5 motivos porque toda a bicha deve experimentar ser passiva

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Estou aqui para lhe falar de um assunto muito importante.
O seu cu.
Huh? diz você caro leitor.
Por esta altura ia escrever um disclaimer a avisar os mais sensíveis que poderiam não gostar muito da conversa que se segue, mas hey, estão a ler um blog chamado "cansei de ser hétero" e a levar com uma drag queen a cantar "es una pasiva" se ainda não perceberam do que se trata, estão aqui por conta própria, amanhem-se.
Sim, o lugar onde o sol não brilha, para muitos objecto de obsessão capaz de arruinar impérios e destruir sociedades.
Muito boa bicha não experimenta assar a maçaroca no próprio forno, porque feliz ou infelizmente está presa aos preconceitos que ainda poluem o imaginário colectivo da bandeira do arco íris, achando que é uma perda de virilidade, que é coisa de maricas, afinal, macho que é macho, não dá o cu... well guess what, o grau de mariquice é o mesmo independentemente da posição.

Venho aqui para lhe dizer, que partilhe o seu cu com o próximo.
Não que vá desfolhar o seu botão de lótus com o primeiro arrumador de carros que lhe aparecer num parque de estacionamento abandonado nos arredores de Odeceixe, mas que um dia com calma e com o seu parceiro amado e confiado, se ponha de quatro e não seja para procurar o telemóvel debaixo do sofá.

E aqui deixo embaixo os 5 motivos essenciais para que você caro leitor, não tenha medo e se jogue de cabeça na odisseia de ser passivo pelo menos uma vez:

1
        O cu é seu.


Experimente para ver se gosta, se detesta, porque tem um espacinho livre antes de dar a novela das oito ou porque lhe apetece.
Há sempre o factor próstata a ajudar à equação, e no fim das contas ninguém quer ser a bicha amarga que não come sushi só porque acha que é peixe cru.
O pior que pode acontecer é não gostar, e não voltar a repetir a experiência.

2
        Uma entrada triunfante no mundo da Versatilidade

Tinha um namorado (mais ou menos) que tinha uma camiseta estampada com a frase "versatile boys have more fun" - meninos versáteis divertem-se mais, traduzindo livremente.
E é bastante verdade, porque sexo é como comida, quanto mais se pode variar, melhor.
E que melhor maneira para variar do que poder fazer-se ambas as posições no boudoir?
Negar se a isso é um bocado tipo comprar um par de sapatilhas, mas só calçar uma.

3
       Valoriza-se mais o parceiro


Depois de passar pela experiência em primeira mão, e independentemente de se ter ou não gostado, temos toda uma outra perspectiva sobre como o(s) nossos parceiros se sentem na situação inversa. Aprende-se que  mais devagar significa efetivamente "mais devagar" e não "Enfia tudo até me tocares no pâncreas com a pila, e me parares a função renal pelo caminho, e as tuas coxas me batam no rabo como um martelo de serralharia".

4
        Exercício físico


Acredite em mim, descobrirá que dentro de si, reside um contorcionista do cirque du soleil, capaz de meter uma perna na mesa de cabeceira, e a outra na cómoda.
Para além de que se queimam muito mais calorias a levar com ele, e que melhor desculpa para fugir ao ginásio, do que a oportunidade de ter um orgasmo no sofá da sala?


5
        Dissipa preconceitos

A derradeira, e mais importante razão, que me levou a fazer todo este post - para além do rum com fanta e das memórias de deliciosas cambalhotas passadas, e sim eu sei o patético que isto soa, não me julguem.
Porque afinal, Qual é o ponto de pedirmos para acabarem com a diferenciação contra pessoas LGBT , quando deixamos nós mesmos que se prolonguem imensos preconceitos dentro da nossa própria comunidade.
Ser passivo nada tem que ver com a masculinidade de uma pessoa.
Não é por dar o buraco negro do sul que vai subitamente fazer madeixas azuis, e virar fã da Lady Gaga.... e se fizer, bom para si, who cares?
O pior tipo de bicha é a bicha complexada.
Não muda porra nenhuma, senão o facto de ficar efetivamente mais íntimo com o seu parceiro, por não imporem barreiras de comportamentos.


Vejamos isto tudo não como um alargar a traseira, mas como um alargar de horizontes.

Ser ativista LGBT é tipo reciclar...

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

...ou comer agricultura biológica.
Ou dar um pacotinho de arroz ao banco alimentar contra a fome.
Fica bonito fazer, por isso toda a gente dá uma perninha e proclama que o faz, mesmo que se esteja a cagar para o ambiente, os químicos nos legumes, os pobrezinhos, ou as bichas.

Afetos gays

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Antes de mais nada, um pequeno grande obrigado a todos os que se deram ao trabalho de deixar uma mensagem de parabéns por estas bandas, só para não dizerem que sou um ingrato.
Retomemos a programação costumeira:

Com o lançamento do já popular vídeo do Lorenzo e do Pedro - ou do Pedro e do Lorenzo, não sei como se diz a brand, daqui a nada acham que estou loucamente apaixonado pelos rapazes - a passear Lisboa fora de mãos dadas, veio a inundação de pessoas LGBT friendly pela minha timeline, a dizerem todas que acham muito bem, aplaudindo publicamente o "acto de coragem" que foi andar pelas ruas, de mãos dadas com uma câmara atrás, na capital de país de primeiro mundo onde os actos de violência contra LGBT são escassos, muito menos em plena luz do dia.

Ainda com esta linha de pensamento presente na cabeça, dei por mim no cinema, acompanhado.
Comprámos pipocas que partilhámos - ou melhor, eu comi as minhas e ataquei as dele - , e sentámo-nos no cinema de mãos dadas.
E fiquei à espera dos aplausos e da coroa de flores, da medalhinha de coragem, mas em vez disso sentou-se ao nosso lado um casal roçando os seus sessentas, que olhou mais para nós, sussurrando e apontando , do que para o filme na tela, especialmente depois da primeira troca de beijinhos da noite

- nada de lavagens de estômago com direito a sons de sucção violenta, como o casalinho da fila da frente, uns beijinhos bastante simpáticos e camera ready -  e que se sentiram tão desconcertados com a visão contra natura de dois rapazes aos beijos, que nem voltaram para ver a segunda metade do filme.

E não foi a primeira, nem há-de ser a última vez que acontecem coisas destas - O que para mim nem é minimamente incomodo, enquanto não estão envolvidos insultos despropositados, sendo honesto - mas por estes dias , Portugal virou aos olhos dos cibernautas um local de aceitação maravilhosa onde até as bichas pobres têm um iphone e cagam arco íris enquanto os reformados jogam à sueca e cantarolam a lady gaga com sotaque transmontano.


Deixo a pergunta:
Quando se deparam com pessoas que se sentem incomodadas com as vossas demonstrações afeto, como reagem?
Param o que estão a fazer, ou intensificam-no?

Vi os vídeos porno do Pedro e do lorenzo

Só tenho a dizer, meninos, Continuem a fazer vídeos a andar de mãos dadas e a cozinhar semi descascados, mas cá para mim a vossa receita que mais me ficou na retina foi o frango assado com molho.
e até suspeito que não sou o único com tal opinião.

26 AKA ai que a bicha tá com a crise da meia meia idade.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Caminho para os trinta, com muito trabalho, pouco dinheiro, e muitas histórias para contar.
Daqui a nada o meu metabolismo dá de si e começo a virar um peixe balão careca como o meu pai, o que é sempre uma perspectiva interessante.
Por isso, para me animar, quero prendas.

Sabes que és gay quando:

quarta-feira, 5 de agosto de 2015



começas a seguir um programa de body painting
Que é tipo isto para quem desconhece
E ao fim de 5 episódios, embora seja tudo muito giro e tal, te começas a aborrecer de só pintarem sempre em mulheres.

O romântico

sexta-feira, 31 de julho de 2015


Saí de casa meio sem vontade, para ir a uma daquelas festas chatas, em que só se conhece o anfitrião, uma socialização forçada que rapidamente culminou em 3 vodkas no estomago e uma enorme cara de enjoo - Da qual falarei futuramente - 90% da noite, completamente submerso em conversas sobre pessoas que não conhecia e acontecimentos que não presenciei.

E então ele apareceu.
Amigo do anfitrião, trocámos olhares, e foi mágico, e quando apertámos as mãos a eletricidade estática fez disparar o meu coração com uma intensidade que eu nem sabia possível, enquanto descobríamos que tínhamos imensos interesses em comum, e nos sentávamos a discutí-los na rua, longe do barulho, e da história de como a Ana Cláudia dos recursos humanos pintou o cabelo de ombré e lhe fica muito mal.
Pediu-me número de telefone ao meu amigo, e qual gentleman, enviou-me poemas românticos, convidou-me para jantar, e depois no caminho para casa trocámos um longo primeiro beijo, e soube ali que me tinha apaixonado loucamente.

... Vá lá,  sabemos todos que isto não aconteceu. 
Afinal, É de mim que estamos a falar.

Portanto, o rapaz apareceu, fomos apresentados, era atraente, falámos cinco minutos, eu disse algumas piadas maldosas, fiquei ali baptizado de bicha má, fui pedir outra vodka, fui dançar e nem me lembrei mais dele.


Passou-se um ano, muita água pela ponte, e alguns homens pela cama, até voltar a ver o rapaz.
cruzámo-nos na rua, e quando dei por ela, tinha o meu amigo a dizer-me que o rapaz lhe veio perguntar por mim, extremamente interessado.
Portanto, teve 365 dias para maturar o interesse, como qualquer pessoa normal faz, afinal é assim que as coisas funcionam hoje em dia, ou se dá uma queca no primeiro encontro, ou se espera um ano para meter conversa, vá-se lá entender estas bichas modernas.

Começaram a chover elogios.
Sendo eu um Leonino, isto nem deveria ser problema, não fosse o ridículo de ouvires aquelas linhas cliché de quem te quer saltar para a cueca a serem debitadas mais depressa do que um relato de futebol no rádio.
Dizia me que eu era especial e sexy, e que parecia diferente dos outros - informações que claramente conseguiu assimilar em cinco minutos de conversa há doze meses atrás
- mas que me tinha achado muito arrogante quando nos conhecemos - novamente, provavelmente adquirido de cinco minutos de conversa, o rapaz devia fazer parte do cast do mentalista, ou assim.

Conversa trivial jogada fora, e subitamente aterramos no Zodíaco. 
E eu adoro astrologia, mas nunca quando o resultado é: 
"Oh, és do signo do meu ex, os leões são uns falsos"

isto a juntar à genial decisão de insultar o gajo a quem estás a passar a asa, levou-me a ir buscar um balde de pipocas, para assistir ao rumo que a conversa iria tomar.
Valeu imenso a pena.
Disse me que procurava o amor e que queria pessoas diferentes - cantada nota mil, diga-se de passagem - mas que o destino tinha sido cruel e não tinha sorte.
"É que eu tenho um problema"
"Ai sim?"
"Sim"
"Qual é?"
"Tenho uma pila muito grande"
E em cinco segundos o meu telemóvel era invadido pelo rapaz - que eu só tinha visto uma vez naquela noite, aqueles cinco minutos - nu, de benga na mão e cara de boi cobridor.
Ainda mal eu tinha tido tempo de processar a imagem - que por acaso correspondia á descrição - e já era presenteado com a seguinte frase.
"É que as putas querem pilas grandes, os meninos sérios não"
Por esta altura eu estava a ponderar se lhe aconselhava a seguir uma carreira no stand up, porque me estava a arrancar imensas gargalhadas, quando a história toma proporções emocionais dignas de uma sonata, ou uma balada da Adele.
"O meu ex acabou comigo por causa disso"
"... Por causa da pila?"
"Sim e porque tinha medo de se apaixonar mais"
"Ah... pois" (Fica a Dica, falar do ex quando queres saltar na cueca de alguém é tipo regar uma plantação de milho com gasolina.)
"És tu homem para me amar, mesmo com a pila grande?" (Porque aparentemente, ter uma jibóia cega, é o mesmo que casar com alguém com um tumor cerebral, é preciso muito amor e dedicação para lidar com isso.)

Por esta altura estava com a clara sensação que estava dentro de um filme porno, e que a qualquer momento todo o ambiente ao meu redor ia ficar a meia luz, e ao fundo aquela música de saxofone ia tocar enquanto ele aparecia de pirilau na mão para alegadamente me enrabar até ao sol raiar - e se rimou era claramente verdade.

Completamente constrangido com a conversa, tentei mudar o assunto, mas a conversa oscilava entre a genitália do mancebo, e o ex que lhe deu um par de patins.
Quando lhe perguntei se a coisa tinha sido muito séria, recebi um
"Chorei e gritei muito, estou a morrer por dentro mas já passou, sou forte"
"Acabaram quando?"
"Há uma semana, então resolvi começar à procura de um homem bom e honesto"
portanto, nessa uma semana, veio meter conversa de engate comigo, mesmo estando "a morrer por dentro" uma história surpreendente de superação emocional, Equiparável à das vitimas do tsunami no Haiti.
Ficou até hoje à espera que lhe diga quando quero combinar um café, ou "qualquer coisa".
Cada vez que o encontro na rua, lembro-me desse café, carinhosamente marcado para dia de são nunca, de manhã, só para variar.
E se fosse com vocês?