O facebook é contra natura

segunda-feira, 29 de setembro de 2014



No outro dia, a meio de uma conversa com alguns colegas de trabalho, surgiu a já relativamente comum cobrança:
"Ah, nunca mais me adicionas no face(book)"
porque eu raramente adiciono pessoas na dita rede social, se não me apetecer lidar com eles fora do estritamente necessário.

E isto levou-me à constatação que dá título a este post:
O facebook é contra natura.

Sempre que se fala em facebook - ou qualquer derivativo social - a primeira ideia que se ressalva, é que é maravilhoso, porque afinal, permite a pessoas que perderam o contato há anos, reuniões emocionadas.

É pela internet que se reencontram velhos amigos de escola básica, antigos professores ou pessoas com as quais o contacto é praticamente inexistente há anos, ou até mesmo em alguns casos décadas.
Há toda aquela ilusão de que estamos a enriquecer as nossas vidas deixando entrar nelas aquelas pessoas que em tempos fizeram parte delas, como se todas estas conexões sociais sem as quais vivemos todo este tempo -e pelas quais na maioria dos casos, nem sentimos qualquer tipo de falta- fossem subitamente essenciais.

E o espectro ainda alarga mais, porque na prática, deixamos entrar nas nossas vidas através desta pequena maravilha tecnológica toda a gente com a qual temos pequenas interacções sociais,
Desde aquela pessoa que encontrámos numa festa de um amigo em 3º grau em comum, até àquela ex colega insuportável de universidade com 7 gatos e mania que é fotografa que gosta de partilhar fotos da comida cheias de filtros e hashtags..

E eu pergunto:
Mas de que forma é isto lógico?

Ora vejamos. Se há dez anos - hipoteticamente falando, porque nessa altura em tinha 15 anos e ainda não trabalhava - eu me integrasse numa equipa de trabalho, e simpatizasse com colega X, iria "perseguir" essa amizade.
Trocaria número de telefone, marcaria o ocasional café, faria programas com a pessoa, lembraria de aniversários e daria uma força quando visse fulano em situação mais complicada.

Do mesmo modo, não me esforçaria por saber da vida de colega Y, com o qual não tinha particular afinidade, e eventualmente o contato seria apenas profissional, morrendo na altura em que deixássemos de lidar um com o outro nesse âmbito.

Não por rancor ou inimizade, simplesmente por falta de interesse de ambas as partes.
É natural que tal aconteça... afinal é assim que funcionam as relações entre as pessoas.
Escolhemos quem queremos que faça parte da nossa vida, e quem não o faça.

Mas o facebook veio baralhar tudo isso, com o seu "adicionar amigo".
Coleccionam-se "amigos" como quem colecciona selos.
Toda a gente adiciona toda a gente, e dentro da telinha toda a gente é amiga de toda a gente, mesmo que na vida real não se suportem, ou mal se conheçam.

E se não te sujeitares a estas "socializações" forçadas, és um grande antisocial.

Pelo menos é o que me dizem, quando me recuso a adicionar essas hordes de pessoas com as quais não quero ter qualquer tipo de ligação porque sei que não vai resultar em nada senão em mais histórias desinteressantes de pessoas de quem não gosto a espreitar para o que eu faço ou deixo de fazer, só pelo bem estar de egos alheios.

Mas se calhar sou eu, que "às vezes tenho alma de velho".

Sexo sem amor... é vontade?

sábado, 27 de setembro de 2014



Então, quando estou solteiro, eu faço sexo casual.

Acontece quando acontece, tudo sem pressões, ou esforços hercúleos.
Conheço um gajo, marcamos um ou mais cafés, envolvemo-nos e vamos à nossa vida. Algumas vezes ficamos amigos depois, outras não, e se der ao caso até viramos fuck buddies e repetimos a dose.

Não é um bicho de sete cabeças.

Ou pelo menos não deveria ser, mas ainda é.

Cada vez que vem À conversa tal facto, recebo olhares de pena, - como se fosse a puta com coração de ouro da novela das oito, que anda a vender o corpo, até conhecer o seu par romântico, casar e virar católica praticante, fazendo só a missionária no segundo sábado de cada mês depois de preparar quiches para a quermesse da escola do filho mais novo. - e subitamente toda a gente acha que estou perdido emocionalmente e que preciso de orientação.

"Tu tens é que te apaixonar, só depois é que podes pensar em sexo"
ou
"Ai, mas sexo sem amor não é possível"

pautam sempre o início de longas dissertações sobre como estou a levar tudo pelo lado errado, e como devia ficar sentado num banquinho completamente celibatário à espera do principe encantado e gay, que, estatisticamente falando, pode muito bem nem vir a aparecer, porque assim é que se fazem as coisas, primeiro fico completamente embeiçado e depois, SE TIVER PACIÊNCIA é que temos uma noite de paixão exacerbada que vai saber muito melhor que qualquer sexo com desconhecidos que alguma vez possa vir a praticar na vida.
Tudo lições primorosamente decoradas dos milhões de livros românticos da Nora Roberts que leram nas férias de verão deitadas na toalha


E quanto tento explicar que não, não desisti de desenvolver uma vida amorosa estável - que aliás até é um prospecto bem interessante que eventualmente quero seguir, como praticamente toda a humanidade, por mais que o neguem. - , mas que amor e sexo não são a mesma coisa, só falta vestirem-me o colete de forças ali mesmo, porque não estou claramente bom das ideias, e estou obviamente condenado a passar uma existência miserável de solteirismo até ao fim dos meus dias.

Então, veio-se-me a dúvida:
Acreditam em sexo sem amor?
As duas coisas estão diretamente ligadas?

Lema de vida

sexta-feira, 26 de setembro de 2014


Todas as piadas que possam ser ditas sobre mim, eu já disse primeiro, e bem melhor do que quem as diz depois. Conheço o material e sei explorá-lo melhor do que ninguém.

Ouvi isto numa entrevista, e foi das coisas com que mais me identifiquei nos últimos tempos.
Especialmente porque acho que o caminho para a felicidade passa por não nos levarmos demasiado a sério.

Doggy style

quarta-feira, 24 de setembro de 2014



Então, eu sou um bocado preguiçoso.
Quando vou passear gosto de perder algum tempo a escolher mudas de roupa, mas fora isso, quando estou de folga ou simplesmente em casa tenho um fardamento oficial, que inclui barba por fazer, cabelo despenteado, e as minhas pantufas com 10 anos e a sola descolada (são de estimação), umas calças de pijama dignas do Aladino, e uma Tshirt do grupo regional de basquetebol, do qual fiz parte no inicio da adolescência, já meio larga e com a estampa desgastada,

Pareço um crossover entre o Johnny Depp quando é apanhado a ir ás compras numa qualquer loja de conveniência Domingo à tarde pelos papparazi, e um recém sem abrigo.

E podia nem ser problema, se eu tivesse vergonha na cara e me arranjasse cada vez que tivesse que fazer algum recado nas redondezas, mas tudo o que esteja a 200 metros da minha cama no meu cérebro ainda é minha casa, e lá vou eu ao correio, ao jardim, á reciclagem, e até receber encomendas nestes preparos, todo muito indigente-chic.(É um estilo, okay?)

Isto tudo só para vos dar uma situada.

No outro dia fui ao lixo, com umas olheiras imensas, phones nos ouvidos a cantarolar uma canção qualquer, quando, surgido do nada, um cachorro amoroso me salta para cima e quase me derruba enquanto me lambe efusivamente a cara e os braços numa felicidade muito tipicamente canina.

Como eu tenho um ponto fracos para animais, comecei a brincar com o bicho e a falar em baby talk que eu faço baby talk com os cães, é involuntário - encostado ao caixote do lixo.
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Quando olho para cima, vem na nossa direção um moço LIN-DO, todo cheiroso e arranjado, com umas belas pernas - e a fazer apitar todo o meu gaydar, que anda mais afinado ultimamente - a pedir desculpa muito embaraçado
"Ai desculpe, ele incomodou-o?  SPOT! Já te disse pra não saltares para cima das pessoas".

Podias saltar-me tu para cima, que eu dava a patinha, wink wink.
E se isto fosse uma comédia romântica, eu seria a Katherine Heigl - ou um qualquer equivalente - e ele achar-me-ia lindo interessante e... como é aquela palavra que usam muito nesses filmes? Ah, sim,,, único, e pedia-me o número de telefone, ou convidava-me para ir lá a casa tomar um vinho e ouvir Jazz na sala perfeitamente decorada dele, onde descobria que é médico, ou escritor - ou uma daquelas profissões que nos guiões parecem sempre sexy e apelativas -  enquanto o Spot me babava o colo e me comia pipocas, e passadas umas semanas estávamos a viver juntos acabando eventualmente por adotar uma criancinha indiana, uma menina chamada Padma ou assim.

Mas na realidade ele simplesmente pegou a trela azul, e arrastou o cão que por algum motivo me adorou de morte, e seguiu apressadamente para sabe Deus onde, ignorando completamente a minha falhada tentativa de fazer charminho mal lhe pus a vista em cima - afinal tentar meter conversa, causar boa impressão e parecer interessante só resulta se parecerem pessoas minimamente normais, não nas proximidades de uma lixeira..

Descobri há coisa de uma semana que ele não só é meu vizinho como mora no mesmo andar que eu, a 6 portas de distância e suspeito que pense que eu tenho muito mau gosto a vestir-me ou um parafuso a menos... ou os dois.

Oh well, já que nenhum homem me pega, posso sempre virar-me para os cães, porque o Spot cada vez que me vê abana o rabo e corre na minha direcção, mesmo que o dono puxe a trela com mais força e acelere o passo.


FML.

Verdade universal

terça-feira, 23 de setembro de 2014



Há pessoas que nasceram para ser sem graça. Pãezinhos sem sal. Murchas.
E por muito que se esforcem em ter conversas apelativas, vais sempre dar por ti a bocejar mentalmente a meio.

A odisseia dos preservativos

domingo, 21 de setembro de 2014



Então, um dia acordas da tua hibernação sexual, e apercebes-te que tens urgentemente que comprar preservativos.


Embora nos tenham ensinado a colocar o bendito preservativo, ninguém nos deu para as mãos naquela sala mofenta do ensino básico um "guia essencial para a correcta aquisição de preservativos".

Não senhor.

Aprendemos a tirar o preservativo da embalagem, a desenrolar ao longo de uma enorme banana
- o que em retrospectiva poderá ter causado nas nossas inocentes cabeças uma falsa ideia relativamente ao tamanho médio de um berimbau - , a tirar dar o nó e deitar fora, mas ninguém se preocupou com aquele fatídico momento em que queremos dar umazinha, estamos com pressa e temos que ir a um supermercado ou uma loja de conveniência de aspecto suspeito (daquelas que nem aceitam cartão de crédito) ás duas da manhã e vemos uma prateleira cheia de borrachinhas demoníacas à espera de serem escolhidas.

Podemos sempre remeter-nos àqueles oferecidos nos centros de saúde, ou nas cafetarias das universidades, mas acho que ninguém gosta da sensação de falta de circulação nas partes baixas - e com isto nem estou a dizer que sou um grande avantajado, sou apenas realista quando afirmo que os preservativos grátis são extremamente desconfortáveis, para ser simpático,


Então lá andamos nós perdidos em todo um corredor cheio de cores vivas, geles com sabores e acessórios vibratórios, a tentar não ficar estrangulado nem a boiar dentro do belo acessório de latex, tendo em conta que as medidas mudam de marca para marca, e dentro da mesma marca de modelo para modelo - o que é interessante tendo em conta que eu tenho mais que fazer do que andar a medir a minha pila, tipo... usá-la e assim.

Quando efectivamente nos decidimos por alguma embalagem chega a fatídica altura de pagar.

E há sempre aquela tentativa falhada de disfarçar.

Um inocente e nada convincente
"Não, eu não vim aqui comprar preservativos extra lubrificados com sabor a tutti frutti que brilham no escuro. O que eu vim aqui comprar foi esta revista sobre criação de labradores anões, e este pacote de pastilhas para a garganta".

E podes até levar 50 artigos.
Podes levar 500 euros em compras.
Mas, mal a pessoa da caixa põe a mão naquela caixinha colorida, vai olhar para ti, sorrir ligeiramente e olhar com olhar confidente, como quem diz "hoje temos festa, han meu sacana?"

enquanto tu pagas apressadamente e vais à tua vida, até à próxima vez em que seja preciso pagar uma exorbitância para dar meia dúzia de quecas sem engravidar ou apanhar nenhuma doença.


O outono vem aí e não podia estar mais ansioso.

Adoro o frio.
Os dias nublados que acabam em chuvadas intermináveis.
Os casacos, as botas, o guilty pleasure de saltar para dentro das poças no passeio quando ninguém está a ver.

O chocolate, os litros de chá fumegante e os filmes ligeirinhos na TV domingo à tarde com uma manta sobre as pernas.
É como se tudo se tornasse automaticamente mais romântico nas estações frias, uma espécie de universo alternativo tingido a sépia, onde comemos e engordamos que nem lontras mas ninguém repara porque todas aquelas camadas de roupa ajudam a disfarçar.

E depois para terminar em beleza, aqueles últimos momentos do dia, em que há a desculpa do frio para se enroscar confortavelmente na cama, até adormecer, com direito a cafuné e muito calor humano.

O que tecnicamente só é possível fazer acompanhado, obviamente.
Bem, à falta de calor humano, há sempre botijas de agua quente.... ou gatos.
É isso, acho que vou comprar um gato.
... ou três.