A pedido de muitas famílias*...

segunda-feira, 20 de abril de 2015


Cá está uma foto - que fui tirar de propósito praqui pro estaminé porque também tenho direito de ser féshio bloguér - da aventura culinária do dia. Falafel feito em casa salada de pipino e molho de diaugurte com hortelã (isto é mesmo um lazy post pra não pensarem que morri)
...*Okay, tecnicamente foi só o Oceano que pediu, whatever.

Eu não quero ser gay

quinta-feira, 16 de abril de 2015



Durante anos a fio, este foi o meu mantra.
Vivo num meio relativamente pequeno.
Uma aldeia promovida a cidade, que de cidade só tem o título e o fluxo turístico.

Quando comecei a aperceber-me do que era, pensei que fosse uma fase.
Afinal, quando somos novos, sabemos lá o que queremos, não é verdade?
O background religioso da minha família ajudou a incitar o medo.
Afinal é completamente contra tudo o que é livro religioso.
Era certamente uma fase.
Cheguei a rezar para que o fosse.
Uma fase bastante longa.
Qualquer dia acordava e passava a olhar para mamas com aquele olhar devasso muito típico dos putos de 15 anos cheios de borbulhas e hormonas.
Mas o tempo foi passando... e a fase não.

Eu não quero ser gay

Meti-me no desporto - mesmo sendo a criatura mais preguiçosa do planeta - talvez precisasse de um banho de testosterona, porque como bom cliché gay que sou, 99% das minhas amizades tinham vagina.
Acabei por desistir do basquetebol quando vi que era pior a emenda que o soneto, porque  claro que me saiu o tiro pela culatra, e acabei dois anos a jogar basquetebol com 20 rapazitos da minha idade, e a evitar de morte os balneários, porque aquele cheiro a homem suado dava cabo da minha "fase".

Eu não quero ser gay
Não podia ser gay.
Afinal, não era como os gays da TV [que eram literalmente a única referência que eu tinha na altura, para além do puto na minha escola que era drag queen e agora anos mais tarde mudou de sexo] e não conhecia nenhum outro gay.
Ao contrário da capital, onde em baixo de cada pedra de calçada há 50 gays a abrirem um bar com gogoboys e white parties temáticas, por aqui ainda hoje em dia continua a ser visto como uma coisa extremamente aberrante, motivo de silêncios demorados e olhares reprovadores.
Passei todo o secundário num armário de vidro, onde toda a gente via a imensidão da minha homossexualidade, menos eu, com a cabeça enterrada na areia, cheio de medo de ser ainda mais mal tratado, por uma coisa que não tinha escolhido.
Sentia-me uma fachada mal conseguida, através da qual todos conseguiam ver.

Eu não quero ser gay
Os gays não casam não têm filhos, e trocam de namorado por um modelo mais novo quando as rugas assentam e a diversão acaba. E não queria andar nessa vida infeliz e encalhado e a saltar de cama em cama por não arranjar ninguém - o karma é fodido, I know - porque era a única noção que tinha.

Foi preciso entrar para a faculdade para conhecer pela primeira vez um gay em carne e osso (relativamente mais fora do armário que eu, mas ainda assim muito secretivo sobre as coisas.)
E não era nada de especial, bastante decepcionante até.
Não me pareceu extremamente infeliz e miserável, não era excessivamente exagerado nos maneirismos, nem passava a vida nas orgias.
Um a um, os meus preconceitos foram desabando.
Os medos esses, continuavam todos lá, de pedra e cal.
Até hoje não percebo muito bem do que tinha tanto medo.
Mas tinha.
Acho que no fundo não queria desiludir ninguém.
Afinal, sou o filho único a acabar com o legado da família- porque cu não faz filho ainda né non - e todo o drama associado a ele.

E um dia, tudo se descomplicou.
Parece que se desfez um nó na minha cabeça.
Tudo deixou de importar, uma epifania que fez ruir as paredes que andei a erguer anos e anos
E foi como se saísse pela primeira vez de debaixo de alguns escombros esquecidos num tsunami que arrasou a minha costa mental e conseguisse respirar.

Nos dias particularmente difíceis, depois da 2154516512ª tampa do semestre - sinto-me a taylor swift dos gays às vezes - , lembro-me disto, e mesmo que as coisas não corram sempre como eu quero, consigo dizer que  partir do segundo em que te aceitas, tudo melhora.

só para variar um bocadinho, e porque hoje estou lamechas. o blog é meu.

Tem que se beijar muitos sapos até se encontrar o príncipe...

quarta-feira, 15 de abril de 2015


...Mas pelo amor de Deus, né, começo a pensar que estou preso numa reserva de vida anfíbia do amazonas.

Feliz dia internacional do Beijo

segunda-feira, 13 de abril de 2015



Dêem corda ás línguas e vão praticar.
that's an order.


Como tirar a Dick pic perfeita

domingo, 12 de abril de 2015



Ora, tenho visto imensos guias nos jornais online, magazines e derivados.
Dicas de como tirar melhor proveito dos filtros do instagram, Dicas para as melhores fotos de comida possíveis, Dicas para fotos de grupo com pouca iluminação Dicas para obter a selfie perfeita.
Até há dicas de como usar o selfie stick... mas e o outro stick?

Como capturar toda a sua magnificência de forma fotográfica?
Como potenciar exponencialmente aquele momento mágico em que por curiosidade, aborrecimento, ou por simples conquista largamente romântica, um ecrã de telemóvel - ou computador se forem completamente risqué - se acende em deleite com a assombrosa presença do nosso vigoroso adamastor júnior.

Afinal, quem nunca tirou uma dick pic?  .
Para além de vocês meninas que obviamente não tiram dick pics... porque não têm pirilau.- agora é aquela parte em que me dizem todos "eu nunca!" e eu me fico a sentir uma rameirona, mas hey, adiante.

Como estamos em pleno século XXI, e este é um nicho de mercado com necessidade de ser explorado, achei por bem deixar aqui algumas dicas para que as vossas fotos íntimas fiquem para sempre na memória de quem as visualiza, sejam conquistas, vizinhos, ou até a vossa avó.
Whatever floats your boat.
Têm lápis e bloco de notas? Então tomem nota


Saibam o material com que trabalham.
Afinal, é o passo mais importante, porque o melhor marketing é o auto marketing.
Não queiram ser como o Lidl e vender carne de cavalo como lasanha de vitela.
Aconselho uma boa poda, afinal árvore sem arbustos tem o tronco maior.

Ângulo, ângulo, ângulo.
É tudo uma questão de perspectiva, do ângulo até uma salsicha de cocktail parece a torre eiffel.
Tentem várias posições, um bocado em homage às meninas e as suas técnicas para obter a melhor foto possivel do decote na praia.
Escolham uma boa iluminação, e uma tarde em que estejam particularmente inspirados... se é que me faço entender.

Evitem comparações
A não ser que tenham um tripé, evitem objectos de grande porte, bananas, pipinos, tablets, pistolas, pizzas familiares, remotes de Tv - nem estou a inventar alguns destes exemplos.
A ideia é parecer maior. Não mais pequeno.

Sejam criativos
... Mas não demasiado. Afinal é uma dick pic, não é a capa da vogue.
Querem maravilhar a vossa audiência, não deixá-la confusa

Se nenhuma destas maravilhosas dicas vos ajudam, têm sempre a dica infalível:
Não enviem Dick Pics
...Marquem um encontro e mostrem ao vivo.
Afinal uma foto não preenche o vazio que a coisa em carne e osso - no pun intended. para além de ser muito mais divertido ao vivo.

E passo-vos a palavra.
Alguma vez tiraram uma dick pic (ou uma foto badalhoca num geral)?
E alguma vez receberam?
Alguma memorável ou particularmente constrangedora?

Bom resto de fim de semana, ponham em prática as minhas dicas e digam-me como correu!
Se quiserem que eu veja a vossa dick pic, podem enviar mail para OMGasérioqueestãoaapontaroemail?@tarados.com

O daddy sem sugar

quinta-feira, 9 de abril de 2015


Então, a dada altura da minha vida, - não interessa quando - tive que satisfazer a minha curiosidade inata em dormir com um homem mais velho.

Motivado por aquele velho ditado, Panela velha faz boa sopa, e pelo facto de me apetecer uma boa sopa, lá fui eu explorando o desconhecido.
Não tenho que explicar a ANALogia pois não?

Chegados ao café a curiosidade mal disfarçada falou mais alto, e acabámos a estudar-nos mutuamente de alto a baixo.
Não era particularmente atraente - não que isso seja para mim fator determinante - tinha uns olhos muito bonitos, era baixo e tinha umas mãos enormes.
Se isto fossem as cinquenta sombras de grey ou outro qualquer livro erótico digno do título de mommy porn,  podia dizer que senti o seu olhar de desejo ardente, e formou-se entre nós uma silenciosa atração pulsante, que quase me fez rasgar as roupas na esplanada ensolarada e possuí-lo com paixão.

Mas não é, por isso digo, que o senhor foi extremamente... vocal sobre as suas preferências sexuais.
Acho que nunca na minha vida me tinha sentido tão constrangido como naquele momento em que naquele sotaque ferrenho de homem do norte me disse em voz bem alta.
Ah, eu gosto muito de ser passivo, adoro uma boa penetração, uma boa espada na cama, um homem que me coma e me deixe a pedir por mais. Claro, preciso de uns bons preliminares. de Beijar muito, de sentir contacto humano.
Isto em plena esplanada em hora de ponta com famílias inteiras a aproveitar o seu pastelinho de nata e galão com criançada, o cão o gato e o periquito.
Podia ter-me levantado, ter saído porta fora,
Podia ter apagado o contacto do senhor e não ter feito nada e fingido que nunca nada tinha acontecido, mas hey, já que ali estava deixava rolar.
Combinámos um encontro mais... intimo, durante a noite.

Podia armar-me em virgem ofendida e dizer que "aconteceu" e "não estava à espera" ou que foi um acaso" mas não tenho pudores em dizer que quando a lua me bate até a salsicha grelha.
Era esse o intuito e queríamos os dois o mesmo.

Okay pessoas, fica a dica universalmente transmissível:
Quando dizem a alguém, Ah e tal, eu gosto muito de beijar, é melhor que beijem bem.
Durante umas horas, suspeito que tenha estado aos beijos com um arraçado de vaca e piranha porque ora me passava a língua pela cara, ora me mordia com imensa força. tive que lhe dizer umas quantas vezes para parar, ou que lhe beijar o pescoço para disfarçadamente afastar a minha cara daquele filme de terror classe C que decorria nos andares de cima.
Se quiserem ler a cena de sexo, volto a redireccionar-vos para as 50 sombras de gray, ou um livro da harlequin, ou mommy porn num geral.
Terminado o kay kay, - que não foi absolutamente nada de especial- senti-me exatamente como da primeira vez que provei caviar.
Onde estava o orgasmo monumental?
E todos aqueles anos extra de experiência?
Ultrajante. vou ligar à DECO.

Convidou-me para ficar a dormir lá durante o fim de semana, e não queria de forma nenhuma que me fosse embora. Por uns momentos achei que fosse acabar na capa do correio da manhã, encontrado num barranco próximo, depois de uma "discussão gay".

Quando pensei que as coisas não podiam piorar, ele resolveu que queria uma sessão de cuddling.
Não me interpretem mal, eu sou adepto e praticante da arte do cuddling, mas geralmente não quando tenho um preservativo usado na mão, estou nu, e o meu parceiro resolve deitar-se em cima de mim a morder-me a cara e chamar me garanhão safado, enquanto na TVI passava um reality show rasca qualquer.
Quando me consegui safar, dizendo que tinha compromissos de manhã, consegui a proeza de arrancar o carro em terceira, e acelerar até ao horizonte, para nunca mais voltar.

No dia seguinte mandou-me mensagem.
Tinha gostado muito, estava dorido, queria repetir. mas não se lembrava do meu nome.

Rabos

Deixa estar filho, tu não gostas de rabos, como eu

Eu sei que foi tirado do contexto, e que estávamos a falar sobre bacalhau, mas Deus nosso senhor sabe bem a força que eu fiz para não gargalhar à mesa com esta afirmação.
Ironias do destino.