O professor

quinta-feira, 30 de abril de 2015



Conhecemo-nos e trocámos contacto - não interessa onde nem como, porque na realidade, o resultado vai dar sempre ao mesmo.

Achei-lhe piada, pareceu-me diferente e interessante.
Era professor, culto educado, e [aparentemente] romântico - vendo em retrospectiva... não são todos online? - os costumeiros elogios por educação rapidamente se transformaram em conversas pelo dia fora, tudo muito cheio de charme e provocações sugestivas.
Depois de algum chove e não molha, acabámos por conciliar horários e combinar um encontro, num dos cafés daqui da zona.

Não sei se fazem compras online, pelo ebay, ou até por alguma loja de roupas, mas todo o encontro pode resumir-se àquele fatídico momento em que abrem uma encomenda, que supostamente contém uma camisa em promoção, num maravilhoso verde abacate e em linho, abrem o pacote da, e têm uma camisa de poliéster verde alface dois tamanhos abaixo do que vocês pediram.

Cumprimentámo-nos, deu-me uma caixinha de chocolates - o que foi extremamente amoroso - começámos a falar, e a conversa simplesmente não fluía.
Provavelmente deixou toda a lábia algures no porta malas, e trouxe consigo a personalidade de um intercomunicador de condomínio com mensagem automaticamente gravada.
Dei por mim diversas vezes a puxar a conversa para evitar aqueles silêncios constrangedores enquanto ele me dava pequenas palestras de 30 minutos de cada vez sobre os regulamentos da escola onde trabalhava.
Era claramente mais velho do que me tinha dito - não que idade seja requisito -, e fez questão de o frisar umas quantas vezes com pequenos statements completamente fascinantes como "Tenho idade para ser teu pai" ou "no meu tempo..."

E fica a dica, se estão a sair com alguém com metade da vossa idade... tentem não o mencionar a toda a hora. Uma questão de marketing. despoletar daddy issues, não é o mesmo que despoletar uma crise de consciência.

Parecia irritado com alguma coisa, toda a conversa levada muito na defensiva, e eu, como boa pessoa que sou, desculpei-o primeiro com os nervos de primeiro encontro, e depois com a provável falta de sono por causa do trabalho.
todas as desculpas se eclipsaram naquele fugaz momento, em que eu eu pensava que a noite não podia ficar mais estranha, e levo com um condescendente
"Então, e já sabes o que queres da vida?"
"Hm?"
"Sim, já sabes o que queres? Já que andaste a chafurdar na rata"
E subitamente estava no programa da Fátima Lopes, a ser entrevistado pelo polígrafo e a ter que explicar porque é que sabia que sou efetivamente gay, visto - e estou a citar -  "não ser um gay genuíno". como se fosse antes uma cópia, uma bicha contrafeita à venda na feira da ladra, porque num laivo de ousadia meti o salsichão na arca errada.

Encontro - finalmente - terminado, cada um vai à sua vida, e pensei nunca mais ouvir nada do senhor, porque acho que até das futuras colónias de marte se conseguia ver o quão mau foi aquele encontro.
...Pensava eu.
Chego a casa, e tenho uma alegre mensagem á minha espera
"Então, o que achaste?"
Então... mas ele não estava lá?
"Ehrm... foi... interessante"
"Ah, eu achei te mais gordo que nas fotos. és bonito, mas não és demasiado bonito, por isso não estás fora da minha liga, e tive imensa vontade de te pregar um beijo"

portanto, recapitulemos, chamou-me gordo, feio e disse que me queria beijar.
Ainda a tentar responder de forma politicamente correta, enquanto ele queria uma resposta mais elaborada, uma quantificação, se calhar confundiu-se e pensou que estava a corrigir testes, ou a dar notas a exames, em vez de falar de encontros.
Antes de ter tempo de elaborar a minha explicação simpática - porque como boa pessoa que sou, tenho sempre imensa pena de dar com os pés, e acabo a arrastar situações por tempos inimagináveis - de como não estava minimamente interessado em continuar a vê-lo, a conversa continua:
"Pois, mor - oi? - é que eu não posso ser passivo. fui operado duas vezes ás hemorróidas e sofri infernos com isso, por isso não posso ser penetrado, não te conseguiria satisfazer nesse campo. mas podemos fazer outras coisas interessantes"
seguido de um:
"Mas também, sou baixinho e tenho a pila pequena, por isso fica à tua consideração" 
Não sei, talvez seja eu que sou mesmo muito novo, e há vinte anos, falar de hemorróidas e de dimensões penianas depois de um primeiro encontro fracassado sem absolutamente química nenhuma, fosse um acto de supremo sex appeal, mas por algum motivo... comigo não resultou.

Rescaldos

quarta-feira, 29 de abril de 2015



Começo a convencer-me que esta coisa dos encontro é para pessoas que tenham sorte.
Que não é o meu caso.
Vou tomar um banho de sal grosso amanhã a ver se liberta o exú.
O que me salva é chegar a casa e ver o meu Adamzinho todo seqsse a dar á anca.
... Ao menos alguém que dê à anca, não é mesmo.

Como me conquistar em 45 segundos

segunda-feira, 27 de abril de 2015




Acho que vou começar um programa, "ofereça um dicionário ao seu engate"

Projetos

sábado, 25 de abril de 2015


Depois de uma maravilhosa discussão com alguém acerca de um projeto conjunto, e depois de me atirarem em cara uma colaboração que nem pedi, cheguei à conclusão, que se queres algo bem feito, tens mesmo que ser tu a fazê-lo sozinho.
Fiquem atentos blogosfera, fiquem atentos.

Sabes que és gay quando:

quinta-feira, 23 de abril de 2015


Tens um conflito moral interno uma vida inteira.
Uma pontada de culpa que se intensifica cada vez que tens uma desventura romantico-sexual, e na fúria do momento, te vês obrigado a dizer uma daquelas célebres frases imortalizadas pelas 50 mil comédias românticas que assististe ao longo dos muitos domingos à tarde sem nada para fazer sentado no sofá:
"Os homens são todos iguais"

Porque nessa altura, te sentes em igual medida vingado, e um idiota.

O melhor encontro de sempre

quarta-feira, 22 de abril de 2015


Tinha sido uma semana péssima, a juntar a tantas outras semanas péssimas que se sucederam em catadupa.
Os amigos, ocupados com o trabalho e com as próprias vidas, não me serviram de grande consolo, e o namorado imaginário infelizmente também não soube desempenhar o seu papel.
Uma onda de autocomiseração abateu-se sobre mim, qual tsunami psicológico, quando caí no erro de me pesar e reparar que engordei 5 quilos, rapidamente atribuidos aos ataques de gula e ás invasões madrugadoras ao frigorífico para roubar cheesecake e bolo de bolacha.

Todas as energias foram pelo mesmo ralo que o dinheiro do mês, e dou por mim, à uma da manhã de sexta feira sentado na cama de robe e manta com uma caneca de chá, assistindo um episódio da minha série de culto - desperate housewives - a ponderar em que encruzilhada da vida dei o pisca para o lado errado, para estar tão miseravelmente infeliz, sem direito sequer a um gato para preencher o vazio que nenhum brinquedo de sex shop alguma vez conseguirá.

Nesse preciso momento, qual sinal divino, o ecrã do telemóvel acende-se em todo o seu esplendor, vibrando alegremente qual bóia de salvação da noite para maiores de 70 anos que se estava a formar no meu quarto.
Um rapaz qualquer aqui das redondezas viu o meu perfil.
"Olá, és giro. queres vir cá a casa?"
"...Olá . Aí a casa?"
"Sim"
"... Fazer?"
"Sei lá... conhecermo-nos melhor, conversar e assim"
vamos abrir um parênteses para o facto de ser uma da manhã, eu estar de pijama, carente e miserável, sem chocolate no armário nem homem na cama. Para isso e para o pormenor mais que muito lógico de que não existe homem nenhum neste planeta a convidar desconhecido/as para sua casa a meio da noite sem segundas intenções. 
"Hm, okay, porque não?"
Na minha cabeça, um encontro duvidoso parecia melhor alternativa que encontro absolutamente nenhum. e do ponto de vista puramente comercial, se não expuseres o produto, ele não vende, não é verdade.
E lá me pus eu no carro, e guiei 5 minutos a pensar se não ia ser assaltado e morto e ninguém ia saber de mim. Pelo menos não estava a beber chá de roupão. Já era um avanço emocional.

Chegado à porta do prédio, encontrei o a fumar, muito tenso e com cara de poucos amigos.
Não era bonito de todo, mas tinha aquele aspeto de camponês rústico que descarrega a frustração sexual reprimida a cavar couves e batatas.
Sim, eu sei.
Eu tenho problemas.


Adiante.
Cumprimentei-o e resolvi ver onde ia dar.
E aqui começou a hora mais estranha da minha vida até à presente data - e sim, estou a contar com aquela vez nas praxes, em que nos trancaram num barracão deitados uns em cima dos outros sem camisa e eu não conseguia decidir se tinha uma ereção ou um colapso nervoso traduzido em riso por causa de todo o fetichismo gay inerente, saído de um qualquer porno rasca dos anos 80. 

Entrámos no apartamento, e disse me para me sentar à vontade, no pequeno sofá cama duro e cheio de bugigangas em cima, virtualmente sem espaço nenhum para te sentares "à vontade", ligou a TV e sentou se ao meu lado.
E ali ficámos, uma hora nestes preparos.
Ele de pernas super abertas, talvez a querer marcar território, talvez a mostrar virilidade - o que não resultou muito bem - semi deitado no sofá, e a criticar as séries que passavam na TV, enquanto dizia em tom reprovador que "as mulheres são todas umas histéricas" e reclamava com os turistas e com o sistema nacional de saúde, sempre de olhos fixo na TV e corpo encostado ao meu.e mão sobre o meu peito
Eventualmente um pequeno volume surgiu timidamente nas calças jeans do rapaz.

Outro pequeno parênteses. Eu quando fico muito nervoso, tomo as piores decisões DE SEMPRE.
Juntemos a este parênteses o anterior, e façamos a equação. é óbvio que vai dar merda.
Então, enquanto conferenciava com amigos - obrigado internet móvel - cheguei á conclusão, que talvez o rapaz estivesse só nervoso.  Resolvi roubar-lhe um beijo. afinal, perdido por 100, perdido por 1000.

Nunca tive uma experiência de quase morte, ou vi um acidente de perto, mas pelo que descrevem, foi basicamente a mesma coisa.
Todo o mundo começou a mexer-se em camara lenta, enquanto a minha cara se direccionava à dele, e vi ao pormenor o humilhante momento em que, ajeitando o volume nas calças, desviou a cara para o lado e disse "não, não"

E ali fiquei eu, a rir nervosamente, a tentar desculpar-me ao mesmo tempo que lhe queria pregar um bujardão na tromba porque foi a primeira vez que alguém me negou um beijo desde que me lembro de ter usado a boca para propósitos que não comer.
A série acabou - por algum motivo continuou com a mão no meu peito mesmo depois de me renegar até ao infinito e mais além -, e subitamente ficou cansado.
"Tenho que ir trabalhar cedo amanhã, blablablabla"
Levou-me à porta, deu-me um passoubem, e deixou-me na duvida.
Talvez queira levar as coisas com calma, e só queira beijos lá pro 5º encontro.
Talvez me tenha calhado o último cavalheiro gay.
Passadas umas horas, bloqueou-me e eclipsou-se da face da terra, mesmo como um cavalheiro moderno não interessado faz.

E dei por mim novamente na cama, a ver a minha série, no dia a seguir a pensar em como seria agradável encontrar um moço na fila do supermercado que me convidasse para ir ao cinema, em vez de só apanhar estas histórias da carochinha, em que a carochinha sou eu e acabo sempre como a da imagem acima.

Agora deixo-vos a bola no campo - para não se queixarem que sou só eu a falar:
Qual foi o primeiro encontro mais constrangedor a que já foram na vida?

A pedido de muitas famílias*...

segunda-feira, 20 de abril de 2015


Cá está uma foto - que fui tirar de propósito praqui pro estaminé porque também tenho direito de ser féshio bloguér - da aventura culinária do dia. Falafel feito em casa salada de pipino e molho de diaugurte com hortelã (isto é mesmo um lazy post pra não pensarem que morri)
...*Okay, tecnicamente foi só o Oceano que pediu, whatever.