A ver the voice, a Shakira comenta que o Adam (Levine) se vai casar. Reacção imediata: Depois de ir ao google e confirmar: Vou ali pro cantinho deprimir.

Crescer


A familiaridade  aconchega-te no início.
Não precisas de questionar nada.
Afinal sabes tudo sobre tudo e estás bem assim.
Dói.
Acordas um dia, e apercebes-te que estás maior do que os teus horizontes permitiam, irrompes pelos escombros da pequena crisálida a que chamaste mundo.
Dói.
Uma dor boa, como se estivesses tempo demais submerso na água, e os teus pulmões reclamassem por oxigénio, ameaçando sair-te pelo peito.
Dói.
Subitamente vês o mundo de outra forma.
O mundo deixa de ser preto e branco, bom e mau, linear, e entras numa overdose de cores, nuances e ambiguidades.
Dói.
E quando deixa de doer, quando olhas para trás e vês o quão mudado estás, quando começas a ter certezas, quando te sentes aconchegado no teu pequeno mundo, O processo repete-se.
E Dói.

O casado


Começou a ir ao meu - antigo- posto de trabalho uma certa tarde de Verão, e subitamente tornou-se cliente regular. Nem lhe atribuí grande importância, o que mais por aí há, são clientes num supermercado.
Metia constantemente conversa , sempre muito simpático e atencioso, um sorriso que começava nos lábios e acabava naqueles olhos enormes pretos e misteriosos que não se descolavam de mim desde que entrava até sair.

Despertou-me o interesse - afinal quem é que não gosta de um bom flirt? - e dei por mim a ajeitar a gravata cada vez que o via entrar, e a ficar melhor disposto depois de o atender.

Passado um mês de "corte", e de já nos tratarmos pelo primeiro nome, adicionou-me no facebook. Uns dias depois, passadas algumas horas a cuscar-lhe as fotos - todas muito family friendly com amiguinhos e tios e primos, cão gato e periquito -acabei por criar coragem e meter conversa.
Trocámos números de telefone, e convidou-me para ir tomar um copo com uns amigos dele.
Ainda me tentei fazer de difícil... mas sejamos honestos por essa altura já não havia grande volta a dar.

Cheguei ao barzinho, e passado 5 minutos estava completamente à vontade com o pequeno grupo, como se nos conhecessemos hà imenso tempo.
As mãos dele não paravam de me passear pelas calças  - o que tornava extremamente dificil manter concentração na conversa com os amigos - e depois de me pagar 2 bebidas (ou foram 5? já não me lembro)acabámos por ir dar uma volta.

Lembro-me de um dos amigos dele quando se despediu de nós, lhe dizer entredentes "não faças nada de que depois te arrependas", o que só mais tarde fez todo o sentido.

Fomos passear para a praia - vantagens de viver à beira mar no Verão - e acabámos aos beijos numas cadeiras de praia, tudo muito digno de algum enredo romântico de novela das 8.
E estava a ir tudo ás mil maravilhas, até àquele milésimo de segundo, em que, já com a mão bem dentro das minhas calças sussurrou "Não devia estar a fazer isto, sou um gajo comprometido"
(O que demorou um bocado a processar por causa da vodka)



As minhas pernas fecharam-se mais rápido que uma armadilha de caça enquanto me compunha e dava a noite por terminada ali.
Seguiu-se depois disso a mais constrangedora viagem de carro até porta de minha casa, seguida de um passoubem e um txauzinho.

No dia a seguir mandou-me uma mensagem, a dizer que estava bastante alcoolizado, e que foi tudo um grande mal entendido. Sim, aparentemente, "esqueceu-se" de comentar que vive com o namorado não sei  bem onde (nem me interessava particularmente na altura), coisinha insignificante, né?

Ainda passa por mim de vez em quando e faz adeus, com o mesmo sorriso simpático e a maior cara de pau do planeta, e quem não sabe do sucedido pergunta-me porque é que sou "tão antipático com o rapaz".

Afinal, estas coisas não acontecem só no cinema.

Primeiro encontro

Gosto do desconforto do primeiro encontro.
De como nos esforçamos para passar boa impressão,
das palmas das mãos suadas,
do contacto visual envergonhado,
das borboletas no estomago - que facilmente passam a abelhas
de descobrir uma pessoa e não saber nada sobre ela, e gostar disso.
De passear a uma distância "segura" nem demasiado perto - para não parecer desesperado - nem demasiado longe - para não parecer desinteressado.
É um jogo do gato e do rato, uma perseguição amigável, uma dança bem coordenada que culmina
com uma despedida algo reticente, ou, se a dança for bem executada, um tímido primeiro beijo.

Muda de vida, se não vives satisfeito

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

As pessoas gostam muito de citar esta célebre canção, e eu passo-me cada vez que isso acontece.
Porque é tão simples como carregar num botão, não é um processo.
Apetece-te e mudas de vida num piscar de olhos e subitamente chovem arco-íris e notas de 500€, enquanto rodopias e cantas pela pradaria.
Pois claro.

Gaycismos* I

gay·cis·mo
(gay + -ismo)
substantivo masculino
1. Atitude hostil ou discriminatória em relação a um grupo de pessoas com características diferentes, nomeadamente sexualidade.
2. Aplicação de conceitos pré estabelecidos sobre o que é ser LGBT sobre um ou mais indivíduos
3. Idiotice num geral



Existe a concepção muito comum que o suficiente para que um homem gay se interesse por outro homem, é a existência de uma pila, e devido a essa ideia, são mais que algumas, as vezes que se ouve a seguinte conversa:
"Tenho o gajo perfeito pra ti"
"A sério? Então?"
"É gay!"
Gostos?
Gay não tem.
Preto, branco, amarelo, verde, gordo, magro, alto ou baixo,  é tuuuudo a mesma coisa, desde que seja homem.
Se apagarem a luz e trocarem por outro,  ninguém repara,  afinal, "um buraco é um buraco"
E se ficas muito tempo solteiro, é porque és esquisito, porque "o que mais praí há são homens, e os homens têm sempre vontade".

*Não consta de dicionário nenhum até à presente data, mas deviam considerar.

Ai Adam...

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Estreia amanhã a nova temporada de The voice.
 E lá vou eu assistir, 70% por causa da presença do Adam Levine.