Verdade universal

terça-feira, 23 de setembro de 2014



Há pessoas que nasceram para ser sem graça. Pãezinhos sem sal. Murchas.
E por muito que se esforcem em ter conversas apelativas, vais sempre dar por ti a bocejar mentalmente a meio.

A odisseia dos preservativos

domingo, 21 de setembro de 2014



Então, um dia acordas da tua hibernação sexual, e apercebes-te que tens urgentemente que comprar preservativos.


Embora nos tenham ensinado a colocar o bendito preservativo, ninguém nos deu para as mãos naquela sala mofenta do ensino básico um "guia essencial para a correcta aquisição de preservativos".

Não senhor.

Aprendemos a tirar o preservativo da embalagem, a desenrolar ao longo de uma enorme banana
- o que em retrospectiva poderá ter causado nas nossas inocentes cabeças uma falsa ideia relativamente ao tamanho médio de um berimbau - , a tirar dar o nó e deitar fora, mas ninguém se preocupou com aquele fatídico momento em que queremos dar umazinha, estamos com pressa e temos que ir a um supermercado ou uma loja de conveniência de aspecto suspeito (daquelas que nem aceitam cartão de crédito) ás duas da manhã e vemos uma prateleira cheia de borrachinhas demoníacas à espera de serem escolhidas.

Podemos sempre remeter-nos àqueles oferecidos nos centros de saúde, ou nas cafetarias das universidades, mas acho que ninguém gosta da sensação de falta de circulação nas partes baixas - e com isto nem estou a dizer que sou um grande avantajado, sou apenas realista quando afirmo que os preservativos grátis são extremamente desconfortáveis, para ser simpático,


Então lá andamos nós perdidos em todo um corredor cheio de cores vivas, geles com sabores e acessórios vibratórios, a tentar não ficar estrangulado nem a boiar dentro do belo acessório de latex, tendo em conta que as medidas mudam de marca para marca, e dentro da mesma marca de modelo para modelo - o que é interessante tendo em conta que eu tenho mais que fazer do que andar a medir a minha pila, tipo... usá-la e assim.

Quando efectivamente nos decidimos por alguma embalagem chega a fatídica altura de pagar.

E há sempre aquela tentativa falhada de disfarçar.

Um inocente e nada convincente
"Não, eu não vim aqui comprar preservativos extra lubrificados com sabor a tutti frutti que brilham no escuro. O que eu vim aqui comprar foi esta revista sobre criação de labradores anões, e este pacote de pastilhas para a garganta".

E podes até levar 50 artigos.
Podes levar 500 euros em compras.
Mas, mal a pessoa da caixa põe a mão naquela caixinha colorida, vai olhar para ti, sorrir ligeiramente e olhar com olhar confidente, como quem diz "hoje temos festa, han meu sacana?"

enquanto tu pagas apressadamente e vais à tua vida, até à próxima vez em que seja preciso pagar uma exorbitância para dar meia dúzia de quecas sem engravidar ou apanhar nenhuma doença.


O outono vem aí e não podia estar mais ansioso.

Adoro o frio.
Os dias nublados que acabam em chuvadas intermináveis.
Os casacos, as botas, o guilty pleasure de saltar para dentro das poças no passeio quando ninguém está a ver.

O chocolate, os litros de chá fumegante e os filmes ligeirinhos na TV domingo à tarde com uma manta sobre as pernas.
É como se tudo se tornasse automaticamente mais romântico nas estações frias, uma espécie de universo alternativo tingido a sépia, onde comemos e engordamos que nem lontras mas ninguém repara porque todas aquelas camadas de roupa ajudam a disfarçar.

E depois para terminar em beleza, aqueles últimos momentos do dia, em que há a desculpa do frio para se enroscar confortavelmente na cama, até adormecer, com direito a cafuné e muito calor humano.

O que tecnicamente só é possível fazer acompanhado, obviamente.
Bem, à falta de calor humano, há sempre botijas de agua quente.... ou gatos.
É isso, acho que vou comprar um gato.
... ou três.

os gays também têm namoradas

domingo, 14 de setembro de 2014



Ora, algures no auge da minha fase bissexual - Oh, sim, eu fui "bissexual" um tempinho, quando percebi que definitivamente não era hétero, e que ser gay dava muito trabalho - apaixonei-me pela primeira vez por um rapaz.

E não foi daquelas paixonites ambíguas que pipocavam constantemente na minha vida - e que eu categorizava sempre de forma inevitável como uma "grande amizade", mesmo que durassem só umas semanitas, e tivessem direito a sonhos eróticos bastante bregas pelo meio - Não.
Teve direito a borboletas no estômago e todas aquelas mariquices muito típicas de primeiro amor.

Seria uma história linear, se o rapaz também não estivesse no armário - acho que o termo que se usa agora é g0y, modernices - e não quisesse pôr a sequer ponderar a hipótese de pôr um pé (ou uma mão, uma mãozinha faz toda a diferença, if you know what I mean) de fora.

Então, como boa bicha enrustida  e amargurada que era na altura, tomei a atitude mais lógica e racional possível para apaziguar o problema do coração partido:

Descobri a rapariguita mais desenxabida e sem graça da faculdade, dei-lhe uns bons dedos de conversa, pedi-a em namoro e ela aceitou.

Afinal, era natural, sendo eu "bissexual".
Aliás, havia aquele resquício de esperança de ser tudo uma fase, e acabar com uma ninhada de filhos numa casa num condomínio na Saldanha.

E aqui começou a minha curta incursão pelo mundo da heterossexualidade...

... que durou pouco menos de um mês, e percebi que não ia dar em nada porque por mais que me esforçasse, não deixava de pensar em rapazes, e a partir do segundo em que perdeu a novidade, o sexo era uma espécie de suplício, (não sou daqueles gays que encara uma vagina como um kraken desgovernado capaz de destruir continentes com o seu poder de sucção, mas não era propriamente uma ideia que me agradasse muito) e isso por si só já diz muito.

Admito que até hoje sinto um bocadinho de remorsos com tudo isto, mas hey, estava na altura da experimentação, e não nos casámos em Las Vegas, foi uma coisa ligeirinha, dentro dos possíveis.

Quando cheguei à conclusão que não havia volta a dar à coisa, levei-a a tomar um cafezinho, sentei-a numa esplanada e terminei tudo com ela, porque... Bem é óbvio porquê né.

E houve direito a todo um drama interminável e a tentativas de reconciliação - quando na verdade eu não estava zangado e isto não era o fim do casamento de dez anos - , e quando lhe disse que não estava mesmo interessado, passei subitamente a ser a bicha manipuladora que magicamente a convenceu a enrolar-se comigo, mesmo depois de ouvir milhões de vezes "Hm, querida, sabes, acho que o teu namorado é gay". 

Porque nestas histórias, a culpa é sempre toda do gajo.

Dúvida

sexta-feira, 12 de setembro de 2014



Sabendo que ser gay é determinado de nascença - não aberto para discussão - o que provavelmente é uma coisa genética, e que gémeos são pessoas geneticamente idênticas, é possível que dois gémeos idênticos tenham orientações sexuais diferentes?

O que acham?

Conversas

quinta-feira, 11 de setembro de 2014



Não sei se isto faz algum sentido
mas quero um homem que seja bom?
Que não esteja preso naquela órbita do próprio umbigo
E curiosamente bonitos ou feios, nunca apanho nenhum assim?
faz sentido, sim
Fuck love.
yep
Agora era aquela altura em que dizias
"estás extremamente gay hoje Miguel"
amore
tu és gay.
e gaja
ao mesmo tempo
já passou o tempo em que tinha de te lembrar disso
hahaha
Ou seja
Não dou pros héteros porque tenho pila
Não dou pros gays porque sou sentimentalão
Win Win.
há por ai muito gay sentimentalão
também há ai muita pega
...
também és um bocado dos dois
agora que penso nisso



Homem que é homem não dança

segunda-feira, 8 de setembro de 2014


Vamos começar por honestamente admitir que à volta de 80% dos héteros deste planeta, foram abençoados com dois pés esquerdos e uma noção de ritmo tão minuciosas como a trepidação de uma máquina de lavar roupa avariada.

Não quero ofender ninguém, mas é entrar numa qualquer discoteca para vê-los dançar sobre um pé e depois sobre o outro, levantando as mãos aleatoriamente.

A partir daí nasceu a sabedoria popular de que dançar é coisa de bicha, homem que é homem, não dança, (ou mexe-se só mínimo, dentro de um quadrado imaginário com 20 cm quadrados de volume, o suficiente para parecer alvo de reanimação por choques elétricos.)

Por isso, no auge da minha adolescência, tinha pavor de sair para dançar.

Porque quando passava alguma música de que eu gostasse - o que na altura com duas vodkas com redbull em cima, era praticamente toda a playlist da noite -, lá se mexiam os meus quadris como se a pomba gira descesse sobre mim e dissesse "solta a franga rapaz" enquanto sensualizava loucamente de braço no ar e olhos semicerrados -  lendo bem a descrição parece mais que estou a ter uma trip de LSD do que a dançar, mas acreditem em mim quando vos digo que era coisa extremamente erótica e sensual, que nem todos conseguem aguentar sem fortes ondas de desejo sexual.

O que para uma alminha fortemente encravada no armário era digno de pesadelos.
"Vai tudo pensar que eu sou gay!"
(Sim, eu sei, a vida é irónica)

E então arranjava desculpas, ou ia e ficava sentado a brincar com a palhinha enquanto tentava passar despercebido, abanando o pézinho acompanhando a batida da música discretamente.

Eventualmente a fobia passou, mas lembro-me sempre dessa fase quando vou à discoteca gay aqui da zona
e acabo a fazer o twerk - ou a tentar, vá - se eu e os amigos tivermos bebido demais.

E agora era a parte em que transmitia ao leitor alguma lição de vida ou uma experiência de crescimento pessoal que deixa aquele gostinho doce na boca, mas isto não é o programa da Fátima Lopes.

(Já agora, mudei o logotipo do blog, só porque me apeteceu, e coiso.)