Como criança dos 90s, lembro-me daquela aura de sofisticação que via quando, nos milhões de filmes PG 18 que via à socapa dos meus pais, eles - os personagens - em momentos de introspecção silenciosa pela noite sacavam de um cigarro que fumavam à janela banhados pela lua e pelas luzes da cidade não tão distante, ao som de saxofones roucos.
Na altura era aceitável, imagem de marca da geração de bad boys de gel e casaco de cabedal.
Envoltos pelo fumo, pareciam misteriosos e apelativos.
Como se a nicotina validasse qualquer tipo de dúvida existencial.
Mas como detesto aquele sabor e tenciono preservar os meus pulmões de origem, acabo sempre a debater internamente a minha decrescente fé no conceito de envolvimento romântico, com um iogurte na mão, ou uma caneca de chá, enquanto olho pelo ecrã do computador, não para a lua mas para as notificações que se empilham uma a uma no email.
"Tem mensagens novas no Manhunt",Um lembrete a passar o sal na ferida, "Há tanta oferta, só estás sozinho em casa porque és esquisitinho", lembrando que é só abrir uma aplicação para ter acesso a um harém de homens tão ou mais carentes que eu.
"Não te vimos recentemente, mas você acabou de receber uma mensagem no Hornet do fulano"
"Homens solteiros na sua região! encontra o teu match com o tinder"
Só me lembra uma conversa que tive há dias sobre a facilidade de acesso que se tem hoje em dia à informação, e como ainda assim há tantas pessoas sem qualquer tipo de cultura ou senso comum.
Chegamos á conclusão que não serve de muito ter toda a informação à disposição se não se souber usá-la.
Com os homens (ou o dating world num geral), começa a passar-se o mesmo.
Acham que demasiada oferta dificulta a procura?














