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Pôr do sol

terça-feira, 15 de abril de 2014


Encarava-te diretamente, com os olhos semicerrados e a cabeça sobre o meu colo.
A minha mão percorreu te a cara lentamente, traçando os contornos dos teus olhos, e a maciez dos teus lábios presos num sorriso tímido.
Curvei-me e beijei-te levemente, saboreando-te de encontro a mim.
Ao longe o sol punha-se, vagaroso.
Gosto de ti, tolinho.
E ficámos ali uns minutos que pareceram uma eternidade.
Quase que aposto que foi o sol, que parou por uns segundos, para te apreciar, enquanto nos banhava de carmesim e laranja.
O sol é um romântico.

Fim de semana (II)

domingo, 30 de março de 2014


Lá fora estava muito frio.
Puseste a música a tocar, cada nota a ecoar suavemente pelo quarto, enquanto deitávamos conversa fora baixinho.
Deitei-me completamente vestido na cama e senti-a debaixo de mim suave como uma nuvem, deixando todos os meus músculos relaxar ao mesmo tempo.
Olhei para o teto e suspirei.
Adoro esta música
Também eu...
Sentaste-te junto a mim.
Mais perto do que necessário... tinhas bastante espaço livre na cama.
Mas não me queixei, antes pelo contrário.
Sorri satisfeito.
Estás cansado?
Não, mas sabe-me bem estar aqui deitado...
Temos que ir fazer o jantar.
Disseste-o com o tom de voz menos convincente que já ouvi.
Tocaste-me no nariz em jeito de brincadeira, enquanto fingias tentar decifrar a cor dos meus olhos.

Os teus olhos castanhos e pestanudos sondavam-me, senti-me exposto.
Como se estivesses a ver para lá deles, diretamente para a minha consciência.
Não desviei o olhar.
Gostei da vulnerabilidade.

As nossas pernas tocara-me distraidamente e dei-te a mão, enquanto nos aproximávamos lentamente.
Ao fundo a música continuava a tocar, contando histórias de amor numa melodia melancólica.
A minha mão passeava pelas tuas costas lentamente, deixando-te com pele de galinha.
Adoro esta música.
E antes que respondesses, roubei-te um beijo, deixando que as nossas pernas se entrelaçassem e que o pelo da tua barba me fizesse cócegas nas bochechas.
Lá fora estava muito frio, mas eu tinha-te a ti.

És um totó.

segunda-feira, 17 de março de 2014


E fazes-me rir.
E tens sinais.
E gosto de ti.
E coiso.

Cheiro

domingo, 23 de fevereiro de 2014

"Queres um cigarro?"
Estendeste-me o maço com 3 cigarros soltos enquanto procuravas o isqueiro.
"Não, não fumo"
Mesmo assim Segui-te, quando te levantaste completamente nu e foste encostar-te ao parapeito da janela, como se fosse a coisa mais comum do mundo.

A marquise era minúscula e abafada, e depressa o fumo invadiu o espaço, mas não me importei.
Encostei a cabeça no teu ombro e inalei o teu cheiro.
Cheiravas a tabaco e a suor.
Um cheiro almiscararado, másculo, combinava com a tua barba que me arranhou o pescoço.
E ficámos ali, cigarro atrás de cigarro até as únicas luzes na marquise serem a da lua e do cigarro, e voltarmos para o quarto.
Seguimos rumos diferentes, O amor morreu... Ficou comigo o teu cheiro.
Cheiravas a tabaco e suor.