Lema de vida

sexta-feira, 26 de setembro de 2014


Todas as piadas que possam ser ditas sobre mim, eu já disse primeiro, e bem melhor do que quem as diz depois. Conheço o material e sei explorá-lo melhor do que ninguém.

Ouvi isto numa entrevista, e foi das coisas com que mais me identifiquei nos últimos tempos.
Especialmente porque acho que o caminho para a felicidade passa por não nos levarmos demasiado a sério.

Doggy style

quarta-feira, 24 de setembro de 2014



Então, eu sou um bocado preguiçoso.
Quando vou passear gosto de perder algum tempo a escolher mudas de roupa, mas fora isso, quando estou de folga ou simplesmente em casa tenho um fardamento oficial, que inclui barba por fazer, cabelo despenteado, e as minhas pantufas com 10 anos e a sola descolada (são de estimação), umas calças de pijama dignas do Aladino, e uma Tshirt do grupo regional de basquetebol, do qual fiz parte no inicio da adolescência, já meio larga e com a estampa desgastada,

Pareço um crossover entre o Johnny Depp quando é apanhado a ir ás compras numa qualquer loja de conveniência Domingo à tarde pelos papparazi, e um recém sem abrigo.

E podia nem ser problema, se eu tivesse vergonha na cara e me arranjasse cada vez que tivesse que fazer algum recado nas redondezas, mas tudo o que esteja a 200 metros da minha cama no meu cérebro ainda é minha casa, e lá vou eu ao correio, ao jardim, á reciclagem, e até receber encomendas nestes preparos, todo muito indigente-chic.(É um estilo, okay?)

Isto tudo só para vos dar uma situada.

No outro dia fui ao lixo, com umas olheiras imensas, phones nos ouvidos a cantarolar uma canção qualquer, quando, surgido do nada, um cachorro amoroso me salta para cima e quase me derruba enquanto me lambe efusivamente a cara e os braços numa felicidade muito tipicamente canina.

Como eu tenho um ponto fracos para animais, comecei a brincar com o bicho e a falar em baby talk que eu faço baby talk com os cães, é involuntário - encostado ao caixote do lixo.
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Quando olho para cima, vem na nossa direção um moço LIN-DO, todo cheiroso e arranjado, com umas belas pernas - e a fazer apitar todo o meu gaydar, que anda mais afinado ultimamente - a pedir desculpa muito embaraçado
"Ai desculpe, ele incomodou-o?  SPOT! Já te disse pra não saltares para cima das pessoas".

Podias saltar-me tu para cima, que eu dava a patinha, wink wink.
E se isto fosse uma comédia romântica, eu seria a Katherine Heigl - ou um qualquer equivalente - e ele achar-me-ia lindo interessante e... como é aquela palavra que usam muito nesses filmes? Ah, sim,,, único, e pedia-me o número de telefone, ou convidava-me para ir lá a casa tomar um vinho e ouvir Jazz na sala perfeitamente decorada dele, onde descobria que é médico, ou escritor - ou uma daquelas profissões que nos guiões parecem sempre sexy e apelativas -  enquanto o Spot me babava o colo e me comia pipocas, e passadas umas semanas estávamos a viver juntos acabando eventualmente por adotar uma criancinha indiana, uma menina chamada Padma ou assim.

Mas na realidade ele simplesmente pegou a trela azul, e arrastou o cão que por algum motivo me adorou de morte, e seguiu apressadamente para sabe Deus onde, ignorando completamente a minha falhada tentativa de fazer charminho mal lhe pus a vista em cima - afinal tentar meter conversa, causar boa impressão e parecer interessante só resulta se parecerem pessoas minimamente normais, não nas proximidades de uma lixeira..

Descobri há coisa de uma semana que ele não só é meu vizinho como mora no mesmo andar que eu, a 6 portas de distância e suspeito que pense que eu tenho muito mau gosto a vestir-me ou um parafuso a menos... ou os dois.

Oh well, já que nenhum homem me pega, posso sempre virar-me para os cães, porque o Spot cada vez que me vê abana o rabo e corre na minha direcção, mesmo que o dono puxe a trela com mais força e acelere o passo.


FML.

Verdade universal

terça-feira, 23 de setembro de 2014



Há pessoas que nasceram para ser sem graça. Pãezinhos sem sal. Murchas.
E por muito que se esforcem em ter conversas apelativas, vais sempre dar por ti a bocejar mentalmente a meio.

A odisseia dos preservativos

domingo, 21 de setembro de 2014



Então, um dia acordas da tua hibernação sexual, e apercebes-te que tens urgentemente que comprar preservativos.


Embora nos tenham ensinado a colocar o bendito preservativo, ninguém nos deu para as mãos naquela sala mofenta do ensino básico um "guia essencial para a correcta aquisição de preservativos".

Não senhor.

Aprendemos a tirar o preservativo da embalagem, a desenrolar ao longo de uma enorme banana
- o que em retrospectiva poderá ter causado nas nossas inocentes cabeças uma falsa ideia relativamente ao tamanho médio de um berimbau - , a tirar dar o nó e deitar fora, mas ninguém se preocupou com aquele fatídico momento em que queremos dar umazinha, estamos com pressa e temos que ir a um supermercado ou uma loja de conveniência de aspecto suspeito (daquelas que nem aceitam cartão de crédito) ás duas da manhã e vemos uma prateleira cheia de borrachinhas demoníacas à espera de serem escolhidas.

Podemos sempre remeter-nos àqueles oferecidos nos centros de saúde, ou nas cafetarias das universidades, mas acho que ninguém gosta da sensação de falta de circulação nas partes baixas - e com isto nem estou a dizer que sou um grande avantajado, sou apenas realista quando afirmo que os preservativos grátis são extremamente desconfortáveis, para ser simpático,


Então lá andamos nós perdidos em todo um corredor cheio de cores vivas, geles com sabores e acessórios vibratórios, a tentar não ficar estrangulado nem a boiar dentro do belo acessório de latex, tendo em conta que as medidas mudam de marca para marca, e dentro da mesma marca de modelo para modelo - o que é interessante tendo em conta que eu tenho mais que fazer do que andar a medir a minha pila, tipo... usá-la e assim.

Quando efectivamente nos decidimos por alguma embalagem chega a fatídica altura de pagar.

E há sempre aquela tentativa falhada de disfarçar.

Um inocente e nada convincente
"Não, eu não vim aqui comprar preservativos extra lubrificados com sabor a tutti frutti que brilham no escuro. O que eu vim aqui comprar foi esta revista sobre criação de labradores anões, e este pacote de pastilhas para a garganta".

E podes até levar 50 artigos.
Podes levar 500 euros em compras.
Mas, mal a pessoa da caixa põe a mão naquela caixinha colorida, vai olhar para ti, sorrir ligeiramente e olhar com olhar confidente, como quem diz "hoje temos festa, han meu sacana?"

enquanto tu pagas apressadamente e vais à tua vida, até à próxima vez em que seja preciso pagar uma exorbitância para dar meia dúzia de quecas sem engravidar ou apanhar nenhuma doença.


O outono vem aí e não podia estar mais ansioso.

Adoro o frio.
Os dias nublados que acabam em chuvadas intermináveis.
Os casacos, as botas, o guilty pleasure de saltar para dentro das poças no passeio quando ninguém está a ver.

O chocolate, os litros de chá fumegante e os filmes ligeirinhos na TV domingo à tarde com uma manta sobre as pernas.
É como se tudo se tornasse automaticamente mais romântico nas estações frias, uma espécie de universo alternativo tingido a sépia, onde comemos e engordamos que nem lontras mas ninguém repara porque todas aquelas camadas de roupa ajudam a disfarçar.

E depois para terminar em beleza, aqueles últimos momentos do dia, em que há a desculpa do frio para se enroscar confortavelmente na cama, até adormecer, com direito a cafuné e muito calor humano.

O que tecnicamente só é possível fazer acompanhado, obviamente.
Bem, à falta de calor humano, há sempre botijas de agua quente.... ou gatos.
É isso, acho que vou comprar um gato.
... ou três.

os gays também têm namoradas

domingo, 14 de setembro de 2014



Ora, algures no auge da minha fase bissexual - Oh, sim, eu fui "bissexual" um tempinho, quando percebi que definitivamente não era hétero, e que ser gay dava muito trabalho - apaixonei-me pela primeira vez por um rapaz.

E não foi daquelas paixonites ambíguas que pipocavam constantemente na minha vida - e que eu categorizava sempre de forma inevitável como uma "grande amizade", mesmo que durassem só umas semanitas, e tivessem direito a sonhos eróticos bastante bregas pelo meio - Não.
Teve direito a borboletas no estômago e todas aquelas mariquices muito típicas de primeiro amor.

Seria uma história linear, se o rapaz também não estivesse no armário - acho que o termo que se usa agora é g0y, modernices - e não quisesse pôr a sequer ponderar a hipótese de pôr um pé (ou uma mão, uma mãozinha faz toda a diferença, if you know what I mean) de fora.

Então, como boa bicha enrustida  e amargurada que era na altura, tomei a atitude mais lógica e racional possível para apaziguar o problema do coração partido:

Descobri a rapariguita mais desenxabida e sem graça da faculdade, dei-lhe uns bons dedos de conversa, pedi-a em namoro e ela aceitou.

Afinal, era natural, sendo eu "bissexual".
Aliás, havia aquele resquício de esperança de ser tudo uma fase, e acabar com uma ninhada de filhos numa casa num condomínio na Saldanha.

E aqui começou a minha curta incursão pelo mundo da heterossexualidade...

... que durou pouco menos de um mês, e percebi que não ia dar em nada porque por mais que me esforçasse, não deixava de pensar em rapazes, e a partir do segundo em que perdeu a novidade, o sexo era uma espécie de suplício, (não sou daqueles gays que encara uma vagina como um kraken desgovernado capaz de destruir continentes com o seu poder de sucção, mas não era propriamente uma ideia que me agradasse muito) e isso por si só já diz muito.

Admito que até hoje sinto um bocadinho de remorsos com tudo isto, mas hey, estava na altura da experimentação, e não nos casámos em Las Vegas, foi uma coisa ligeirinha, dentro dos possíveis.

Quando cheguei à conclusão que não havia volta a dar à coisa, levei-a a tomar um cafezinho, sentei-a numa esplanada e terminei tudo com ela, porque... Bem é óbvio porquê né.

E houve direito a todo um drama interminável e a tentativas de reconciliação - quando na verdade eu não estava zangado e isto não era o fim do casamento de dez anos - , e quando lhe disse que não estava mesmo interessado, passei subitamente a ser a bicha manipuladora que magicamente a convenceu a enrolar-se comigo, mesmo depois de ouvir milhões de vezes "Hm, querida, sabes, acho que o teu namorado é gay". 

Porque nestas histórias, a culpa é sempre toda do gajo.

Dúvida

sexta-feira, 12 de setembro de 2014



Sabendo que ser gay é determinado de nascença - não aberto para discussão - o que provavelmente é uma coisa genética, e que gémeos são pessoas geneticamente idênticas, é possível que dois gémeos idênticos tenham orientações sexuais diferentes?

O que acham?