ponto de partida deste post, dorido satisfeito e ressacado,  quando recebo uma mensagem no telemóvel com um simples:
"A noite foi ótima, amo-te"
Assim, dito a cru, por alguém que tinha acabado de conhecer na noite anterior, e que se desenrolou num thriller psicológico digno de Óscar, mas isso fica para outra altura, se quiserem saber, e se não quiserem saber ficam a saber na mesma porque me pode apetecer e isto é uma blogoditadura.

E assim chego à tão aguardada  conclusão :
Vodka é a pior conselheira sentimental de todos os tempos.

O Complicado

domingo, 1 de fevereiro de 2015


Todos nós queremos a mesma coisa.
O grande A. 
L'amour, 
As borboletas no estômago.
Aquela felicidade parva que vem de dentro quando pensas na pessoa, sem grande motivação inerente, aquele conforto de sabermos que afinal, até não estamos sozinhos no mundo.
Porque amigos é muito bonito, é maravilhoso e o diabo aos quatro, mas não é a mesma coisa

E às vezes, acho que passo a sensação de omnisciência. mas eu não sei tudo.
Muito menos sobre estas coisas. Estou tão ou mais perdido que qualquer um de vocês que me leêm.

Apenas sei que isto vai muito por tentativa e erro, e eu tenho tentado e errado bastante - não tenho grandes problemas em admiti-lo - porque os sentimentos são um bocado como um móvel do IKEA. 
Pode parecer muito simples, e até é relativamente simples, mas sem livro de instruções, dá sempre em cagada monumental, e nalguns dedos martelados.

E com esta piquena introdução, vou quebrar a única regra que criei para mim mesmo quando fiz este blog. Nunca falar de uma situação ainda por resolver.

Conhecemos-nos há 3 meses e desde então temos estado algures numa relação.
A típica pergunta "Então, e quando oficializam? Quando passam a namorados?" desmultiplicou-se pelas bocas dos meus amigos.
E ficavam espantadíssimos quando eu dizia "Ainda é muito cedo. estou a palpar terreno. Quero conhecê-lo antes de me atirar de cabeça." Era como se estivesse a falar mandarim subitamente.
O erro maior em que as pessoas caem, é pensarem que isto é tudo automático.Que conheces um gajo, trocam algumas conversas melosas, e BAM vamos cavalgar para o horizonte num cavalo branco a ouvir paula fernandes como música de fundo viver felizes para sempre com 5 filhos adotados de países de terceiro mundo, qual Brangelina.
Envolvemo-nos.
Perdi-me na aventura que é conhecer outra pessoa, com esperanças de algo bom.
adaptei me às diferenças, e aceitei as pequenas dificuldades.
Porque elas estão lá.
E comecei a ceder.
E aqui poderíamos entrar numa ladainha, mas a verdade é que se queres que a tua relação dê certo, tens que saber ceder. Porque é uma relação, Não uma batalha de egos,
Há duas pessoas envolvidas, com necessidades e individualidade, e tem que se encontrar um meio termo.
Não é saudável nem credível que uma relação exista só em volta de uma das metades.
E quando comecei a senti-lo diferente, resolvi ignorar a intuição e tentar.
Porque o maior erro que vejo por aí, são pessoas que se queixam de estar sozinhas, mas não se esforçam minimamente por que a relação funcione. Um extremo my way or no way.
Por isso, não me importava quando ele remarcava, porque tinha planos com amigos. Afinal eles estavam lá antes de mim. e não sou propriamente controlador.
E pus o ego de lado, quando inventava desculpas para não estar comigo, e depois ia sair.
E continuei a ceder,e a aceitar claras demonstrações de indiferença, até culminarmos num ponto de não nos vermos há uma semana - trabalho e localidades diferentes pelo meio - , encontrarmos-nos num bar e ele mal me falar, porque "Estava com amigos e não me podia dar atenção".

E aqui dei por mim a por um travão e pensar:
"Mas que merda é que tu estás a fazer Miguel?"

E até agora não sei bem o que faça. Porque a resposta é dolorosamente óbvia, mas eu contiuo a gostar dele no fim de contas.

E sim, é preciso trabalhar numa relação,
Sim, é preciso ceder.
Sim, é preciso aceitar a diferença.
Sim é preciso ter paciência.
Mas e quando não é reciproco?
Vale a pena pôr em causa o nosso amor próprio e felicidade?
Tudo vale a pena para não ficarmos sozinhos?

Digam-me vocês.

O invisível

domingo, 25 de janeiro de 2015


Depois de algumas primeiras experiências atribuladas pelo manhunt, modifiquei ligeiramente os meus critérios para escolher um gajo online - aliás, foi daí que surgiu o meu guia prático.
Nada de fotografias de rabos -  davam sempre em merda, ironicamente - ou de abdominais.
Vai aos que têm cara - disse eu - são provavelmente os mais normais- disse eu.

Essa teoria provou-se rapidamente um fracasso, mas adiante.
Numa das minhas incursões, pela caixa de entrada, recebi uma mensagem de um rapaz.

Lá fui eu espreitar o perfil, e aterrei num daqueles perfis com frases diretamente mugidas de um romance do Nicholas Sparks, "Procuro alguém que me encontre" e outras que tais bem bregas típicas de quem tem fome mas não come, e pensa que virou poeta no período celibatário - vocês sabem o tipo.
Embora a minha intuição apitasse mais que uma estação espacial em momento de colisão com um asteróides, resolvi ignorar e aceder. afinal,mal por mal era só um café, e na altura de seca em que o meu terreno se encontrava, até mijo era água.

"Queres combinar um café? o meu numero é o tal tal tal"
Trocámos contactos, e  começámos a falar, ora por telefone, ora pelo skype.
Era razoavelmente simpático embora não tivesse muito conversa mas não me parecia mau rapaz.
Até começarmos a falar no bendito café.
Nunca quis que eu fosse ter com ele, nem me quis dizer as folgas.
Tinha basicamente que ficar sentadinho à espera que ele arranjasse tempo para tomar um café, uma coisa de uma ou duas horas numa tarde qualquer, que até foi ele quem quis combinar.


E andámos no jogo do empurra durante aproximadamente duas semanas.
Sempre que queria combinar, levava com um :
"Não dá, tenho a agenda muito preenchida", cheio de desculpas que era do trabalho da prima, da avó, da periquita inflamada, you name it.
Comecei a ponderar se não estaria a combinar café com um espião internacional ou um primeiro ministro de um país qualquer na Europa de Leste.

Quando perdi o interesse e deixei de lhe responder, ligou-me, às duas e meia da manhã , acabado de sair do trabalho- se calhar até era stripper - e ficou aproximadamente uma hora e meia a queixar-se da vida, e do poder de compra em Portugal, e de política.
às duas e meia da manhã, quando eu já estava deitado e meio a ressonar por entre as conversas.

Disse-me que tinha uma voz sexy - O que é totalmente verdade - , pediu desculpa pela demora do café, e combina para sábado.
Ficou combinado, eu virei me para o lado e continuei a dormir de forma sensual e irreverente - para combinar com a voz, né.
Os dias foram passando e chegada a sexta feira, ele não me tinha dito nada. radio silent, se calhar até tinha morrido numa explosão, sei lá, vida de espião deve ser complicada.
O sábado veio e foi, ainda lhe perguntei se tinha morrido ou assim, mas não me chegou a responder.
Passadas duas semanas, Eliminei-o de todas as redes sociais e mandei lhe uma mensagem, toda ela muito "devias ir para uma escola de etiqueta, para aprenderes a cancelar encontros, pede aulas à Paula Bobone, espero que sejas muito feliz e apanhes herpes no rabo"

mas cheia de classe - e sem a parte do herpes no rabo, que honestamente só me ocorreu agora, milénios depois.
Fui à minha vida, e nunca pensei mais nisso.
Ontem - meses depois do ocorrido - entro no skype, e vejo que o rapaz me veio pedir para o adicionar novamente aos contactos.

E vocês, Alguma situação bizarra que envolva um site de encontros?
Spill the beans!

PS:Eu TINHA que usar esta música algures.

Verdade universal

domingo, 4 de janeiro de 2015

Quando estamos interessados, e vemos todo um amontoado de gostosura cada vez que a nossa retina capta a personagem:

Quando passa e vemos aquele bofe escandalo pelo que é, só escandalo...samente brega:

Quando percebemos do que nos livrámos:

O "discreto"

quinta-feira, 27 de novembro de 2014



Já há imenso tempo que não falava de nenhuma das minhas desventuras romanticosexuais, por isso preparem-se para mais um capítulo:

Conhecemo-nos e trocámos contactos.
Disse-me que não era assumido, que era "discreto", e nem me interessou particularmente.
É uma coisa muito pessoal, não é factor condicionante para mim.
Era super reservado, misterioso.
Vocês sabem o tipo, quanto menos vos diz mais vocês querem saber .

Todo este mistério, e o facto de ele estar muito interessado em mim, só me chamava mais a atenção.
Falávamos regularmente, mensagens, telefonemas a altas horas da noite e volta e meia uma videochamada. Todos regados com toda aquela tensão sexual muito típica de engate recente, com jorros de elogios e muitas falinhas mansas (oh, como eu adoro falinhas mansas).
Combinámos um encontro, queria mostrar-me as estrelas e passear comigo de mãos dadas á beira mar.
E sim, eu sei que é a linha de engate foleiro mais velha da história da humanidade, e que ninguém cai nestas coisas, mas eu fico automaticamente encantado com romantismo barato, portanto, lá fomos ver as estrelas.

Conversámos um bocado, e acabámos, com a maresia a bater-nos no cabelo, a lua cheia a iluminar a paisagem e a... Ahm... ver as estrelas... no capô do carro dele.
(E foi ótimo, nem me arrependi particularmente, se quisesse ser celibatário ia pra Padre)
Quando efetivamente ficámos a ver as estrelas abraçados, falámos de várias coisas.

Lembro-me de lhe ter dito meio a brincar, que a primeira coisa que fiz quando o vi, foi reparar se tinha aliança, porque não queria um caso.
Apressou-se a descansar-me, a dizer que não tinha ninguém, e ficou meio envergonhado, e mudou o assunto, mas não liguei.

Findo o "encontro" desapareceu do mapa.
Fiquei ligeiramente desapontado - Não estava á procura de nada particularmente sério nem me pus imediatamente com fantasias de ter arranjado um namorado instantâneo, mas não deixa de ser chato né - mas não morri com isso. passaram-se uns dias e ele reapareceu das cinzas, todo entusiasmado, cheio de saudades, e com uma conversa da tanga de que não tinha tido tempo nem tinha recebido as minhas mensagens.


Voltámos a combinar outro encontro, desta vez, na zona onde ele morava, porque me disse entusiasmado, que tinha sítio onde ficarmos - e convenhamos que por mais excitante que seja, fazer sexo no carro cansa um bocado - e que podíamos ir passear, que estava com saudades minhas e queria muito estar comigo.

E lá me meti no carro para ir ter com ele, com a minha infalível - e sempre ignorada nestas situações - intuição a apitar que tresandava a má ideia, mas o coração a dizer "pára de seres desconfiado Miguel, ele até é um gajo porreiro" e o corpo a dizer "Ahm, aproveita, uma queca é uma queca"

Pus-me no carro e fui rumo á aventura, como aliás gosto de fazer.
Liguei o GPS para encontrar o sítio combinado, e alguma força divina fez o GPS indicar-me o caminho errado por 3 vezes.

Quando o parei para confirmar o local, a bateria morreu completamente e o carro não pegava por nada deste mundo.
Fiquei sozinho à beira da estrada deserta no meio da noite sem conhecer o local onde estava,e acabei por lhe pedir para me vir buscar.

E a partir daqui começou tudo a descambar.

Cumprimentou-me com um passou-bem, e prometeu que depois me ajudava com o carro, deu-me boleia para "o sítio" que era uma arrecadação na casa de não sei quem, porque "tinha gente em casa".
Acabámos por não ir dar o tal passeio porque "tinha que ir para casa".

E por muito crédulo que eu seja, sejamos honestos, por esta altura eu já estava a achar tudo muito mal contado, mas não me podia queixar muito, porque hm, estava sem carro e não me parecia boa estratégia ficar no meio de nenhures depois de pedir satisfações.
Vou ligar ao meu irmão, ele tem uns cabos de bateria, peço lhos emprestados.
E deixou-me dentro do carro, enquanto ligava ao irmão.
Feliz ou infelizmente, a conversa ouvia-se toda mesmo com a porta fechada, e eu, como bom curioso que sou, ouvi.
"Oh, é que eu preciso dos cabos, é a tua mãe que os tem?(...)"
Hmm... talvez sejam meio irmãos, é completamente possível.

"(...)Okay amor, mas vai dormindo que como te tinha dito, hoje tinha aqui coisas para fazer(...)"
... amor? Ehr... se calhar são mesmo muito próximos?
"(...)Okay, quando chegar, se não estiveres acordada, eu acordo-te como tu gostas"
... acordada?
...se calhar é transexual?
... mas ...como tu gostas? Hmm....


Eventualmente deixei de ouvir a conversa porque comecei a fazer conjeturas para justificar aquilo, porque tinha que ser tudo uma coincidência.
É isso, eu percebi tudo mal, pelo amor de Deus, silly me.

Lá conseguiu os cabos, que estavam com a tal senhora, que lhe ligou de seguida, e mesmo que ele apressadamente desligasse o telemóvel, não deixei de ver no ecrã do telemóvel SOGRA em letras bem gordas.

Resolvi fingir que não percebi nada.
Afinal, a minha poker face é bastante boa, e honestamente não achei que valesse a pena o drama, se já me tinha mentido até então, não ia subitamente ganhar uma consciência e pedir-me desculpa.

Quando nos despedimos, deu-me novamente um passou-bem, e eclipsou-se mais uma vez do mapa, enquanto eu pensava na ironia, de ter sido a sogra do meu encontro a ajudar o meu carro a arrancar de empurrão quando ele de empurrão comigo umas horinhas antes.



Mandou-me ontem mensagem, a perguntar se queria ir ver as estrelas com ele.
Não sei se convido a namorada ou a sogra, para assistir.

os gays também têm namoradas

domingo, 14 de setembro de 2014



Ora, algures no auge da minha fase bissexual - Oh, sim, eu fui "bissexual" um tempinho, quando percebi que definitivamente não era hétero, e que ser gay dava muito trabalho - apaixonei-me pela primeira vez por um rapaz.

E não foi daquelas paixonites ambíguas que pipocavam constantemente na minha vida - e que eu categorizava sempre de forma inevitável como uma "grande amizade", mesmo que durassem só umas semanitas, e tivessem direito a sonhos eróticos bastante bregas pelo meio - Não.
Teve direito a borboletas no estômago e todas aquelas mariquices muito típicas de primeiro amor.

Seria uma história linear, se o rapaz também não estivesse no armário - acho que o termo que se usa agora é g0y, modernices - e não quisesse pôr a sequer ponderar a hipótese de pôr um pé (ou uma mão, uma mãozinha faz toda a diferença, if you know what I mean) de fora.

Então, como boa bicha enrustida  e amargurada que era na altura, tomei a atitude mais lógica e racional possível para apaziguar o problema do coração partido:

Descobri a rapariguita mais desenxabida e sem graça da faculdade, dei-lhe uns bons dedos de conversa, pedi-a em namoro e ela aceitou.

Afinal, era natural, sendo eu "bissexual".
Aliás, havia aquele resquício de esperança de ser tudo uma fase, e acabar com uma ninhada de filhos numa casa num condomínio na Saldanha.

E aqui começou a minha curta incursão pelo mundo da heterossexualidade...

... que durou pouco menos de um mês, e percebi que não ia dar em nada porque por mais que me esforçasse, não deixava de pensar em rapazes, e a partir do segundo em que perdeu a novidade, o sexo era uma espécie de suplício, (não sou daqueles gays que encara uma vagina como um kraken desgovernado capaz de destruir continentes com o seu poder de sucção, mas não era propriamente uma ideia que me agradasse muito) e isso por si só já diz muito.

Admito que até hoje sinto um bocadinho de remorsos com tudo isto, mas hey, estava na altura da experimentação, e não nos casámos em Las Vegas, foi uma coisa ligeirinha, dentro dos possíveis.

Quando cheguei à conclusão que não havia volta a dar à coisa, levei-a a tomar um cafezinho, sentei-a numa esplanada e terminei tudo com ela, porque... Bem é óbvio porquê né.

E houve direito a todo um drama interminável e a tentativas de reconciliação - quando na verdade eu não estava zangado e isto não era o fim do casamento de dez anos - , e quando lhe disse que não estava mesmo interessado, passei subitamente a ser a bicha manipuladora que magicamente a convenceu a enrolar-se comigo, mesmo depois de ouvir milhões de vezes "Hm, querida, sabes, acho que o teu namorado é gay". 

Porque nestas histórias, a culpa é sempre toda do gajo.

O Flirt

quinta-feira, 21 de agosto de 2014



A noite estava quente e a rua cheia de turistas convidava o olhar inquieto.
Sentámo-nos numa esplanada a beber uma imperial e a deitar conversa fora, mas das 5 pessoas ali sentadas, eu era o único com o telemóvel no bolso.

Os ecrãs tremeluziam com imagens de homens em tronco nu à procura de engate e notificações de amigos no facebook, enquanto eu bebia cerveja como se não houvesse amanhã.

Eventualmente comecei a sentir-me constrangido por não estar também no grindr e acabei por pegar também no meu, qual social smoking do século XXI, só para não ser aquele esquisitóide que queria... conversar.

Ficámos assim uns vinte minutos, naquela meia conversa morna com os ocasionais olhares fugazes para fora do ecrã, e quando me decidi a ficar mais uns minutos para sair sorrateiramente desculpando-me com o trabalho, ele apareceu.

Vi-o pelo canto do olho, alto e loiro, bem vestido e mais velho.
Quando se aproximou da nossa mesa,  a minha vontade de ir embora desapareceu num flash. Cumprimentou-nos casualmente e sentou-se perto de mim, perto o suficiente para conseguir cheirar-lhe a colónia.

Talvez fosse a colónia.
Talvez fosse a lua cheia.
Talvez fosse o sotaque britânico - disse-me que é de Nothingham.
Não sei especificar, só sei que não consegui disfarçar a atração... nem o quis fazer.

Por esta altura, devo frisar que eu não queria começar nada.
Não queria ser aquele atiradiço que se joga ao primeiro par de calças que encontra.
A sério que não queria. 

Mas ele fez um comentário, e não resisti a responder de forma provocante.

E ele achou piada.

E passámos a noite toda a jogar conversa fora e a trocar provocações.
"És bonito, já te disseram que pareces o Clark kent"
"Por acaso já"
"Mais uma cerveja? pago eu"
"Não posso, vou conduzir, é melhor não"
"Oh, mas não consegues voar clark?"
"Esqueci-me da capa em casa"
"Hm, é pena, podíamos voar os dois"
Acabámos por ir dançar sempre naquela atmosfera de flirt muito presente, corpos a roçar, segredos ao ouvido e mãos marotas pelo meio, e as horas passaram a correr.

Despedimo-nos com um abraço apertado - mais uma desculpa para me agarrar, I guess - e ainda não o voltei a ver até hoje, não descortinei sei se foi um ponto final ou apenas umas reticências.

Talvez tenha sido  divertido porque estávamos a jogar um jogo.
Talvez tenha sido divertido porque foi uma massagem ao ego ter um homem bonito interessado em mim.

A única certeza com que fiquei, foi que os homens a sério não estão dentro do telemóvel ou atrás do ecrã.

Silhuetas

quinta-feira, 19 de junho de 2014


É o melhor momento do dia, quando a luz entra fraca pelos estores semicerrados, e deixa que nos vejamos só por contornos. Não nos resta outra opção senão aproveitar aquelas horas de lusco fusco para ficar na ronha aos beijos na cama.

O Assanhado

sexta-feira, 18 de abril de 2014



Como já aqui referi, trabalhei uns tempos num supermercado, e lidava constantemente com o publico.
Começou tudo num dos picos de atividade turística aqui da zona.

Não me lembro especificamente de quando foi, mas vou arriscar e dizer que foi numa Páscoa.
No meio de imensos clientes, passou um rapaz girito pela minha caixa - nem lhe prestei grande atenção, as filas eram intermináveis, e o patrão queria que 3 empregados fizessem o trabalho de 8, por isso era um vê-se-te-avias completo - e eu fiz uma piada qualquer e ajudei-o a colocar as compras no saco, enquanto ele pagava pelo multibanco.

E aqui vamos esclarecer que eu nunca dei esperanças ao moço, isto não é um daqueles casos de mãozinha a roçar, música romântica e tal.
Sempre fui bastante simpático com as pessoas num geral, e com os clientes em particular - ainda hoje tenho velhotas minhas antigas que me vêm na rua e vem dar dois beijinhos, só porque falava cordialmente com elas - limitei-me a atendê-lo bem.

O rapaz foi-se embora e eu fiquei a atender outras pessoas sem ligar muito ao assunto.
No dia seguinte, quase na minha hora de sair, o mesmo rapaz volta à minha caixa, muito simpático e tal, a tentar dar conversa, quando o que eu queria era sair daquele inferno consumista e ir para casa.

E lentamente, começou a tornar-se rotina quase diária, o dito rapaz - que até eu com o meu gaydar avariado conseguia detetar a milhas - vir ao supermercado, e esperar religiosamente na minha fila, por maior que estivesse, muitas vezes só para comprar um pacotinho de pastilhas, uns lenços ou um chocolate.

Para vos contextualizar, tenho de admitir que eu tenho um grande problema.
Demoro milénios a perceber quando alguém está interessado em mim.Não é por mal, mas se não estou interessado, podem ter uma seta de neon no rabo a dizer "parking disponível" que eu não vou reparar.

E isto não dá jeito nenhum, porque se fosse mais perspicaz nessas artes da rejeição, talvez tivesse evitado esta e outras situações constrangedoras.
Adiante

Se durante umas semanas, eu deixei passar completamente ao lado, a dada altura, começou a tornar-se dolorosamente óbvio que o rapaz estava interessado em mim, tendo em conta que entrava supermercado adentro e ia à procura de mim com a maior cara possível de "põe-me no espeto e chama-me rodízio".

Chegámos ao ponto em que algumas das minhas colegas de trabalho - e os seguranças - já reparavam e comentavam.
Quando me via na rua, seguia-me a uma "distância segura" e fazia adeus, e o que para muitos poderia ser um boost de auto estima, para mim tornou-se uma história de terror rasca.

Começou a tornar-se incómodo, ao ponto de ter deixado de ir ao Mc Donalds - onde ele trabalhava - com medo de o encontrar.

Um dia qualquer, já findas algumas semanas com a loja mais vazia que o costume, entra o rapaz, disparado, e nem se dá ao trabalho de ir aos corredores buscar qualquer coisa simbólica como de costume, vai á minha caixa, aproxima-se de mim, dá me um papel e diz "liga-me", pisca o olho e vai-se embora.

E eu, que não estava minimamente interessado... deitei fora o papelinho e não lhe liguei.
E ele voltou a ir lá e a dar-me outro papelinho.
E outro.
E outro.
E eu posso não ser pró nestas coisas da rejeição, mas acho que não há forma mais diplomática de dar um pé na bunda de alguém que este. Se houver, avisem-me.

Um dia qualquer, vai lá com um amigo, e eu a rezar para que ele não me reconhecesse - por milagre - , ou para haver um sismo que engolisse a minha caixa para as profundezas do inferno, e ao dar-lhe o talão, a seguinte conversa desenrolou-se toda num tom imensamente flirty.
Ah, e no talão não vem o número de telefone do Miguel?
... Não.
De certeza?
Sim, de certeza
Oh, porquê?
Porque o Miguel não está interessado, caso não seja óbvio.
Ai nossa, que bruto, *risos*
Passados uns dias, veio, com dois amigos, à minha caixa - surprise surprise - comprar preservativos - como se a situação não fosse já constrangedora suficiente -, pagam a conta, e qual flashmob de badalhoquice, começam aos beijos de língua os três, tipo isto:

E ficam nisto uns 10 minutos, com direito a gemidos, mãos nas calças etc etc.
Acabam o serviço, o rapaz olha para mim, pisca-me o olho com um sorriso estilo "vês o que perdeste?" e vai-se embora, deixando-me com a maior cara de tacho de sempre, e com uma fila enorme de clientes á procura das câmaras dos apanhados.

E foi a última vez que o vi.
Fiquei a saber uns tempos depois, que antes de mim, se tinha feito hardcore a um dos seguranças, e a um rapaz do talho.
E até hoje penso agradeço à minha intuição que até foi amiga.

Já agora deixo a pergunta:
Qual foi o caso mais engraçado de interesse não reciproco que já vos aconteceu?
E como lidaram com ele?

O cibernauta

segunda-feira, 24 de março de 2014



Conhecemo-nos aqui nos blogues.
Não foi nada especificamente romântico, nem fui com ideias disso.

Ele estava com males do coração e eu a dada altura ofereci-me para ser confidente, porque sei lá, me identifiquei com algumas coisas que se tinham passado com ele, e não digo que não a uma boa conversa, e a verdade é que tenho grandes e bons amigos que já fiz via internet há anos.

Começámos a falar casualmente, sobre tudo um pouco, desde relacionamentos passados até problemas familiares, e gostei.
Gostei daquela ilusão de o estar conhecer.

As conversas escalaram de intensidade rapidamente, e em vez de serem umas horinhas ao dia, passaram a ser basicamente sempre que ele estava fora do trabalho ou das aulas, quando lhe apetecia, falávamos, e queria saber quando eu ia dormir e estava acordado.
Estava carente.
E eu também, logo não me pareceu nada desconfortável.
Em retrospectiva, talvez devesse.

A dada altura, ele fez-me o convite, para ir passar um fim de semana a casa dele em Lisboa. "Vamo-nos divertir imenso, e vamos ao cinema X, e vamos sair com A B e C e mostro-te Y e W e Z".

Ainda estive reticente por uns dias, mas lá acabei por comprar o bilhete.
Afinal um passeio é um passeio, e só ainda não tinha ido passear a Lisboa mais cedo por não ter onde ficar.De caminho conhecia-o, e o resto... logo se via, era um acréscimo.

Lá me meti num autocarro e fiz a viagem, e a partir daqui, começou uma daquelas comédias românticas ao estilo do Woody Allen(daquelas que deviam ser românticas mas nunca são?).

Chegou vindo do trabalho, e levou-me para o metro.
 Tudo muito formal e muito... coisinho, aperto de mão, "desculpa a demora atrasei-me" e por aí.
Não estava á espera de um mar de elogios, mas a primeira frase que recebi concretamente direccionada a mim foi "essas sapatilhas são horríveis".
Resolvi levar na desportiva e rir com o assunto. afinal estava podre da viagem, queria era sentar-me algures e descansar.

Pela viagem até casa dele, mal me dirigiu a palavra. mandou-me uma sms a dizer que falávamos em casa, que não se sentia á vontade no metro.
"Okay, se calhar é muito tímido".

Chegados a casa, poisei as minhas malas, e lá me convenceu a mudar de sapatilhas. (suspeito que as minhas all stars vermelhas lhe faziam urticaria).
Resolvi continuar a levar tudo na desportiva, como já devem ter percebido, não tenho paciência para me chatear com coisas mínimas sinceramente.

Comemos qualquer coisa, e fomos tomar um café, com a colega de quarto dele - que é imensamente amorosa e me lembra uma grande amiga minha - sempre com aquela sensação estranha de estar no sítio errado à hora errada.

O tempo estava tão bom como aquele desastroso primeiro encontro, e eventualmente apanhámos uma chuvada enorme no caminho de volta para casa.
E o dia passou-se todo, e ele mal me dirigiu a palavra.

Okay, frisemos, não estava á espera de nenhum romance da harlequin, sou bastante razoável e realista, mas fazer três horas de viagem para depois chegar ali e falar o dia todo com a colega de quarto do teu encontro, não é propriamente a fantasia erótica de nenhum homem -gay hetero bi ou tri.

Fizemos o jantar -Okay, tecnicamente fui mais eu, mas estava desesperado por fazer qualquer coisa para me ocupar, então até nem foi grande sacrifício - e depois jogámos ás cartas, sempre com aquela conversa morna, contida, e sempre com a desgraçada da rapariga como elo de ligação.

Já a madrugada vinha a chegar e fomos ver um filme.

Os três.

A dada altura comecei a ponderar se a ideia era fazermos alguma espécie de menage a trois os três, e eu não tinha recebido o memo.

Sentámo-nos - os 3 - e ele ficou bem ao meu lado.
Já passava da meia noite, e sinceramente já não estava muito bem a perceber como haveria de reagir na presença dele, afinal mesmo depois de lhe tocar duas ou três vezes na perna, recebi a mesma resposta que receberia se estivesse sentado ao lado dum cadáver.

Pára-se o filme a meio, e vão os dois conferenciar não sei pra onde.

E à uma e tal da manhã, lá me disse, pelo meio de muita conversa politicamente correta, que não estava interessado(O que honestamente, não se afigurou como grande surpresa pelo andar que a coisa levava.) e que não sentiu o clique, e que fez muitos planos na cabeça dele e depois não foi como ele queria.
Que me podia compensar, sei lá , pagar-me a viagem, e ir-me levar ao metro.

E levei na desportiva. afinal, não assinámos nenhum contrato, e não nos conhecíamos há tempo suficiente para me devastar a auto estima com uma tampa -quantas vezes já me tinha jogado da ponte se fosse assim tão fácil?  - Falei com dois ou três amigos nas "redondezas" para arranjar onde ficar - que arranjei, já agora - porque não era um encontro fracassado que me ia lixar os planos.
não mesmo.

Fiquei a dormir na cama dele, e ele foi dormir com a colega (surprise).

No dia seguinte, depois do pequeno almoço, deu-lhe a pressa.
Aquela conversa toda muito bonita dos elogios por piedade e nhenhenhe foi-se com os porcos e queria-me fora dali cedo cedinho.

Tinha que ir estudar, e não podia ficar o dia todo á minha espera para se despachar - mesmo depois de eu lhe dizer que não me tinha que ir levar a sitio nenhum, e que estava à espera de confirmação de outro lado (porque as outras pessoas também têm uma vida delas né).
Afinal, tinha um dia atarefado pela frente. (Isto depois de escolher especificamente aquela data por não ter o que fazer de muito urgente, acho que pensou que deixei o cérebro em casa antes da viagem.)


Fiz a minha malinha, meti-me no metro e fui à minha vidinha.
Mandei uma mensagem a agradecer as direções, e a dizer que gostei muito de conhecer a colega de quarto, ao que recebi uma linda mensagem toda muito "trabalhada na elegância".
"(...) Desculpa a má onda, sei que és um ser humano e não te tratei com o máximo de respeito que pensei. (...) Espero que tenhas sorte na vida(...) "

E percebi, que ele fez confusão, afinal é perfeitamente natural.
É que ele pensou que eu era uma camisola, que vês online, gostas da cor da foto, e o modelo até parece interessante, mas depois ao vivo não te serve ou não é da mesma cor.
E depois queres te é livrar daquilo, pagar os portes e devolver à loja.

E eu nem ia falar disto aqui provavelmente tão cedo, até reparar quando cheguei a casa, depois do melhor fim de semana de há um bom tempo, bem longe da capital, que o moço foi a correr apagar-me dos migufos do facebook.

Acho que estava com medo que lhe fosse pedir o dinheiro da viagem.


Se voltava a repetir?
Voltava. 
Ir à aventura sempre foi "a minha coisa", e sem arriscar não há piada.
Verdade seja dita, mal ou bem, ao menos passeei - até já sei ir a um continente na capital, hein! - e se não fosse este desastroso primeiro encontro, não tinha aterrado em Tomar.

"E a compensação?"  Perguntam-me vocês
Olha fica-se por este post aqui no blog.
Sai-lhe mais em conta e tudo.

A voz dele deixa-me feliz.
Não sei até que ponto isto é bom ou mau, mas é verdade.

O "hétero"

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014


Não estava a pensar falar sobre isto tão cedo, mas quando dei por ela já tinha vomitado tudo, e ainda fiquei um bom bocado a olhar pro texto e a pensar se publicava ou não, olhem desculpem lá qualquer coisinha.

Ler Post Completo

Não gosto deles grandes

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014



Aqui há uns tempos, entrou um rapaz na empresa onde eu trabalhava.
Foi numa das minhas semanas de férias, por isso não soube de nada, até voltar de férias, e andarem as minhas colegas todas com a patareca aos saltos a falar do moço. Aparentemente era surfista.

Não sei onde desencantaram a peça, mas parecia arrancado dum anúncio de roupa interior.
Pele morena olhos castanhos, lábios voluptuosos, e um derrière que pareciam dois pêssegos maduros.
O cacifo dele era colado ao meu, e acabávamos por ficar sozinhos de vez em quando nos balneários (só Deus nosso senhor sabe as vezes que me atrasei a entrar só pra ficar a apreciar).

Para ajudar á festa, vim a saber mais tarde que o moço era gay.
Escusado será dizer que andei obcecado semanas, embora nunca chegássemos a trocar mais que duas ou três frases, por termos horários completamente incompatíveis.

Eventualmente, foi transferido para o meu turno, e lá fui eu, qual fã do justin bieber em véspera de concerto, meter conversa com ele, e bastaram 3 minutos de conversa, para o meu interesse murchar mais depressa que soufflé tirado do forno antes do tempo.

Falou-me de como fazia tatuagens nos tempos livres, e de como estava farto de aturar gente burra e feia, e toda a conversa resumiu-se a um oceano de "eu"s com muita adjectivação pelo meio.

Falámos mais algumas vezes, e continuei a apreciar a paisagem, mas com a noção que não passava disso mesmo.
Num homem, o tamanho importa sim, o do ego.

O casado

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014


Começou a ir ao meu - antigo- posto de trabalho uma certa tarde de Verão, e subitamente tornou-se cliente regular. Nem lhe atribuí grande importância, o que mais por aí há, são clientes num supermercado.
Metia constantemente conversa , sempre muito simpático e atencioso, um sorriso que começava nos lábios e acabava naqueles olhos enormes pretos e misteriosos que não se descolavam de mim desde que entrava até sair.

Despertou-me o interesse - afinal quem é que não gosta de um bom flirt? - e dei por mim a ajeitar a gravata cada vez que o via entrar, e a ficar melhor disposto depois de o atender.

Passado um mês de "corte", e de já nos tratarmos pelo primeiro nome, adicionou-me no facebook. Uns dias depois, passadas algumas horas a cuscar-lhe as fotos - todas muito family friendly com amiguinhos e tios e primos, cão gato e periquito -acabei por criar coragem e meter conversa.
Trocámos números de telefone, e convidou-me para ir tomar um copo com uns amigos dele.
Ainda me tentei fazer de difícil... mas sejamos honestos por essa altura já não havia grande volta a dar.

Cheguei ao barzinho, e passado 5 minutos estava completamente à vontade com o pequeno grupo, como se nos conhecessemos hà imenso tempo.
As mãos dele não paravam de me passear pelas calças  - o que tornava extremamente dificil manter concentração na conversa com os amigos - e depois de me pagar 2 bebidas (ou foram 5? já não me lembro)acabámos por ir dar uma volta.

Lembro-me de um dos amigos dele quando se despediu de nós, lhe dizer entredentes "não faças nada de que depois te arrependas", o que só mais tarde fez todo o sentido.

Fomos passear para a praia - vantagens de viver à beira mar no Verão - e acabámos aos beijos numas cadeiras de praia, tudo muito digno de algum enredo romântico de novela das 8.
E estava a ir tudo ás mil maravilhas, até àquele milésimo de segundo, em que, já com a mão bem dentro das minhas calças sussurrou "Não devia estar a fazer isto, sou um gajo comprometido"
(O que demorou um bocado a processar por causa da vodka)



As minhas pernas fecharam-se mais rápido que uma armadilha de caça enquanto me compunha e dava a noite por terminada ali.
Seguiu-se depois disso a mais constrangedora viagem de carro até porta de minha casa, seguida de um passoubem e um txauzinho.

No dia a seguir mandou-me uma mensagem, a dizer que estava bastante alcoolizado, e que foi tudo um grande mal entendido. Sim, aparentemente, "esqueceu-se" de comentar que vive com o namorado não sei  bem onde (nem me interessava particularmente na altura), coisinha insignificante, né?

Ainda passa por mim de vez em quando e faz adeus, com o mesmo sorriso simpático e a maior cara de pau do planeta, e quem não sabe do sucedido pergunta-me porque é que sou "tão antipático com o rapaz".

Afinal, estas coisas não acontecem só no cinema.