O Casal

domingo, 11 de outubro de 2015

(não resisto a usar este vídeo)

Ainda na minha fase Polyanna, que se esmorece mais a mais com cada experiência falhada, inscrevi-me em mais um aplicativo - Já lhes começo a perder a conta.
Controladas as minhas quase incontroláveis expectativas, já tinha ultrapassado a fase de procurar desencalhar - pelo menos parcialmente - , passando a contentar-me com a eventual queca divertida com algum gajo giro e interessante.
Com o passar dos dias, comecei a acreditar mais na fada dos dentes do que na realização dessas expectativas bastante básicas.

Parece que no Algarve só há casais à procura de rambóia, ou "amizade especial" como tão subtilmente sugeriam nas mensagens que me mandavam uns atrás dos outros.
Juntando à equação as intermináveis exigências dos solteiros de "sigilo" e "discrição" fiquei com a vincada impressão que estava a pedir códigos para o lançamento de mísseis nucleares, cada vez que queria combinar um café ou um cinema com um torso sem cabeça.

Então, um dia qualquer, Senti aquela descarga de adrenalina que a típica dona de casa suburbana sente quando vai ao supermercado e compra as cinquenta sombras de grey juntamente com arroz carolino e uma lata de ervilhas cozidas para o jantar, uma grande puta pioneira na arte dos menage a trois, e resolvi por responder a uma dessas mensagens de um casal das redondezas.
Teclei com muita facilidade, regado de vodka e aborrecimento.
Disse-lhes que nunca tinha feito tal coisa e pareceram-me muito compreensivos e simpáticos, o que vendo em retrospectiva acontece sempre que alguém nos quer saltar para a cueca.
Em aproximadamente cinco minutos evoluímos da conversa cliché de quererem fazer amigos - que devem dizer a todos - para descrições muito...gráficas de fetiches sexuais e coisas que me fariam quando me pusessem a mão -e outras partes do corpo - em cima.

O resto da conversa foi meio que um borrão de elogios e sugestões.
No dia seguinte, a vodka tinha saído toda do sistema, e com ela foi toda a minha coragem líquida.
Subitamente, a puta pionera, virou virgem vergonhosa.
Reparei que afinal não eram assim tão giros.
E que moravam a quase cinquenta quilómetros de mim.
E que queriam que eu fosse ter com eles para um sítio que desconhecia completamente.
E passou-me a vontade completamente, enquanto pensava que nunca mais devia andar com aplicativos de engate, com vodka no sistema.
Afinal eles eram simpáticos, e sabiam que eu nunca tinha feito nada disto, e que era normal que ficasse nervoso e pudesse mudar de ideias, iam compreender.
Então, como uma pessoa racional expliquei-lhes que afinal não queria. Que não estava pronto para me meter numa situação dessas e tinha ponderado e tal.
E lá foi a compreensão com o caralho.
Foi um bocado como se tivesse prometido dar um rim a alguém, e me tivesse levantado da mesa de operações cinco minutos antes da cirurgia.
Passámos da negação à chantagem emocional numa cena digna da novela das oito.
Aparentemente um deles partiu um candeeiro e andava aos berros lá em casa, com a fúria imensa de não poder possuir o meu esbelto corpitxo.

Enquanto isso, o outro me dava uma lição de moral interminável, porque, tinha por escrito por mensagem a minha intenção de me enrolar com eles, e isso é lei.
Quanto mais lhes tentava explicar que afinal não me estava a soar tão bem a ideia de fazer 100 kms para dar uma queca, agora que estava sóbrio e racional, mais me tentavam fazer sentir mal, e reconsiderar.
Prometeram-me um jantar à luz das velas - provavelmente porque já não tinham candeeiro para acender - e uma noite inesquecível - que provavelmente incluiria levar com o outro candeeiro na tromba se corresse mal.

 E quando disse que não, que talvez mais tarde, mas que podíamos continuar a falar, e talvez desenvolver uma amizade - porque afinal, tinham dito de cinquenta maneiras diferentes que procuravam amiguinhos por lá, a eterna aldrabice não é verdade? - disseram-me que iam deixar de me falar, mas que se reconsiderasse lhes podia dizer.

Até hoje nunca mais voltámos a falar, não sei muito bem porquê.


*Eventualmente fiz mesmo sexo a três, mas isso fica para outro dia. 
Ou então não que isto não é o - falecido - blog dos menages.*

Já alguma vez vos aconteceu algo parecido com alguém?
Um engate que não tenha levado bem a tampa?
Vá, comentem-me, à bruta.

O José Rodrigues dos Santos é homofóbico?

sexta-feira, 9 de outubro de 2015


Então uma pessoa liga a internet, e um sururu invade o computador, um burburinho de indignação coletivo de recriminação o José Rodrigues dos Santos.
Aparentemente disse, "o candidato, ou candidata" referindo-se  a um dos recém eleitos deputados por ser o mais velho a ser escolhido para integrar o corpo político.
E qual é o interesse, dizemos nós?

O homem é gay, e aparentemente todos os gays do país levaram isto a peito.
Quando vi a reportagem, em direto - porque vejo o telejornal - , ocorreu-me que estivesse a fazer uma graça, um suspense, uma revelação, porque o telespectador comum podia não saber quem era o eleito com 71 anos, e só o ficaria a saber, depois de ver toda a peça jornalística. 
Mas acho que mais ninguém levou a coisa por este ângulo.


Em vez de andarem a ocupar-se com algo produtivo- tipo sugerir alterações nas leis de adoção ou no protocolo de doação de sangue -, todos os gays do país foram para o facebook do jornalista desancá-lo como podiam.
Agora, o José Rodrigues dos Santos virou homofóbico que faz chacota de deputados gays, aparente e forma tão descerebrada que ficou abestalhado o suficiente para fazer gracinhas em direto para milhares de telespectadores, diga-se de passagem.
Para ajudar à festa, o senhor já veio dizer a publico que estava muito ofendido e pedir a todos os partidos politico para se manifestarem com a situação - ainda nem é deputado oficialmente e já anda a puxar dos poderes políticos.
Bicha a senhora devia ser passiva, só pra ver se aumenta o poder de encaixe.

Depois admirem-se de não serem levados a sério por armarem estas peixeiradas cada vez que sentem o ego - e o pseudo orgulho gay que só aparece nestas ocasiões - arranhado.

"Eu tenho o grindr só para fazer amigos"

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

...E eu vou à Zara para comprar costeletas.

O Primeiro

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Entrei na loja, com pressa, em busca de uma prenda para uma amiga. Uma blusa, um colar, um lenço, qualquer coisa para oferecer num aniversário comprada à última da hora, como manda a norma entre pessoas despassaradas.
Percorri a loja com o olhar rapidamente e vi-o de soslaio.
O primeiro marmelo por quem me apaixonei estava ali, qual aparição do além, oito anos depois com o mesmo corte de cabelo, alto e magro com um relógio preto no pulso e barba cuidadosamente aparada, a trabalhar atrás do balcão da stradivarius.

Não vou negar que durante alguns anos meses sonhei com o momento em que nos encontrássemos na rua ocasionalmente, ele me visse todo elegante e maravilhoso - como sempre obviamente - e percebesse a monumental cagada que fez, me pedisse desculpa de lagriminha no olho, para que eu pudesse dar a estocada final com um redondo "não" esmagador de egos (já agora, na minha fantasia ele era trolha e eu estava com uma camisa de linho branco e umas calças de duzentos euros, porque a minha imaginação é uma novela da globo).
Afinal, foi ele quem me deu a primeira tampa monumental, que me fez ficar uns 9 meses trancado em casa a comer haagen daz e a ouvir Toni Braxton engordando a olhos vistos e adoptando uma postura celibatária que roçou o preocupante para alguém com a libido de um coelho em época reprodutiva.

Na realidade infelizmente não costumo andar com camisas de linho quando vou comprar prendas de aniversário... e quanto às calças de duzentos euros... bem eram umas jeans rotas de 10 euros compradas nos saldos, largas e gastas.

Dei por mim a rever tudo o que se passou, sorrindo nostalgicamente, parcialmente escondido atrás da prateleira dos óculos de sol.
Afinal, na altura era eu um jovem inexperiente e ingénuo, alheio à complexidade de uma relação amorosa e das implicações que ela mesmo depois de um mau término.
Vivia tudo com mais intensidade e não analisava as coisas de cabeça fria.
Agora não, sou uma  pessoa madura e racional, que não se deixa afectar por memórias de um pé na bunda com quase uma década de existência e vive a sua vida de cabeça erguida.
Uma pessoa madura e racional encalhada mal vestida e despenteada.
Então, como pessoa lógica e racional sem rancores nem complexos que sou, larguei a secção dos saldos, tão minha amiga, e peguei na blusa mais cara que a loja tinha, uns brincos e um cinto a condizer, mentalizei-me para fazer a linha rica, empinei o nariz, e dirigi-me à caixa para pagar.

Pus a minha maior cara de snob, e preparei a minha cara de falsa surpresa, olhei-o pela primeira vez desde que entrara na loja diretamente nos olhos e pedi para fazer um embrulho, porque era oferta.
... E fiquei genuinamente surpreso.
... Afinal não era ele.
Sabem aquele momento, em que se começam a rir involuntariamente, depois de fazerem figura de ursos? Foi mais ou menos o que aconteceu, quando aquele rapaz muito bem parecido me perguntou se queria ou não laçarote no embrulho.
Quem ganhou nisto tudo, foi a vaca da minha amiga, só porque me esqueci dos óculos em casa, justamente num dia em que acordei aparentemente nostálgico.

E vocês?
Ainda ficam balançados quando encontram o vosso "primeiro"?

Eu como os meus amigos

terça-feira, 15 de setembro de 2015


Sentado com um conhecido enquanto tomávamos um latte, folheando distraidamente as redes sociais no ecrã dos smartphones, e jogando conversa fora sobre, confessa-me divertido e em tom confiante
"Cada vez que quero dar uma aleatória, não arranjo um engate. vou ter com um amigo"
"Como assim?"
"Ora, em vez de engatar um homem qualquer, vou jantar com um amigo e acabamos a dar um fodão"
"Porquê?"
"É mais confortável, sinto-me mais á vontade com eles"
"Mas não queres nada com eles?"
"Credo não, somos só amigos" - Responde-me, como se lhe tivesse sugerido a maior barbaridade possível, naquele tom meio pedante que só uma bicha de "boas famílias" consegue ter,
Na minha cabeça, acho meio desconfortável, porque a longo prazo isso muda a forma como nos vemos, afinal "dar um fodão" nunca é só "dar um fodão", especialmente quando convives diversas vezes com as pessoas. 
Acaba por se perder o desinteresse da amizade quando se sabe que há a possibilidade de dar uma queca quando não se arranja melhor.
Isto é tudo tipo ter um restaurante. Tens uma pizzaria, que faz boas pizzas. Um dia lembra-se que quer experimentar vender churrasco, e kebab. No final, em vez de uma boa pizza, temos três pratos sem graça, e deixamos de ir áquela pizzaria.

Tento  explicar-me, e acabo a ser olhado como se sofresse de demência por não desfrutar do melhor de dois mundos - e talvez a metáfora da pizza tenha ajudado um pouco, mas hey, estava com fome.

Diz-me que sou demasiado moralista, porque devia aproveitar e ir com as pessoas com quem tenho mais confiança. Segundo essa lógica, talvez devesse ter sexo com o senhor Fernando da Padaria, ou com a minha cadela.

Bebe se o latte, dá-se o passoubem, e vamos cada um à sua vida, até ao próximo café.

No caminho para casa, dou por mim a pensar que já não é a primeira pessoa que me comenta este assunto nos mesmos moldes, e confesso que nestes tipos de situações me sinto sempre cada vez mais desadequado.
Talvez seja mesmo eu, que tenho laivos de OCD, e não gosto de sequer misturar as ervilhas com o puré no prato, porque apenas o conceito traz-me um arrepio de desconforto espinha abaixo.

Acho que continuarei, mantendo as minhas amizades o mais assexuadas possível.

E você?
Come os seus amigos?

Afinal, o que querem os gays?

domingo, 13 de setembro de 2015


Sexo Fácil, ou Relacionamentos Duradouros?
Não tenho certezas sobre o assunto, por isso,deixo aberto o debate, com uma única regra, não digam "é relativo".

Sabes que és gay quando:

sexta-feira, 11 de setembro de 2015


Encontras aquela colega boazona - afinal, não é preciso comer filé para ver que é tenro, não é verdade - na rua, toda trabalhada na elegância, decotada e bem composta,
 e a primeira coisa que te ocorre dizer, é o quanto adoras aqueles stilettos que ela tem calçados.