Lá fora estava muito frio.
Puseste a música a tocar, cada nota a ecoar suavemente pelo quarto, enquanto deitávamos conversa fora baixinho.
Deitei-me completamente vestido na cama e senti-a debaixo de mim suave como uma nuvem, deixando todos os meus músculos relaxar ao mesmo tempo.
Olhei para o teto e suspirei.
Adoro esta música
Também eu...
Sentaste-te junto a mim.
Mais perto do que necessário... tinhas bastante espaço livre na cama.
Mas não me queixei, antes pelo contrário.
Sorri satisfeito.
Estás cansado?
Não, mas sabe-me bem estar aqui deitado...
Temos que ir fazer o jantar.
Disseste-o com o tom de voz menos convincente que já ouvi.
Tocaste-me no nariz em jeito de brincadeira, enquanto fingias tentar decifrar a cor dos meus olhos.
Os teus olhos castanhos e pestanudos sondavam-me, senti-me exposto.
Como se estivesses a ver para lá deles, diretamente para a minha consciência.
Não desviei o olhar.
Gostei da vulnerabilidade.
As nossas pernas tocara-me distraidamente e dei-te a mão, enquanto nos aproximávamos lentamente.
Ao fundo a música continuava a tocar, contando histórias de amor numa melodia melancólica.
A minha mão passeava pelas tuas costas lentamente, deixando-te com pele de galinha.
Adoro esta música.
E antes que respondesses, roubei-te um beijo, deixando que as nossas pernas se entrelaçassem e que o pelo da tua barba me fizesse cócegas nas bochechas.
Lá fora estava muito frio, mas eu tinha-te a ti.