London Spy

terça-feira, 12 de janeiro de 2016


Ano: 2015
Género: Drama, Crime, Thriller

Nesta minisérie criada pela BBC, Danny (Ben Whishaw), um jovem promiscuo e hedonista conhece Alex (Edward Holcroft), um génio matemático introvertido e rapidamente se apaixonam.
O que poderia ser mais uma série romântica abordando o cada vez mais desgastado cliché das dificuldades em ser-se um homem homossexual, sofre rapidamente um face volte quando ao fim de 8 meses, Alex é encontrado por Danny morto num cenário macabro.
Fica no ar a pergunta: Até que ponto conhecemos aqueles que amamos?
Em cinco episódios acompanhamos Danny na sua jornada tentando provar a sua inocência na morte de Alex , enquanto desvenda o seu verdadeiro passado.
É ajudado por um amigo de longa data, Scottie (Jim Broadbent), um antigo espião do MI6, por uma encruzilhada entre a verdade e a sobrevivência.

A ver se: Gostam de tensão psicológica.
A evitar se: procuram cenas tórridas de sexo e finais felizes ao som de bandas indie.

Classificação pessoal: 8/10

Por trás das apps

domingo, 10 de janeiro de 2016


Por causa do artigo no dezanove, sobre a mais recente adição à família de aplicações de engates encontros, um tal de happn, dei por mim a lembrar me da minha última incursão nas apps, já há um par de meses.

Mais uma sexta feira em casa sozinho, munido de chá ,séries e uma dose generosa de tédio, levou a que reinstalasse pela décima vez o hornet no telemóvel. 
Finalizada a atualização, uma maré de caras familiares preencheu o meu ecrã, como um jantar de páscoa em família, em que somos rodeados por familiares afastados que vemos ocasionalmente mas dos quais nem o nome sabemos. 
O tempo passa, mas as caras continuam as mesmas.

Esperei, qual leão atento a observar a presa. 
Porque eles vêm sempre, se esperares tempo suficiente. 
Fui, passados uns minutos recompensado por um alegre zumbido.
Atraí um rapaz magro. alto, olhos castanhos e sorriso reservado, orelha furada e casaco de cabedal na foto de perfil, deixavam-se acompanhar por uma citação de de um qualquer poeta descrevendo a beleza do amor, mentiras de engatatão barato, presságio da profunda conversa que se seguiu.

"Olá lindo, tudo bem? :)"
"Tudo, e contigo?"
"Também. Vou adicionar-te aos amigos aqui no chat"
"Okay, pode ser. que fazes por estas bandas?"
"Quero conhecer alguém especial, um namorado, e tu lindo?"
"Acho que queremos todos isso, não é verdade?"
"Mostras-me a tua pila? É grande? Gosto de paus grandes" 

Seria um grande imbecil se ficasse deprimido com a noção de um quase amor que não passou da virilha para cima, tendo em conta a quota parte de casos semelhantes que já por lá apanhei. 
Mas não é sobre isso que falo. 
Não é sobre a concentração de homens interessantes consoante localidade geográfica, ou sobre as técnicas impressionantes de engate que deviam entrar para a nova lei dos piropos, de tão grosseiras e más que são.

É mesmo sobre as apps.

Culpam-se os grindrs da vida. os manhunts. e as nossas fracassadas vidas amorosas são-no assim por causa dessas diabólicas apps.
Afinal, porque é que as apps - de "encontros" - não resultam?
Não podemos ser nós gays. 
Afinal, os héteros também as usam!
Não somos só nós, minoria autosegregada e apreciadora de - aparentemente - grandes pilas e divas pop. a maioria de indivíduos reprodutores também põe o seu pezinho pelo Tinder, Badoo, e até o polémico secondlove (o site para relações extraconjugais, que curiosamente até á presente data não aceita inscrições de homens que queiram ter casos com homens, porque é uma aplicação de valores familiares, mesmo no que toca a encornamento).

E indignamos-nos com a ideia de um preconceito cerrado, que nos digam que somos todos promíscuos e só queremos sexo...
E podia perfeitamente escrever aqui uma coisa toda new age, positiva com unicórnios e coelhinhos a dizer que é tudo um complô.
Culpar a astrologia, afinal Marte está em escorpião. É por isso. 
Culpar as condições económico sociais. Afinal, com os ataques terroristas, ninguém tem cabeça para relacionamentos sérios, e com a crise sai mais barato comprar preservativos que dividir despesas com o namorado.

O problema, é que...
Somos mesmo nós.
Dizemos andar atrás de príncipes em cavalos brancos quando saltamos para cima do primeiro boi cobridor que der mole.
Porquê?
Porque é mais fácil.
Ter uns rendez vous descomprometidos, Poder dormir com quem queres e não teres qualquer tipo de ligação ao fulano, é infinitamente mais fácil do que saltar para uma tentativa falhada de namoro - falando por experiência própria, não necessária, já que podiamos chegar a essa conclusão só com lógica comum, mas hey.
E nem há nada de errado com isso. 
O problema é que ninguém gosta de o admitir. 
Podem gabar-se aos amigos, fazer da vida sexual uma newsletter semanal, mas chegados ás apps, há todo um nevoeiro de hipocrisia em torno do assunto.
E é este o maior problema.
Encorajamos o uso das apps, não como uma ferramenta para conhecer pessoas e tentar algo mais do que tirar a cueca, mas como uma eterna muleta. 
Quando devíamos encorajar a ideia de inclusão acabamos por nos segregar escondidos por trás das apps, a combinar quecas semi anónimas enquanto fingimos todos ser cartazes ambulantes dos direitos maritais dos LGBT.
Como se admitir que se gosta de dar umas cambalhotas de vez em quando, seja pecado capital, e nós, lado rosa da força, sejamos umas virgens casadoiras do século XVII prestes a ser desonradas em praça pública por admitir que não queremos casar e brincar ás casinhas, que queremos só divertir-nos.
E as apps viram uma ajuda para o senhor casado que votou contra a co adoção, mas nos fins de semana combina encontros com homens de pila grande, embora "não seja gay".
Uma máscara para quem tem medo de ser segregado pelos conhecidos e exerce a sexualidade em segredo, 
E depois, enchemos o peito para bradar aos quatro ventos que as apps são as culpadas. que antes das apps não era assim. 
Quando nos esquecemos, que quem usa as apps... somos nós.
E enquanto não não mudar nada, venham as apps que vierem melhores ou piores que o grindr, vai ser sempre contra producente para tentar atingir a igualdade que tanto defendemos nas redes sociais.

Felicidade de ano novo

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016


É saber que toda a gente se anda a queixar das ressacas horríveis que ganhou da noite passada e de como tudo dói e soa demasiado alto
Enquanto eu bebi que nem um camionista, dancei e fiz karaoke até ás cinco e meia da manhã - a minha versão da Hello da Adele é digna de Grammy, já agora - e não tenho qualquer resquício de tal coisa.

Limpeza Colónica da Lista Telefónica

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


Dia 29 de Dezembro
Quatro e meia da manhã.
Tropeço ao ir para a cama cama agarrado ao telemóvel, aborrecido e com frio.
Faltam dois dias.
Dois dias para, nas minhas cuecas azul cliché, regado de espumante barato e confettis - provenientes daquelas pistolinhas pavorosas que alguém sempre tem a brilhante ideia de carregar desde casa para rebentar juntamente com as doze badaladas -  receber o ano novo.

E enquanto a minha parte racional acha toda a tradição imbecil e desnecessária - facilmente substituível por uma boa sessão de filmes e sexo tântrico - estou, como todos os anos, ansioso, à espera do momento em que carrego um botão gigante de Reset, e que todas as incomensuráveis cagadas que fiz este ano se vão, com as sete ondinhas, que nunca pulo, (porque afinal não estamos no brasil e o mar está gelado e não me apetece começar o ano novo com uma pneumonia e roupa salgada).

Desejo todos os anos o mesmo, saúde dinheiro e amor.
Mas como nunca acontece porra nenhuma, começo a suspeitar que há alguma espécie de interferência na linha para a qual se fazem a encomenda dos pedidos de ano novo, isso ou então a telefonista que regista os meus para as entidades superioras está sempre ligeiramente alcoolizada e compreende que a definição de amor se prende a sair com um rapaz que me pedia fisting anal e sadomasoquismo no segundo encontro, em vez de cafuné e croissants na cama.



Em jeito de retrospectiva, abro a lista de contactos e revisito os fracassos amorosos do ano da lista telefónica, uma tradição anual masoquista que não consigo evitar.
Os nomes dissociam-se de caras específicas, todos se transformam num borrão indistinto na minha cabeça passado algum tempo.
Relembro com algum embaraço as situações caricatas, memórias de uma gaysha com mau gosto.
O vesgo que me perseguiu semanas para um encontro que concedi, ganhando em retorno um pneu furado e uma tampa,
O sacana que convidou um amigo meu para um encontro na altura em que estávamos a sair,
O "hétero" que queria "experimentar" na garagem da avó com mulher em casa,
Eclipsam-se um a um com cada "deseja eliminar este contacto?" a piscar no ecrã.

E com um sorriso de satisfação vingada, dou por concluída a limpeza, uma renovação antecipada.
Deito-me e penso "para o ano é que vai ser".
Até ao próximo dia 29 de Dezembro, às quatro e meia da manhã.

Feliz ano novo

Eu...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015


O Funky desafiou, eu aceitei.
Afinal, é sempre giro sabermos um pouco mais uns sobre outros por cá, cá vai;

Sou muito... Crítico, comigo e com toda a gente.
Não suporto... Homens de 30/40 anos que acham que apanharem bebedeiras todas as semanas é um feito digno de admiração.
Eu nunca... saí da Europa
Já me zanguei... Comigo mesmo. Mais vezes do que gostaria de admitir. Não tenho culpa de ser idiota QB.
Quando era criança... Fazia piqueniques à porta de casa sozinho, com dezenas de livros e um rádio com cassetes da Disney.
Morro de medo...de acabar sozinho, e um dia acordar com 60 anos encalhado e ir para os bares fazer a corte aos putos de 18 de cerveja na mão.
Sempre gostei... de romances, seja em filme ou livro. por muito que goze com eles, adoro um bom final feliz, já que não os vejo na vida real.
Se eu pudesse... dava uma vida melhor à minha família
Fico feliz quando... consigo ajudar alguém. Seja através de conselhos ou ajuda prática, estamos cá uns para os outros.
Se pudesse voltar no tempo... Dizia a mim mesmo para não ter medo de ser gay, e deixar de ser imbecil, que não era só uma fase nem fazia mal a ninguém, e para não me meter naquele malfadado curso. Ah, e para não sair com aquele rapaz da padaria, que afinal era casado e não nos diz isso até ser demasiado tarde. e ensinava o meu eu do passado a viajar no tempo, porque me ia dar muito jeito.
Quero viajar para... Tailândia, Londres, Tóquio e Mykonos
Eu preciso... de me sentir amado.
Não gosto de ver... Aqueles casais que acabam as frases todas com "mor" "morzinho" "fofo" ou "baby". Ando sempre com uma navalha no bolso para cortar as linguas de tais exemplares.

Se gostarem destas coisas, desafio vos, Bratz Pedro

Musicalidades

domingo, 27 de dezembro de 2015

No Natal, ganhei uma viola.
Ando com vontade de aprender há algum tempo, veio a calhar.
Surfando a net à procura de tutoriais, todos tocam assim:

enquanto eu sou mais assim:
isto vai ser bonito.

As 4 pessoas que aparecem todos os anos no natal

sábado, 26 de dezembro de 2015

E lá se vai o natal, a fugir atrás dos últimos minutos do dia, levando consigo as enchentes de pessoas nos shoppings - por pouco tempo, porque os saldos estão a espreitar, ansiosamente - , o amigo pai Natal - manhoso, como sempre - as reportagens típicas da época. os Jantares solidários e as mais variadas sugestões para presentes nos programas da manhã e da tarde.
E cá estou eu, a aproveitar o silêncio, assistindo o último episódio de Miss Fisher's Murder Mysteries - que deviam ver porque é simplesmente fabuloso - e a encher o pandulho com chocolates e homenzinhos de gengibre - que, vendo bem, são os únicos homens como nesta época festiva.
Podia desejar-vos um feliz Natal, mas não me pareceu necessário, tenho a certeza que o aproveitaram tão bem quanto possível, na companhia dos que mais gostam, recordaram os que já cá não estão (como eu o fiz), ou talvez até sozinhos.

Pelos intervalos da preguiça vou passeando pela web, e na minha cabeça começa a formar-se uma simpática lista - eu e as listas... - sobre as pessoas que encontramos todos os benditos natais pelos nossos círculos sociais - on ou offline:

A Super entusiasta
OH MEU DEUS, É NATAL! SABIAM QUE É NATAL? EU TENHO UM BARRETE DE PAI NATAL!VOU PÔR O BARRETE DE PAI NATAL NO MEU CÃO!VAMOS FAZER PLAYBACK DO ALL I WANT FOR CHRISTMAS IS YOU DA MARIAH CAREY! BORA!
QUEM QUER TIRAR UMA NATELFIE?

É NATAL SABIAM?
sim, sabemos. acho que toda a gente tem acesso a um calendário, podes parar de publicar selfies com cornos de rena. we get the point.

A Fada do Lar
Aquela que vai postar tudo o que anda a fazer para o natal.
As bolachas a serem amassadas, depois no forno, depois no prato, a mesa a ser posta, a forma como dobrou os guardanapos em forma de floco de neve (o que até hoje me passa um bocado ao lado, porque em mais de metade de Portugal nem neva no natal, por isso não é uma coisa propriamente normal, mas hey.) .
E por meio de técnicas de sugestão psicológica, passam sempre a ideia que é super simples e fácil - quando não é - , sempre com um
Super Fácil! experimentem vocês também :)
ou um
E são estas pequenas coisas que fazem o natal :)
Que querem secretamente dizer
Podes tentar fazer um souflé de natal, mas sabemos os dois que nunca vai ficar tão bem como o meu, porque eu tenho um dom.

A Socialmente Consciente
Enquanto vocês estão em casa a comer bacalhau, há um monte de pobrezinhos a passar fome, espero que tenham isso em consideração enquanto digerirem a comida, e que façam por mudar a situação.
Porque a melhor prenda de natal possível é uma guilt trip.
O que é irónico é que toda essa consciencia social vem direitinha do Ipad, sentados á beira da Lareira a ver o frozen no plasma de casa dos pais e a beber um copinho de porto, nunca de uma sopa dos pobres a fazer voluntariado.


A Revoltada
O NATAL É IDIOTA
ODEIO O NATAL
VOU PARTILHAR MIL MEMES A SER SARCÁSTICO SOBRE O ASSUNTO E A SUGERIR QUE QUEM GOSTA DA ÉPOCA É POUCO INTELIGENTE
PORQUE É QUE TEMOS QUE TER O NATAL, CALEM SE JÁ COM ISSO
UÉ UÉ UÉ
Os que mais existem.
É uma moda ainda mais seguida que a das fotos dos pés na areia da praia.
É cool não gostar do Natal.
Porque é consumista(como se todos os feriados não tivessem o seu quê de capitalismo)
Sabem que mais? Niguém quer saber dos vossos queixumes. Não querem celebrar o natal, óptimo.
Parem de estragar a época a quem gosta, pelo amor de Deus.


E vocês?
Que outro tipo encontram regularmente nas épocas festivas?
Espero sinceramente que tenham passado uns bons dias :3