Sou uma pessoa demasiado sexual - Vá, digam lá, homo. - nunca tive problemas existenciais com isso, Sei aproveitar o ato em si, e todo o afterwards, um bocado como aquelas pessoas que vão para o ginásio porque se sentem bem.
E acordo muitas vezes num mood puta e penso que vou saltar na cueca do primeiro rapaz que me der abertura - sem trocadilho intencional -, rasgar-lhe a roupa cobri-lo de chocolate e partir a cama.

E isto seria ótimo, maravilhoso, fantástico, e extremamente descomplicado... não fosse o pequeno facto de ser também um romântico brega, Daqueles que se apaixonam com uma aragem de vento e fazem planos para um casamento digno de stepford.
E então acordo tantas outras vezes a pensar, que quero antes longas conversas profundas, andar de mãos dadas e adormecer abraçados depois de ver um filme lamechas a comer chocolates.

E há dias em que me apetecem os dois.
O que leva inevitavelmente a uma batalha de consciências,

E vocês?
Pendem mais para o lado romântico, ou para o lado carnal?
Acham que é possível ser-se completamente balanceado, ou tendemos sempre para mais uma coisa que outra?

Ainda Há românticos


Depois de muita insistência, trocamos contactos.
Não que me apetecesse particularmente, mas não se passava nada de interessante na altura e já diz o outr. Àgua mole em pedra dura...
Queres combinar qualquer coisa? És giro, Pareces interessante.
[Interessante? Mas nunca falaste comigo.... Oh Well] Fala-me primeiro um bocadinho de ti. És daqui de perto? O que gostas de fazer?
Hmm, Sou daqui sim, Gosto de uma boa Mamada, e de apalpar. De um bom cu. Também gosto de morder Sou ativo. e gosto a três.
... .....Hm... estava a falar tipo de hobbies e assim?
Ai não, disso nunca experimentei.
Hm [rindo internamente]... pois. E onde querias combinar o café?
Pode ser no meu carro.

Escusado será dizer que depois de chegar à conclusão que o carro dele não era uma máquina da nespresso, nunca mais nos falámos e o mandei ir dar uma volta, já que tomar no cu não estava na sua lista de opções previstas.

Haja romance.

Amor e uma cabana, é o que se pede.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014



... Mas uma cabana com condições, pelo menos com Wireless e um frigorífico.

Qual é o equivalente moderno ao intemporal "amor e uma cabana?"
Tesão e um duplex?
Paixão e uma vivenda?
You tell me about it.

A "temática" gay

terça-feira, 2 de dezembro de 2014



Lembro-me de aqui há uns tempos atrás ter havido todo um escândalo por terras de Vera cruz, porque depois de criarem um personagem gay - a mítica diva Félix - lhe deram em horário nobre, direito a um final feliz com direito a beijo de língua.

E houve pelas redes sociais uma inflamada discussão sobre o assunto.
Se por um lado tínhamos os habituais protestantes, a reclamar usando Jesus como escudo, por outro tínhamos os apologistas, que gritavam a plenos pulmões que era uma ideia vanguardista e que representava os gays pelo mundo fora, abordando a temática gay.
O assunto morreu, enterrado pelas 6546476541 novelas produzidas nos meses seguintes.

Curiosamente, comecei a reparar que cada vez que uma produção portuguesa inclui um personagem gay, é a mesma rotina, que se veio a repetir agora com a estreia daquele pavoroso filme com o Diogo Morgado, virados do avesso (que devia ser virado do estômago, mas whatever)

"Ai, a novela X aborda, a temática gay"
"Podemos ver no telefilme por outro prisma a temática gay"

Sim, eu sei que produções nacionais - e novelas num geral - não são definitivamente a melhor plataforma para procurar por credibilidade, mas, todo esse sururu existe porque alguém tem a infeliz ideia de criar um gay estereotipado com mais de 10 minutos de aparição no ecrã.

E acho que a ideia é fazer com que nós, bichas noveleiras nos sintamos representados, mas pelo menos comigo nunca aconteceu.
Porque a partir do segundo que aparece um gay numa novela, esse vai ser o único ponto focal de toda a personagem.

Temos Gina, a mocinha determinada que é arquiteta e gosta de cantar que se apaixona pelo Roberto, que é sensível e sexy e dono de uma fábrica de garrafas de plástico, enquanto a Marinalva os tenta separar usando os seus dons como psiquiatra, e toda a gente tem uma história de fundo, até a empregada da cafetaria da esquina...
E depois, temos o Roberto, que é o gay.

E que se limita a ser gay, e a falar de como é dificil ser gay, e a fazer o mundo aceitar que são gays pelos 500 episódios da novela, porque é essa a temática, e é assim que todos nós nos comportamos no dia a dia.


E deixo a caixa de comentários aberta para vocês

Dia mundial da Luta contra a sida

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014


Nunca fiz o teste.
Eu sei que é gratuito e confidencial, fácil e rápido, mas nunca o fiz.
Porquê?
Porque tenho medo.
A espera angustia-me, e a possibilidade - ainda que remota - de vir um positivo na folha, afastam-me dos testes como o diabo da cruz.
Mesmo tendo sempre sexo seguro e evitando comportamentos de risco, e estatisticamente não tendo poucas probabilidades, nunca tive coragem para o fazer.
Eventualmente hei-de o fazer, e provavelmente não vai dar em nada, mas por agora não consigo.

E vocês?
Já alguma vez se testaram?
Alguma vez tiveram comportamentos de risco?

Sabedoria da noite

domingo, 30 de novembro de 2014


"Amo-te" é tipo peido. as pessoas deviam conter-se antes de os largarem sem aviso.

O "discreto"

quinta-feira, 27 de novembro de 2014



Já há imenso tempo que não falava de nenhuma das minhas desventuras romanticosexuais, por isso preparem-se para mais um capítulo:

Conhecemo-nos e trocámos contactos.
Disse-me que não era assumido, que era "discreto", e nem me interessou particularmente.
É uma coisa muito pessoal, não é factor condicionante para mim.
Era super reservado, misterioso.
Vocês sabem o tipo, quanto menos vos diz mais vocês querem saber .

Todo este mistério, e o facto de ele estar muito interessado em mim, só me chamava mais a atenção.
Falávamos regularmente, mensagens, telefonemas a altas horas da noite e volta e meia uma videochamada. Todos regados com toda aquela tensão sexual muito típica de engate recente, com jorros de elogios e muitas falinhas mansas (oh, como eu adoro falinhas mansas).
Combinámos um encontro, queria mostrar-me as estrelas e passear comigo de mãos dadas á beira mar.
E sim, eu sei que é a linha de engate foleiro mais velha da história da humanidade, e que ninguém cai nestas coisas, mas eu fico automaticamente encantado com romantismo barato, portanto, lá fomos ver as estrelas.

Conversámos um bocado, e acabámos, com a maresia a bater-nos no cabelo, a lua cheia a iluminar a paisagem e a... Ahm... ver as estrelas... no capô do carro dele.
(E foi ótimo, nem me arrependi particularmente, se quisesse ser celibatário ia pra Padre)
Quando efetivamente ficámos a ver as estrelas abraçados, falámos de várias coisas.

Lembro-me de lhe ter dito meio a brincar, que a primeira coisa que fiz quando o vi, foi reparar se tinha aliança, porque não queria um caso.
Apressou-se a descansar-me, a dizer que não tinha ninguém, e ficou meio envergonhado, e mudou o assunto, mas não liguei.

Findo o "encontro" desapareceu do mapa.
Fiquei ligeiramente desapontado - Não estava á procura de nada particularmente sério nem me pus imediatamente com fantasias de ter arranjado um namorado instantâneo, mas não deixa de ser chato né - mas não morri com isso. passaram-se uns dias e ele reapareceu das cinzas, todo entusiasmado, cheio de saudades, e com uma conversa da tanga de que não tinha tido tempo nem tinha recebido as minhas mensagens.


Voltámos a combinar outro encontro, desta vez, na zona onde ele morava, porque me disse entusiasmado, que tinha sítio onde ficarmos - e convenhamos que por mais excitante que seja, fazer sexo no carro cansa um bocado - e que podíamos ir passear, que estava com saudades minhas e queria muito estar comigo.

E lá me meti no carro para ir ter com ele, com a minha infalível - e sempre ignorada nestas situações - intuição a apitar que tresandava a má ideia, mas o coração a dizer "pára de seres desconfiado Miguel, ele até é um gajo porreiro" e o corpo a dizer "Ahm, aproveita, uma queca é uma queca"

Pus-me no carro e fui rumo á aventura, como aliás gosto de fazer.
Liguei o GPS para encontrar o sítio combinado, e alguma força divina fez o GPS indicar-me o caminho errado por 3 vezes.

Quando o parei para confirmar o local, a bateria morreu completamente e o carro não pegava por nada deste mundo.
Fiquei sozinho à beira da estrada deserta no meio da noite sem conhecer o local onde estava,e acabei por lhe pedir para me vir buscar.

E a partir daqui começou tudo a descambar.

Cumprimentou-me com um passou-bem, e prometeu que depois me ajudava com o carro, deu-me boleia para "o sítio" que era uma arrecadação na casa de não sei quem, porque "tinha gente em casa".
Acabámos por não ir dar o tal passeio porque "tinha que ir para casa".

E por muito crédulo que eu seja, sejamos honestos, por esta altura eu já estava a achar tudo muito mal contado, mas não me podia queixar muito, porque hm, estava sem carro e não me parecia boa estratégia ficar no meio de nenhures depois de pedir satisfações.
Vou ligar ao meu irmão, ele tem uns cabos de bateria, peço lhos emprestados.
E deixou-me dentro do carro, enquanto ligava ao irmão.
Feliz ou infelizmente, a conversa ouvia-se toda mesmo com a porta fechada, e eu, como bom curioso que sou, ouvi.
"Oh, é que eu preciso dos cabos, é a tua mãe que os tem?(...)"
Hmm... talvez sejam meio irmãos, é completamente possível.

"(...)Okay amor, mas vai dormindo que como te tinha dito, hoje tinha aqui coisas para fazer(...)"
... amor? Ehr... se calhar são mesmo muito próximos?
"(...)Okay, quando chegar, se não estiveres acordada, eu acordo-te como tu gostas"
... acordada?
...se calhar é transexual?
... mas ...como tu gostas? Hmm....


Eventualmente deixei de ouvir a conversa porque comecei a fazer conjeturas para justificar aquilo, porque tinha que ser tudo uma coincidência.
É isso, eu percebi tudo mal, pelo amor de Deus, silly me.

Lá conseguiu os cabos, que estavam com a tal senhora, que lhe ligou de seguida, e mesmo que ele apressadamente desligasse o telemóvel, não deixei de ver no ecrã do telemóvel SOGRA em letras bem gordas.

Resolvi fingir que não percebi nada.
Afinal, a minha poker face é bastante boa, e honestamente não achei que valesse a pena o drama, se já me tinha mentido até então, não ia subitamente ganhar uma consciência e pedir-me desculpa.

Quando nos despedimos, deu-me novamente um passou-bem, e eclipsou-se mais uma vez do mapa, enquanto eu pensava na ironia, de ter sido a sogra do meu encontro a ajudar o meu carro a arrancar de empurrão quando ele de empurrão comigo umas horinhas antes.



Mandou-me ontem mensagem, a perguntar se queria ir ver as estrelas com ele.
Não sei se convido a namorada ou a sogra, para assistir.