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O ex nostálgico

quinta-feira, 5 de maio de 2016



Como tantas outras histórias de "amor" entre dois rapazes, começámos no manhunt...
Ou foi no Grindr?
Hornet?
Não sei, é igual ao litro.

A fase da lua de mel veio e foi-se, o encanto morreu, ficaram as memórias de quecas bem dadas - modéstia à parte -, os investimentos em preservativos com sabores, e a costumeira promessa de manter o contacto.
O tempo voa, e o contacto foi na melhor das hipóteses telegráfico.
Perguntas de trabalho, dos estudos, do cão do gato e do periquito, sem qualquer resquício do romance meloso que outrora bateu em nossos corações - ou seriam virilhas?
Poderia acabar por aqui, uma trágica história de um romance que nunca o chegou a ser, um souflé que desabou antes de estar pronto.
Mas obviamente não se ficou por aqui.
Volta e meia, nas épocas festivas quando a fome é negra e o grindr anda às moscas, magicamente a memória funciona , e lá se lembra do meu número de telefone para enviar sentidas mensagens de saudade e introspecção.

Saindo do trabalho, um destes dias, o telefone volta a vibrar, trazendo consigo uma pergunta inócua quebra o silêncio de meses.
"Como estás? Tenho pensado em ti."
E embora à primeira vista não pareça, eu já sei imediatamente que isto é uma uma tentativa desesperada de me voltar a saltar para a cueca.
A converseta floreada passa pela localização geográfica do dito cujo, e rapidamente escala para um digno:
"Tenho saudades de te arranhar as costas" 
ou
"Lembras-te da ultima vez que demos uma?"
E não sei sei é suposto o meu cérebro estar algures na minha glande, porque só assim se explica a noção de que era suposto ir a correr cada vez que um marmanjo qualquer se lembrar que eu só sirvo para lhe apagar o fogo.
Sorrio malevolamente, enquanto a minha consciência me sugere que o faça sofrer um bocado, antes de lhe cortar as asas.
Quando eventualmente me aborreço da conversa, e o informo da minha atual relação, rebate com um:
"Ah, ainda andas nisso? Pensei que tivesses vontade. Fica para a próxima"

Porque com propostas assim, quem consegue resistir, nénon?

Fica a pergunta:
Reciclagem de ex agora é uma trend?

O cupido é um bocadinho filho da puta

sábado, 12 de março de 2016


Quando ando só e abandonado pelas ruas da amargura, é todo um comício de avantesmas, gajos sem ponta por onde pegar - sem ser a lá de baixo, não é verdade.

Mal começo a estabilizar com alguém de que gosto minimamente, aparecem partidos interessantes de todos os lados, como moscas atrás de fruta madura.
Isto é só comigo?

Sozinhos

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016


Domingo é o dia de São valentim, e como tal, resolvi mandar a minha posta de pescada.
Quando dei por iniciada a jornada de jovem solteiro, vim com uma ideia predefinida - e particularmente idiota - de que ia ser tudo uma diversão despegada.

Que os sábados à noite iam ser passados num qualquer oásis paradisíaco com horas de dirty dancing na pista de dança e imensos orgasmos aptos a fazer Samantha Jones e Hank Moody -para quem não sabe, Sex & The City e Californication, respectivamente - Corar.
Toda uma montanha russa de homens maravilhosos bonitos e interessantes prontos a pagar-me jantares só pelo prazer da minha companhia, e a cortejar-me como se fosse o último pacote de oreos numa convenção de comedores compulsivos.

A realidade atingiu-me no focinho como uma toalha molhada estendida ao vento na sibéria, quando me apercebi que uma grande parte dos meus sábados à noite envolviam maratonas de séries, pipocas e chá.
Como substituto dos orgasmos, tinha sempre a regular tablete de chocolate em promoção do pingo doce, e no lugar de  todos os homens lindos e interessantes, a pagar-me jantares que imaginei, tinha o rapazinho estrábico da peixaria do Lidl a tentar saltar-me para a cueca, ou o ocasional casanova que se esquecia da carteira na altura de pagar a janta.
A saturação imiscuiu-se num canto abandonado da minha consciência e cheguei ao eterno chavão.
"Não preciso de nenhum homem"
... E depois de uma das muitas fases de libertinagem, percebi que o reverso da moeda era assustadoramente evidente, e afinal, nenhum homem precisa de mim.
E aquela noção de rejeição tão óbvia caiu-me pior que um mergulho no mar depois de almoçar num all you can eat de picanha.
Afinal, depois de um certo número de encontros furtivos sem qualquer tipo de ligação, percebes que estar sozinho, mais do que uma jornada de autoconhecimento e crescimento pessoal pelo mundo - o que supostamente acontece quando não és uma bicha pobre, como eu - , segundo o que dizem os livros de auto ajuda, é - muitas vezes - um grande tédio.
E passando pela espiral dramática que é a minha imaginação, percebi que temos todos um bocadinho de medo de estar sozinhos.
E corremos atrás de pessoas que não nos respeitam, mantemos-nos em relações que não nos realizam,
não aguentamos um término sem pular imediatamente para a próxima, ou saltamos de cama em cama, tudo porque a noção de estar só é por si só avassaladora.

Porque temos tanto medo de estar sozinhos?
Também tiveram um eventual choque com a realidade, ou fui só eu?

Está aberto o debate.

Limpeza Colónica da Lista Telefónica

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


Dia 29 de Dezembro
Quatro e meia da manhã.
Tropeço ao ir para a cama cama agarrado ao telemóvel, aborrecido e com frio.
Faltam dois dias.
Dois dias para, nas minhas cuecas azul cliché, regado de espumante barato e confettis - provenientes daquelas pistolinhas pavorosas que alguém sempre tem a brilhante ideia de carregar desde casa para rebentar juntamente com as doze badaladas -  receber o ano novo.

E enquanto a minha parte racional acha toda a tradição imbecil e desnecessária - facilmente substituível por uma boa sessão de filmes e sexo tântrico - estou, como todos os anos, ansioso, à espera do momento em que carrego um botão gigante de Reset, e que todas as incomensuráveis cagadas que fiz este ano se vão, com as sete ondinhas, que nunca pulo, (porque afinal não estamos no brasil e o mar está gelado e não me apetece começar o ano novo com uma pneumonia e roupa salgada).

Desejo todos os anos o mesmo, saúde dinheiro e amor.
Mas como nunca acontece porra nenhuma, começo a suspeitar que há alguma espécie de interferência na linha para a qual se fazem a encomenda dos pedidos de ano novo, isso ou então a telefonista que regista os meus para as entidades superioras está sempre ligeiramente alcoolizada e compreende que a definição de amor se prende a sair com um rapaz que me pedia fisting anal e sadomasoquismo no segundo encontro, em vez de cafuné e croissants na cama.



Em jeito de retrospectiva, abro a lista de contactos e revisito os fracassos amorosos do ano da lista telefónica, uma tradição anual masoquista que não consigo evitar.
Os nomes dissociam-se de caras específicas, todos se transformam num borrão indistinto na minha cabeça passado algum tempo.
Relembro com algum embaraço as situações caricatas, memórias de uma gaysha com mau gosto.
O vesgo que me perseguiu semanas para um encontro que concedi, ganhando em retorno um pneu furado e uma tampa,
O sacana que convidou um amigo meu para um encontro na altura em que estávamos a sair,
O "hétero" que queria "experimentar" na garagem da avó com mulher em casa,
Eclipsam-se um a um com cada "deseja eliminar este contacto?" a piscar no ecrã.

E com um sorriso de satisfação vingada, dou por concluída a limpeza, uma renovação antecipada.
Deito-me e penso "para o ano é que vai ser".
Até ao próximo dia 29 de Dezembro, às quatro e meia da manhã.

Feliz ano novo

5 sinais de que Ele Não está lá muito interessado

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Esta coisa de estar solteiro tem muito que se lhe diga.
Damos por nós ás vezes a investir em bofes que estão tão interessados em nós como no peso cultural do cultivo da mandioca no Uganda rural.

Como bicha apaixonada, fica pior que cega, muitas vezes não reparamos nos sinais até estarmos enrolados em pijamas de lã e mantas, com as luzes apagadas com acessos de autocomiseração a ver pela quinquagésima nona vez o Diário de Bridget Jones e a comer bolachas suficientes para alimentar um pequeno país de terceiro mundo - o que temos que admitir é muito comum. Ou pelo menos é isso que digo a mim mesmo para não me sentir um anormal cada vez que aconteceu.

Com o passar do tempo, reparei que muitas das vezes em que dava errado, haviam sinais, sinais que eu tendia a ignorar, porque "podia ser impressão minha" ou "estou só a ser exagerado".

Quando concluí que não era só impressão, acabei por criar uma pequena lista de perguntas.
Uma guideline, vá.
Se respondo a mais do que uma  - duas se quiser arriscar - destas "sim" sei que não vai dar em nada.

Não tem interesse em partilhar dos teus interesses mas tens que fazer as coisas que ele gosta?

Aquela conversa de que tens que ter os mesmos interesses que as pessoas com que sais, é uma grande treta, mas quando passas horas a ouvi-lo falar sobre as coisas que lhe acontecem, os interesses, ou whatever, mas não te consegue dispensar uns segundos para falares das tuas, é um péssimo sinal.
Não que o bofe tenha que querer saber que compraram papel higiénico em promoção, mas é sempre bom ter algum interesse mútuo... aliás, se querem conquistar o bofe, não lhe falem em papel higiénico, okay?

Demora milénios a responder ás tuas mensagens, mas sempre que saem está com o telefone na mão?
Phoneblocking pode estar na moda, mas que seja um phoneblocking coerente.
Se podemos esperar horas por uma resposta, as outras pessoas também o deviam ter que fazer, logicamente.

Arranja sempre desculpas para não combinar coisas contigo, mas está sempre a sair com os amigos?
Já todos ficámos falidos.
Já todos tivemos problemas com o carro.
Já nos morreu um gato de estimação.
Já todos tivemos compromissos de última hora.
Não é preciso criar uma teoria da conspiração enorme se o bofe ocasionalmente desmarca algo.
MAAAAAAAAAAAAAS Quando começa a ter muitos problemas seguidos, é motivo para desconfiar. Se juntarmos a isso o factor de desmarcar planos convosco para marcar com os amigos, bem... não é preciso fazer muitas contas.

Tens de ser sempre tu a tomar a iniciativa?
Não liga, não interage, não se desloca até ti, e se der ao caso, O bofe vai sair contigo, como se fosse um grande serviço à humanidade, e como se os bofes estivessem em vias de extinção e fosse digno de um altar no armário dos sapatos.  Claro, demonstrar interesse é sempre bom, mas se for de um lado só, vais acabar a fazer de capacho.


Fica chateado quando dizes que não apetece fazer sexo?
Então, têm um encontro. Vêm um filme, comem um hambúrguer no shopping, vão á praia, whatever. Se no final, ele fica sempre aborrecido ou ofendido quando não te apetece liberar a jibóia cega. Como se tivessem assinado um contrato em que tens que ter as pernas sempre abertas, como as portagens da autoestrada. Claro que sexo é óóótimo, mas se só querem sair contigo a contar com isso, diz no mínimo algo sobre as prioridades, digo eu.

[Bónus]Tem uma app de engate sempre ligada?
...E utiliza-a constantemente, mesmo estando contigo?
...Até mesmo quando vão num encontro?
E continuas a sair com ele?
Sério?


Digam-me de vossa justiça:
Acrescentavam mais algum sinal à lista?

Rendez Vous

sábado, 14 de novembro de 2015



Fez-se silêncio no pequeno varandim, interrompido apenas pela nossa respiração ofegante.
A atmosfera de suor e látex, que se entranhava nas roupas espalhadas pelo chão de azulejo frio, sufocava-me.
Não me sentia bem ali.
Fixei o olhar nas luzes da cidade, parcialmente encobertas pelo nevoeiro, enquanto o abracei de forma instintiva, uma tentativa de obter a proximidade que o sexo não trouxe.
Olhou para mim, soltando-se do abraço desconfortável, com os olhos acesos de vontade, e arranhando-me as costas perguntou:
 "Queres continuar?"
E naquele momento, o acordo silencioso que tínhamos deixou de ser divertido.
O tempo para intimidade passou.
Duvido que alguma vez tenha existido.
Uma ligação que tentei criar, ignorando deliberadamente que nunca esteve lá.
Dei por mim a perguntar-me o que estava a fazer ali, a meio da noite, agarrado a um semi desconhecido com o qual não tenho qualquer tipo de afinidade.
Talvez soubesse a resposta desde que entrei no carro, num parque de estacionamento mal iluminado, umas horas antes, talvez não quisesse saber.
Talvez a fase para rendez vous aleatórios tenha chegado ao fim.

Trovoada

sexta-feira, 17 de julho de 2015




Quando um trovão atinge várias vezes a mesma árvore, de quem é a culpa?
Do trovão, que vai sempre dar áquela árvore, ou da árvore que é demasiado boa a conduzir eletricidade?
É que porra, levar choques não é muito divertido.

Culpem os Critérios

sábado, 4 de julho de 2015



A primeira vez que entrei num site de encontros, ainda antes de existir o furor do grindr e dos derivados, estando eu completamente enfiado no armário, cheio de dúvidas existenciais e apavorado de ser descoberto na internet por algum vizinho coscuvilheiro, usei a foto de um panda como avatar, um nickname cheio de caracteres especiais e vi repleto de espanto às duas da manhã os poucos perfis que havia, sem qualquer pingo de intenções de me meter com algum dos homens que supostamente procuravam "o amor".

Eventualmente, o referido site sugeriu-me simpaticamente que preenchesse as minhas preferências.
Abrindo a janelinha, fui redireccionado para uma série de caixinhas seleccionáveis, em que punha as especificações do meu futuro pretendente.
Um bocado como ir ao OLX procurar carro, só que em vez de procurar por um com ar condicionado e estofos de pele, procuravam-se pessoas, e podia especificar se queria algum fumador, se preferia magro, branco, negro ou asiático, cor dos olhos, altura, e até tipo de pilosidade.

Nunca cheguei a preencher a checklist, já tinha afinal morto a curiosidade, e eventualmente desliguei-me daquele site - que confesso até hoje nem me lembrar qual seja - e não voltei a pensar no assunto.


Anos mais tarde, quando comecei a ter uma - atribulada - vida amorosa, fui confrontado novamente com as preferências, vulgos critérios.
Em determinada altura, fui até rejeitado por "não ser suficientemente magro" ou "ter pelos demais".
Quando em conversa com os meus confidentes me diziam, em tom de brincadeira depois de uma aventura menos bem sucedida:
"Tens que melhorar os teus critérios"
"Mas os meus critérios estão bem assim"
"Então?"
"Só quero um gajo simpático que me trate bem"
Porque não procuro um loiro de olhos azuis alto e definido, que não fume e tenha um emprego de prestígio.
Não quero namorar um ken, nem nunca gostei de brincar com bonecos, vá-se lá saber porquê.

Mas as bichas - e as héteras também, sejamos honestos -  deste mundo andam cheias deles.
Gravam-nas no cérebro e recitam nas como um mantra, como se essas características fossem um dealbreaker crucial.
Fazem listas, como se fossem comprar uma assoalhada para a avó inválida e tivessem que se certificar que cumpre as normas de segurança mínimas.
Chegam ao cúmulo de pontuar, como se estivessem numa feira do campo a premiar o melhor porco da roça.

Depois, quando não encontram alguém que corresponda a essa lista imensa de pedigree, queixam-se que estão sozinhas e ficam amargas como uma ameixa demasiado ácida que ninguém quer comer - o que ironicamente roça a verdade.

E vocês?
Quais são/eram os vossos critérios nestes campos? 
Tinham uma lista?
Acham que as pessoas andam com critérios demais?
O que têm a dizer sobre o assunto?

Não está facil para o gay moderno

sexta-feira, 3 de julho de 2015


Às vezes, apetecia-me fumar.
Como criança dos 90s, lembro-me daquela aura de sofisticação que via quando, nos milhões de filmes PG 18 que via à socapa dos meus pais, eles - os personagens - em momentos de introspecção silenciosa pela noite sacavam de um cigarro que fumavam à janela banhados pela lua e pelas luzes da cidade não tão distante, ao som de saxofones roucos.
Na altura era aceitável, imagem de marca da geração de bad boys de gel e casaco de cabedal.
Envoltos pelo fumo, pareciam misteriosos e apelativos.
Como se a nicotina validasse qualquer tipo de dúvida existencial.

Mas como detesto aquele sabor e tenciono preservar os meus pulmões de origem, acabo sempre a debater internamente a minha decrescente fé no conceito de envolvimento romântico, com um iogurte na mão, ou uma caneca de chá, enquanto olho pelo ecrã do computador, não para a lua mas para as notificações que se empilham uma a uma no email.
"Tem mensagens novas no Manhunt", 
"Não te vimos recentemente, mas você acabou de receber uma mensagem no Hornet do fulano"
"Homens solteiros na sua região! encontra o teu match com o tinder"
Um lembrete a passar o sal na ferida, "Há tanta oferta, só estás sozinho em casa porque és esquisitinho", lembrando que é só abrir uma aplicação para ter acesso a um harém de homens tão ou mais carentes que eu.

Só me lembra uma conversa que tive há dias sobre a facilidade de acesso que se tem hoje em dia à informação, e como ainda assim há tantas pessoas sem qualquer tipo de cultura ou senso comum.
Chegamos á conclusão que não serve de muito ter toda a informação à disposição se não se souber usá-la.
Com os homens (ou o dating world num geral), começa a passar-se o mesmo.

Acham que demasiada oferta dificulta a procura?

Verão



O verão passa, melancólico e rotineiro.
Enquanto procuro quem me queira dar a mão no cinema, histórias mirabolantes de engates regados a álcool drogas e rock and roll enchem os meus  ouvidos.
Penso que talvez seja eu que tenha os valores trocados, e me devesse contentar com o prospecto de arranjar um desconhecido para mais uma sessão de sexo sem conversas nem compromisso.
Talvez seja uma fase.

O tempo certo existe?

terça-feira, 23 de junho de 2015



Nestas coisas dos amores e desamores, temos todos pontos de vista diferentes, por isso deixo em aberto a pergunta - e porque não tenho tempo para acabar os outros posts que comecei:
Quando conhecemos alguém, existe um tempo certo  para se continuar a ver outras pessoas, algum período mínimo?
Como procedem/iam vocês?
Dedicam-se logo a uma pessoa exclusivamente, ou vão saindo com várias enquanto "sondam o terreno"?

Ser a outra, é vocação?

quarta-feira, 10 de junho de 2015



Quando comecei esta "coisa" dos encontros há uns anos atrás, ia todo eu, qual bambi desajeitado, com uma mala cheia de sonhos e uma cabeça cheia de vento, convencido que toda a gente tinha como eu altos padrões de moral e idealismo, adquiridos nas longas horas de visualização de milhares de chick flicks e novelas da globo.

Para mim, traição era uma coisa vil e inimaginável que só pessoas más e sem carater fariam, e geralmente nunca diziam ao/à amante, que era tambem uma vitima no meio disto tudo, sempre arrastada para o meio de um turbilhão emocional do qual não podia sair sem um coração partido - volto a relembrar que os meus role models da altura eram as novelas da globo.

Não seria de admirar que quase tivesse entrado em falha renal quando recebi a primeira proposta para ser "a outra" - pessoa portanto - uma espécie de:
"Tu és diferente, vamos ter uns bons momentos - porque há sempre uns bons momentos nestas coisas, devem pensar que a minha pila é um kinder bueno - divertir-nos e aproveitar, ele não tem que saber"

Rodei a baiana, fiz um drama e quase perguntei "POR QUEM ME TOMAS?" e fui para casa sentir-me mal, porque obviamente na minha cabeça a culpa era minha, e nem cheguei a comentar com ninguém tal era a nuvem de desonra que pairava sobre a minha cabeça.

A verdade é que propostas do género acumulam-se com o passar do tempo - sempre cheias de sigilo e promessas de romance de botequim -  e embora a minha resposta seja sempre a mesma nega redonda, o choque já lá não está.


Comecei no entanto a aperceber-me ao longo dos anos, em conversas com amigos e conhecidos, que nem toda a gente pensa como eu.
Há quem não ache errado ser "a outra". Há até quem ache que é a melhor maneira de proceder, e os argumentos desmultiplicam-se. É porque o namorado não é teu, não estás a fazer nada de mais, ou porque é muito mais excitante envolver-se com homens comprometidos, ou porque dá menos trabalho lidar com um comprometido, diz que até dá tesão à coisa, saber que está a comer o que é de outra pessoa.

Não vejo pessoalmente lógica nenhuma em começar a sair com uma pessoa que tem já namorado, porque não costumo ir comer migalhas ao pacote de bolachas da vizinha né, mas já não acho que seja tudo tão preto no branco.

Fica aberto o debate, como diz o próprio título:
Ser a outra, É vocação?
Ou será só preguiça de arranjar homem?
Surpreendam-me.

PS: Juro que quando arranjar tempo vos respondo aos comentários e vos leio os blogs, ando a rodopiar mais que um tornado.

Casamentos

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Com o sim da irlanda - que foi um marco, tendo em conta que a população votou, na sua maioria a favor do casamento gay - aragens românticas apoderaram-se de mim, e agora, com o aproximar-se das noivas de santo António, referido volta e meia nas TVs Portuguesas, foi inevitável para mim ponderar o assunto.

Casamento nunca fez da minha imaginação, e muito honestamente não sei se alguma vez quero pensar nisso em termos práticos, mas como nasci com uma cabeça cinematográfica, acabei a fazer um filme do meu casamento imaginário, sem qualquer base de comparação concreta, porque verdade seja dita nunca fui a um casamento gay - dizem as manas que é tudo coisa chique e cheia de dress codes e saquinhos de oferta.

Como quem tem vontade de jogar conversa fora, digam-me:
Têm algum conceito de "casamento de sonho?"

Como ter um homem na mão - Figurativamente. Isto não são as dicas sexuais da revista Cristina.

quarta-feira, 3 de junho de 2015


Lembro-me de ainda nos meus primórdios de pré adolescência, ouvir dizer
"fazer-se difícil é a melhor estratégia para ter um homem a comer na tua mão".
Todo um conceito de girl power, que eu como boa pré bichinha em germinação que era,tatuei no meu cérebro.
Quando chegou a altura de o por em prática no entanto, a coisa descontrolou-se um bocado, por entre um remoinho de roupa no chão e óculos no lavatório e muitos beijos, e todo o plano de bancar a "boa moça" foi pela pia.

Depois de muitas quebras de coração, e camas desfeitas, aborreci-me de tentar ser difícil, porque para mim, começava a parecer que relacionamentos gays eram como os ovos kinder, mal tinham o brinde acabava-se a brincadeira, e adoptei a estratégia de liberar geral. Afinal, a vida é só uma, e se for para morrer encalhado, por falta de tentativa e erro não há de ser.

O que para mim fazia imenso sentido, porque a minha força de vontade nessa matéria é tanta quanta a resistência de uma braguilha fechada.
Contudo, na minha cabeça ecoava aquela sabedoria popular, um legado de como ter um homem na mão, sem implicar ter efetivamente uma parte dele entre os meus cinco dedos com alguma fricção pelo meio, mais um sentido metafórico de controle romântico.
Ficou o mito inalcaçável só possivelmente comparado com aquele de seduzir um homem pelo estômago - que também tentei, ao fazer compota intragável, que como todos sabemos nunca poderia dar bom resultado.

Os anos foram passado, e comecei a reparar no entanto, que a forma mais fácil de teres um homem a comer na tua mão -  e noutras regiões anatómicas, let's be honest - passa por uma única palavrinha monossilábica.
NÃO.
E isto acontece sucessivamente, porque posso ser fácil, mas não sou raspadinha, volta e meia tenho que dar uma bela nega. Um bom "Desculpa, não quero" ou o sempre apologista, "compra nívea e vai ao Xvideos".
A partir do segundo em que abro a boca para dizer a um fulano qualquer que não estou interessado, parece traça na lâmpada, me manda mensagens, liga a horas indecentes e foca uma boa centelha de energia em mostrar-me de todas as formas e mais alguma, como seria a queca da minha vida - coisa que já ouvi textualmente.

Juro que não entendo bem qual é a causa, talvez seja psicologia de reversão, ou complexo predatório, complexos de abandono, falta de noção e contexto, ou simples dificuldade em ler e analisar problemas matemáticos.
Mas como isto não é o MIT e não vamos fazer um estudo cientifico do caso, fica apenas a informação.

Jovens bichas iniciadas, esqueçam tudo o que ouviram.
Se querem ter um homem na mão, basta só dizer-lhe que não.

Monogamia é Monotonia?

sexta-feira, 27 de março de 2015


Pode parecer complicado, chato ou até vazio. até que chega o dia em que ele aparece.
E subitamente todos os teus problemas se tornam mais leves porque tens com quem os partilhar, um companheiro, um amigo e um parceiro.
E é muito isto o imaginário colectivo. 
Porque as coisas nunca estão efetivamente bem enquanto se é uma pessoa solteira. A metade da laranja e blablabla, somos ensinados que alguém vai aparecer e subitamente tudo passa a fazer sentido.

E como romântico incurável que sou, lá vou procurando por ele.
Porque é verdade que a ideia de partilhar a vida com alguém é uma ideia que me agrada.
Ter alguém com quem te preocupes tanto quanto contigo, e com quem queiras viver os bons momentos, e apoiar nos maus. Todo aquele conceito bonito de amor romantico a que somos expostos desde sempre

Afinal, o ser humano é uma criatura social.
Gostamos de ter um parceiro, tal como todas as outras espécies.(porque os pinguins, os cisnes e os golfinhos não têm consciencia social, e naturalmente escolhem parceiros para a vida, só para quem me vier aqui dizer que "ah e tal, isso é norma social". acho que é mais norma genética).

Mas e quando ele - ou ela, é uma pergunta generalista - chega?

É o suficiente?

Cada vez vejo mais apologistas de relações alternativas.

Leio artigos, vejo reportagens, sigo documentários espalhados pela internet de pessoas que publicitam alto e bom som alternativas ao padrão monogâmico.

As conhecidas relações abertas, recurso a traições - de mutuo acordo ou não -, ou o envolvimento de uma ou mais pessoas no leito conjugal quando necessário.
E na maioria dos casos, justificam-se dizendo que a monogamia é um conceito ultrapassado.
Que é impossível para o Homem ser monogâmico e feliz, que não está nos genes, que não é da sua natureza.

Como bom advogado do diabo que sou exponho sempre e valido os seus argumentos.
Afinal é verdade, que todas as relações monogâmicas têm todas no mínimo duas fases de comportamento em comum.

A fase do encantamento, em que tudo é maravilhoso, e a outra pessoa é misteriosa e interessante e o foco do nosso universo, e a fase do hábito, em que o parceiro é território familiar e a novidade apenas não está lá.

E quem chega a essa fase por vezes advoca que o melhor é arranjar alguém por fora, variar no cardápio, ou até mesmo desligar a máquina da relação.

Mas...então e o amor? Não pesa para nada nesta equação?
Será que em vez de procurarmos por uma só pessoa, devemos procurar por várias?
Será a Monogamia Monótona?

Digam-me vocês

Apaixonar-se é tipo fazer um bolo

sexta-feira, 13 de março de 2015



Se fica tempo demais no forno passa do ponto, e se sai demasiado cedo, nem lá chega.
É pena que não exista um masterchef sentimental.
Esses é que fazem tudo parecer bastante mais fácil.

Tinder

sexta-feira, 6 de março de 2015



Criei o perfil, escolhi uns quantos perfis, tive match com um mocito que parece simpático.
Dúvida existencial:
Como falar com ele sem parecer um psicopata nem um atrasado mental?

E antes da internet?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015


Hoje em conversa cheguei a esta duvida existencial.
E antes do manhunt, do Baddoo, do grindr, do tindr, dos falecidos chats do AEIO e da Terra, do MIRC e do messenger, ou até aqui da amiga blogosfera como é que acontecia o romance?
Sim, porque não estou a ser má lingua é o mais comum agora, toda a gente conhece toda a gente através de um ecrã.

Deixo em aberto para debate, surpreendam-me, e comentem, que ainda é de graça.

O Complicado

domingo, 1 de fevereiro de 2015


Todos nós queremos a mesma coisa.
O grande A. 
L'amour, 
As borboletas no estômago.
Aquela felicidade parva que vem de dentro quando pensas na pessoa, sem grande motivação inerente, aquele conforto de sabermos que afinal, até não estamos sozinhos no mundo.
Porque amigos é muito bonito, é maravilhoso e o diabo aos quatro, mas não é a mesma coisa

E às vezes, acho que passo a sensação de omnisciência. mas eu não sei tudo.
Muito menos sobre estas coisas. Estou tão ou mais perdido que qualquer um de vocês que me leêm.

Apenas sei que isto vai muito por tentativa e erro, e eu tenho tentado e errado bastante - não tenho grandes problemas em admiti-lo - porque os sentimentos são um bocado como um móvel do IKEA. 
Pode parecer muito simples, e até é relativamente simples, mas sem livro de instruções, dá sempre em cagada monumental, e nalguns dedos martelados.

E com esta piquena introdução, vou quebrar a única regra que criei para mim mesmo quando fiz este blog. Nunca falar de uma situação ainda por resolver.

Conhecemos-nos há 3 meses e desde então temos estado algures numa relação.
A típica pergunta "Então, e quando oficializam? Quando passam a namorados?" desmultiplicou-se pelas bocas dos meus amigos.
E ficavam espantadíssimos quando eu dizia "Ainda é muito cedo. estou a palpar terreno. Quero conhecê-lo antes de me atirar de cabeça." Era como se estivesse a falar mandarim subitamente.
O erro maior em que as pessoas caem, é pensarem que isto é tudo automático.Que conheces um gajo, trocam algumas conversas melosas, e BAM vamos cavalgar para o horizonte num cavalo branco a ouvir paula fernandes como música de fundo viver felizes para sempre com 5 filhos adotados de países de terceiro mundo, qual Brangelina.
Envolvemo-nos.
Perdi-me na aventura que é conhecer outra pessoa, com esperanças de algo bom.
adaptei me às diferenças, e aceitei as pequenas dificuldades.
Porque elas estão lá.
E comecei a ceder.
E aqui poderíamos entrar numa ladainha, mas a verdade é que se queres que a tua relação dê certo, tens que saber ceder. Porque é uma relação, Não uma batalha de egos,
Há duas pessoas envolvidas, com necessidades e individualidade, e tem que se encontrar um meio termo.
Não é saudável nem credível que uma relação exista só em volta de uma das metades.
E quando comecei a senti-lo diferente, resolvi ignorar a intuição e tentar.
Porque o maior erro que vejo por aí, são pessoas que se queixam de estar sozinhas, mas não se esforçam minimamente por que a relação funcione. Um extremo my way or no way.
Por isso, não me importava quando ele remarcava, porque tinha planos com amigos. Afinal eles estavam lá antes de mim. e não sou propriamente controlador.
E pus o ego de lado, quando inventava desculpas para não estar comigo, e depois ia sair.
E continuei a ceder,e a aceitar claras demonstrações de indiferença, até culminarmos num ponto de não nos vermos há uma semana - trabalho e localidades diferentes pelo meio - , encontrarmos-nos num bar e ele mal me falar, porque "Estava com amigos e não me podia dar atenção".

E aqui dei por mim a por um travão e pensar:
"Mas que merda é que tu estás a fazer Miguel?"

E até agora não sei bem o que faça. Porque a resposta é dolorosamente óbvia, mas eu contiuo a gostar dele no fim de contas.

E sim, é preciso trabalhar numa relação,
Sim, é preciso ceder.
Sim, é preciso aceitar a diferença.
Sim é preciso ter paciência.
Mas e quando não é reciproco?
Vale a pena pôr em causa o nosso amor próprio e felicidade?
Tudo vale a pena para não ficarmos sozinhos?

Digam-me vocês.

Começamos bem, sem dúvida.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015


Foram precisas as 20 badaladas e uma montanha de gajos giros pelas ruas para perceber que se calhar me estou a apaixonar.
outra vez.
E pela primeira vez desde sempre não sei de nada.