Prós e contras, [edição Gay] I

quinta-feira, 28 de agosto de 2014



Pró:
Nunca vais ouvir "Amor, estou grávido" de algum gajo com quem te enrolaste duas vezes no verão,mas que não deu em nada.
Não vão ter que ir comprar testes de gravidez às 4 da tarde, ou de marcar consulta no ginecologista enquanto ponderas ficar eternamente ligado a uma one night stand porque o senhor preservativo se lembrou de rebentar simpaticamente a meio, até perceberes que foi tudo um susto e virares por uns segundos católico praticante e ajoelhares ali no meio da rua a agradecer a Deusnossinhor.


Contra:
Crise da meia idade.
E da meia meia idade.
E da idade e meia.
Homem por si só já tem crises, mas não há criatura mais propícia a crises existenciais que um gay com cabelos brancos. Entram em cena as roupas justas, as idas excessivas ao ginásio e por aí fora.
E nem vale a pena virem contradizer, há exemplos em todo o lado
(I'm looking at you Cláudio Ramos).



Estou um bocadinho farto de toda a gente a postar sobre as férias maravilhosas enquanto eu trabalho que nem um camelo.
É só isso.

O Flirt

quinta-feira, 21 de agosto de 2014



A noite estava quente e a rua cheia de turistas convidava o olhar inquieto.
Sentámo-nos numa esplanada a beber uma imperial e a deitar conversa fora, mas das 5 pessoas ali sentadas, eu era o único com o telemóvel no bolso.

Os ecrãs tremeluziam com imagens de homens em tronco nu à procura de engate e notificações de amigos no facebook, enquanto eu bebia cerveja como se não houvesse amanhã.

Eventualmente comecei a sentir-me constrangido por não estar também no grindr e acabei por pegar também no meu, qual social smoking do século XXI, só para não ser aquele esquisitóide que queria... conversar.

Ficámos assim uns vinte minutos, naquela meia conversa morna com os ocasionais olhares fugazes para fora do ecrã, e quando me decidi a ficar mais uns minutos para sair sorrateiramente desculpando-me com o trabalho, ele apareceu.

Vi-o pelo canto do olho, alto e loiro, bem vestido e mais velho.
Quando se aproximou da nossa mesa,  a minha vontade de ir embora desapareceu num flash. Cumprimentou-nos casualmente e sentou-se perto de mim, perto o suficiente para conseguir cheirar-lhe a colónia.

Talvez fosse a colónia.
Talvez fosse a lua cheia.
Talvez fosse o sotaque britânico - disse-me que é de Nothingham.
Não sei especificar, só sei que não consegui disfarçar a atração... nem o quis fazer.

Por esta altura, devo frisar que eu não queria começar nada.
Não queria ser aquele atiradiço que se joga ao primeiro par de calças que encontra.
A sério que não queria. 

Mas ele fez um comentário, e não resisti a responder de forma provocante.

E ele achou piada.

E passámos a noite toda a jogar conversa fora e a trocar provocações.
"És bonito, já te disseram que pareces o Clark kent"
"Por acaso já"
"Mais uma cerveja? pago eu"
"Não posso, vou conduzir, é melhor não"
"Oh, mas não consegues voar clark?"
"Esqueci-me da capa em casa"
"Hm, é pena, podíamos voar os dois"
Acabámos por ir dançar sempre naquela atmosfera de flirt muito presente, corpos a roçar, segredos ao ouvido e mãos marotas pelo meio, e as horas passaram a correr.

Despedimo-nos com um abraço apertado - mais uma desculpa para me agarrar, I guess - e ainda não o voltei a ver até hoje, não descortinei sei se foi um ponto final ou apenas umas reticências.

Talvez tenha sido  divertido porque estávamos a jogar um jogo.
Talvez tenha sido divertido porque foi uma massagem ao ego ter um homem bonito interessado em mim.

A única certeza com que fiquei, foi que os homens a sério não estão dentro do telemóvel ou atrás do ecrã.

Alguém me explique porque até hoje não compreendo

sábado, 16 de agosto de 2014

Qual o fascínio dos blogs e revistas mais ou menos noticiosos com temática Gay pelo Carlos costa, porque não consigo compreender até hoje o que ele fez de relevante num geral para além de participar em meia dúzia de concursos de talentos e dar milhões de entrevistas para a revista Maria, e para a dita comunidade em particular.
Só porque é gay?
Really?

A primeira vez, ou "Porno Vs Vida Real"

terça-feira, 12 de agosto de 2014



Ora bem, quando se tem 16 ou 17 anos, e um pénis, não existe toda aquela tendência de romantizar a primeira vez em que se tem sexo.
Não pensamos tanto numa cenário a meia luz com velas e óleos essenciais, saxofones em plano de fundo e frases românticas.
Claro que queremos que seja com alguém especial, mas se és um rapaz é dado adquirido que vais pensar que perder a virgindade vai ser como num filme porno, mais coisa menos coisa.

E bem, se isto resulta bem nas fantasias de um jovem hormonal e rebarbado, na realidade não se processa tudo da mesma forma - graças a Deus.
Lembro-me de ter chegado a esta epifania, depois de ter ido para a cama com o primeiro rapaz.

Fomos o típico romance de verão, andámos colados semanas, e eventualmente aconteceu.
Foi tudo muito orgânico, combinámos um data e "deixámos rolar".
Entrámos no pequeno apartamento naquela tarde quente, e enquanto nos beijávamos com uma avidez capaz de fazer inveja a muito boa série da HBO, despimo-nos rapidamente, passando do hall de entrada á cozinha e acabando semi-nus no quarto (Até hoje não sei bem como, mas o meu telemóvel aterrou atrás do frigorifico e perdi os óculos algures perto do tapete da entrada).

Chegados a este ponto, devo frisar, que só tinha visto homens nus no monitor do meu computador, a altas horas da madrugada, com o som no mínimo e as luzes apagadas, e que era daí que tirava todas as minhas noções de sexo gay (o que vendo em retrospectiva é um bocado imbecil, mas hey, a internet não era o que é agora, okay?).
O que naquele preciso momento resultou num misto imenso de pavor e excitação como nunca voltei a sentir até agora.

Quando lhe tirei os boxers, não vi um pénis de 25 cms a saltar na minha direção, qual monstro de Loch ness zarolho, lembro-me de ter secretamente rejubilado de alívio, porque ainda não sabia quem ia fazer o quê, e bem... 25 cms é quase o tamanho de um Óscar, e suspeito que ninguém queira um óscar enfiado no cu, né.

Não houve qualquer tipo de puxões de cabelo chicotes algemas ou posições acrobáticas dignas do cirque du soleil - O que seria uma péssima ideia, tendo em conta a minha tendência para acidentes - ninguém chamou nomes a ninguém e não se realizou nenhum tipo de fetiche com pés. A cama rangeu, perderam-se minutos num silêncio constrangedor a colocar o preservativo, e no final não houve qualquer tipo de grito gutural a anunciar um orgasmo abalador.

E vendo bem as coisas, pode ter sido bastante softcore, em comparação ao meu historial da internet, mas foi mil vezes mais excitante.

Vou só ali ter um ataque de nostalgia


Nem costumo mencionar estas coisas mas fiquei mesmo com imensa pena quando soube ontem mal vim do trabalho da morte do Robin Williams, lá se vai mais um marco da minha infância e uma pessoa que me pareceu sempre genuína.

25

segunda-feira, 11 de agosto de 2014



Aos 5 era uma criança rechonchuda e queria doces
Aos 10 era imbecil e queria ser grande.
Aos 15 era virgem e queria ser hétero.
Aos 18 era um outsider e queria ser popular.
Aos 20 era ingénuo e queria desencalhar mais que tudo.
Aos 25 vou me oficialmente deixar de desejos de aniversário, para além dos doces.
Acho que foi o desejo mais sensato de todos eles.
... Se bem que um cowboy como o do vídeo não era mal pensado.
(Tenho outro post em mente, mas como bom pobre que sou vou trabalhar no dia de anos que me fodo.)