Mudanças

sábado, 5 de março de 2016

Assustam.
Às vezes evitamo-las como o diabo foge da cruz, por trazerem incerteza, mas são muito necessárias.
E como diz o ditado, quem não arrisca, não petisca!
Hello meninos e meninas!
Tenho andado num reboliço estes últimos tempos, com algumas mudanças a nivel pessoal e profissional que me desregularam o horário blogosférico todo.
Estou agora a normalizar as coisas e não tarda volto a debitar as minhas postas de pescada, só para não ficarem preocupados com o meu evaporar cibernético.

Depois de duas temporadas de Queer as folk

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016



Ainda não tive overdoses de ecstasy, não fui a nenhuma orgia com máscaras, fiz swing, fiz porno (caseiro, por cam ou profissional), nem engatei quatro garanhões num bar para um gangbang.
Começo a achar que me inscrevi no balcão errado, porque o meu lifestyle gay é tremendamente aborrecido por comparação.


A melhor coisa do dia dos namorados...

domingo, 14 de fevereiro de 2016

É que no dia seguinte, o chocolate baixa de preço.

Sozinhos

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016


Domingo é o dia de São valentim, e como tal, resolvi mandar a minha posta de pescada.
Quando dei por iniciada a jornada de jovem solteiro, vim com uma ideia predefinida - e particularmente idiota - de que ia ser tudo uma diversão despegada.

Que os sábados à noite iam ser passados num qualquer oásis paradisíaco com horas de dirty dancing na pista de dança e imensos orgasmos aptos a fazer Samantha Jones e Hank Moody -para quem não sabe, Sex & The City e Californication, respectivamente - Corar.
Toda uma montanha russa de homens maravilhosos bonitos e interessantes prontos a pagar-me jantares só pelo prazer da minha companhia, e a cortejar-me como se fosse o último pacote de oreos numa convenção de comedores compulsivos.

A realidade atingiu-me no focinho como uma toalha molhada estendida ao vento na sibéria, quando me apercebi que uma grande parte dos meus sábados à noite envolviam maratonas de séries, pipocas e chá.
Como substituto dos orgasmos, tinha sempre a regular tablete de chocolate em promoção do pingo doce, e no lugar de  todos os homens lindos e interessantes, a pagar-me jantares que imaginei, tinha o rapazinho estrábico da peixaria do Lidl a tentar saltar-me para a cueca, ou o ocasional casanova que se esquecia da carteira na altura de pagar a janta.
A saturação imiscuiu-se num canto abandonado da minha consciência e cheguei ao eterno chavão.
"Não preciso de nenhum homem"
... E depois de uma das muitas fases de libertinagem, percebi que o reverso da moeda era assustadoramente evidente, e afinal, nenhum homem precisa de mim.
E aquela noção de rejeição tão óbvia caiu-me pior que um mergulho no mar depois de almoçar num all you can eat de picanha.
Afinal, depois de um certo número de encontros furtivos sem qualquer tipo de ligação, percebes que estar sozinho, mais do que uma jornada de autoconhecimento e crescimento pessoal pelo mundo - o que supostamente acontece quando não és uma bicha pobre, como eu - , segundo o que dizem os livros de auto ajuda, é - muitas vezes - um grande tédio.
E passando pela espiral dramática que é a minha imaginação, percebi que temos todos um bocadinho de medo de estar sozinhos.
E corremos atrás de pessoas que não nos respeitam, mantemos-nos em relações que não nos realizam,
não aguentamos um término sem pular imediatamente para a próxima, ou saltamos de cama em cama, tudo porque a noção de estar só é por si só avassaladora.

Porque temos tanto medo de estar sozinhos?
Também tiveram um eventual choque com a realidade, ou fui só eu?

Está aberto o debate.

Converti-me a Jesus no trumps

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016


... Ou ao menino de olhos azuis vestido de padre sexy que lá estava no sábado.
Se por algum acaso macabro estás a ler isto, Amen brother.

Cidadãos de Segunda Categoria

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016


Hoje, folheando os blogs, lembrei-me de quando no More- deviam ir também, ele até fala de coisas interessantes - se perguntou se sentíamos a necessidade de nos assumir ou não no ambiente de trabalho.
Isto lembrou-me uma história que aconteceu há uns meses.

Como todas as histórias interessantes, esta começou depois de uma salada de batatas, no jantar da empresa - Se soubermos que a vodka é destilada a partir da batata, não deixa de ser verdade. - ... ou sete. Não sei, era open bar, deixei de contar as "saladas de batata " a certa altura.

Rapidamente entrei na fase Quenga, sabem bem o género: Visão toldada, libido em alta, e discernimento zero, aquela sensação extasiante de quem vai comer até o barman zarolho, porque o espelho reflete um garanhão sensual e pujante, irresistível aos olhos de qualquer mortal num raio de cinco quilómetros.
Como seria de esperar nessas condições, acabei por me enrolar com um moço na pista de dança de uma discoteca "hétero" - que sinceramente me começa a parecer uma diferenciação ridicula, porque a discoteca não tem sexualidade - , sem grandes pudores, afinal, não estava a fazer nada de propriamente errado - afinal quem nunca - e nessa mesma pista de dança, a alguns passos, um colega meu fazia precisamente o mesmo com uma rapariguinha aleatória.

O post agora poderia contar de forma rocambolesca e divertida como tive uma one night stand com o rapaz e depois quase morri de constrangimento quando o efeito da bebedeira passou a meio do acto e vi com quem me tinha enrolado, mas não é essa a ideia.

Retrocedamos novamente até à pista de dança, onde estávamos os quatro alegremente na marmelada, eu com um rapaz e o meu colega com uma rapariga. no meio deste cenário sinto uma mão agarrar-me firmemente no ombro, enquanto  um dos meus colegas nos separava, e dizia para "nos controlarmos".
Eu, que até nem sou particularmente exibicionista, em condições normais, acedi por uns segundos, culpando a bebida.
Afinal estávamos aos beijos em plena pista de dança.
Sentei-me com uma bebida na mão, enquanto o meu par se afastou até ao wc, e num acesso de lucidez, olhei em redor.
No mesmo lugar exato continuavam o meu colega, e a sua amiga alegremente aos beijos e esfreganços descarados.
E ficaram nisto mais um bocado, sem uma única pessoa se dirigir a eles e dizer para "se controlarem".
A única diferença para o que se estava a passar entre eles e nós, uns momentos antes, era a existência de uma vagina na equação.
E sabem o que aconteceu?
Dentro de mim, toda uma revolta incontrolável incendiou-se - provavelmente ajudada pelo álcool no meu estômago, que dava para abrir uma destilaria. - com o preconceito velado.
Podia ter começado uma discussão.
Podia ter dado uma lição de moral ao rapaz que nos foi separar.
Em vez disso, qual cabeça de fósforo que sou, fui cambaleante buscar o outro desgraçado que estava a beber um gin no bar, arrastei-o até à pista de dança e, qual grito do Ipiranga , preguei-lhe um beijo enorme, digno de cinema - porno é cinema também, okay? - e dançamos desajeitadamente, em celebração daquela recém forjada liberdade - em retrospectiva, talvez ele só tenha dançado porque sabia que íamos acabar nus naquela que rapidamente se tornou na one night stand mais estranha de toda a minha vida, mas não divaguemos.
E isto não é uma lição de moral.
Ou talvez seja, não sei.
Ninguém tem que exibir a sua sexualidade.... Mas porque temos que a esconder?
Só beijar em discotecas gay e dar a mão em sítios desertos,ou no cliché do escurinho do cinema, pode ser mais confortável, mas Somos nós cidadãos de segunda categoria, para nos limitarmos a fazer as coisas mais mundanas apenas em ambiente específico controlado?
Para não chocar ninguém?
Onde está a igualdade nisso?

A vida é um livro

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016


Esqueceram-se foi de dizer que vem em braille, e não sabes o que vem a seguir só de olhar.

Forever Alone

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Resolvi dar um tempo aos homens, depois da última miserável tentativa falhada de encontro, que acabou em casa sozinho com um sundae de caramelo acompanhado pelo familiar xvideos.
Resolvi expandir o meu círculo pessoal, afinal, amigos e zeros à direita na conta nunca são demais, e sempre era interessante ter mais algumas pessoas com quem tomar uns cafezinhos e desdizer a humanidade num geral.
Conheci um rapaz, aqui das redondezas, num grupo de facebook, e fomos falando durante uns meses.
É simpático, vive com o namorado e o cão - só para reforçar a ideia de que não tencionava abrir as minhas pernas mais depressa que as portagens da 25 de Abril - e tínhamos conversas divertidas e despreocupadas, como pessoas normais têm.
Passados uns meses, ele fez anos, e convidou-me para a festinha, com alguns amigos de longa data dele, que eu pensei - como qualquer pessoa pensaria - tornar-se-iam no mínimo meus conhecidos regulares.
Claro, o cosmos, observando-me na sua cadeira forrada a veludo com as suas unhas de acrílico púrpura e o seu infinito sentido de humor negro, resolveu vetar a ideia.

Então, chegado á festinha de aniversário, depois de alguma conversa fiada e um jarrinho de sangria, começo a ouvir um nome familiar, ocasionalmente mencionado..
Apercebo-me então, que o rapaz com quem ando a falar há meses, é não só conhecido - coisa que eu suspeitava - , como o melhor amigo de um ex-coiso meu, com quem saí uns meses.
E que aquele grupo selecto de amigos, era o grupo de amigos do meu ex coiso.
E que metade da noite foi passada a mencioná-lo.
E que provavelmente já toda a gente sabia disso.
Menos eu.

Então, qual alcachofra socialmente inadaptada que sou, ingeri o meu peso em álcool e adormeci no sofá, com a ligeira sensação que provavelmente nunca mais ia ver aquelas pessoas outra vez.
Uns dias depois, o meu ex-coiso reaparece das cinzas do silêncio, porque me viu na costumeira selfie do jantar, e quis saber muito - pouco - discretamente o que se passava, como se estivéssemos novamente no ensino médio e eu estivesse a tentar roubar-lhe o grupo de amigos, uma espécie de back off bitch muito cheio de "lols" e "tudo bem" .
Quem precisa de amigos não é verdade?
Tenho chocolate.
E netflix.
E xvideos.

Sabes que és gay quando:

sábado, 23 de janeiro de 2016


Aproximadamente dez amigos te mandam este vídeo e dizem "isto és tão tu"
E tu te queres ofender imenso, porque ...não tens nojo de vaginas, e todo o conceito é ridículo, e aquilo foi exagerado para a câmara porque se eles fossem sérios não teria piada....mas lembras-te que tecnicamente nunca olhaste para nenhuma, mesmo aquela em que entraste em contacto.

London Spy

terça-feira, 12 de janeiro de 2016


Ano: 2015
Género: Drama, Crime, Thriller

Nesta minisérie criada pela BBC, Danny (Ben Whishaw), um jovem promiscuo e hedonista conhece Alex (Edward Holcroft), um génio matemático introvertido e rapidamente se apaixonam.
O que poderia ser mais uma série romântica abordando o cada vez mais desgastado cliché das dificuldades em ser-se um homem homossexual, sofre rapidamente um face volte quando ao fim de 8 meses, Alex é encontrado por Danny morto num cenário macabro.
Fica no ar a pergunta: Até que ponto conhecemos aqueles que amamos?
Em cinco episódios acompanhamos Danny na sua jornada tentando provar a sua inocência na morte de Alex , enquanto desvenda o seu verdadeiro passado.
É ajudado por um amigo de longa data, Scottie (Jim Broadbent), um antigo espião do MI6, por uma encruzilhada entre a verdade e a sobrevivência.

A ver se: Gostam de tensão psicológica.
A evitar se: procuram cenas tórridas de sexo e finais felizes ao som de bandas indie.

Classificação pessoal: 8/10

Por trás das apps

domingo, 10 de janeiro de 2016


Por causa do artigo no dezanove, sobre a mais recente adição à família de aplicações de engates encontros, um tal de happn, dei por mim a lembrar me da minha última incursão nas apps, já há um par de meses.

Mais uma sexta feira em casa sozinho, munido de chá ,séries e uma dose generosa de tédio, levou a que reinstalasse pela décima vez o hornet no telemóvel. 
Finalizada a atualização, uma maré de caras familiares preencheu o meu ecrã, como um jantar de páscoa em família, em que somos rodeados por familiares afastados que vemos ocasionalmente mas dos quais nem o nome sabemos. 
O tempo passa, mas as caras continuam as mesmas.

Esperei, qual leão atento a observar a presa. 
Porque eles vêm sempre, se esperares tempo suficiente. 
Fui, passados uns minutos recompensado por um alegre zumbido.
Atraí um rapaz magro. alto, olhos castanhos e sorriso reservado, orelha furada e casaco de cabedal na foto de perfil, deixavam-se acompanhar por uma citação de de um qualquer poeta descrevendo a beleza do amor, mentiras de engatatão barato, presságio da profunda conversa que se seguiu.

"Olá lindo, tudo bem? :)"
"Tudo, e contigo?"
"Também. Vou adicionar-te aos amigos aqui no chat"
"Okay, pode ser. que fazes por estas bandas?"
"Quero conhecer alguém especial, um namorado, e tu lindo?"
"Acho que queremos todos isso, não é verdade?"
"Mostras-me a tua pila? É grande? Gosto de paus grandes" 

Seria um grande imbecil se ficasse deprimido com a noção de um quase amor que não passou da virilha para cima, tendo em conta a quota parte de casos semelhantes que já por lá apanhei. 
Mas não é sobre isso que falo. 
Não é sobre a concentração de homens interessantes consoante localidade geográfica, ou sobre as técnicas impressionantes de engate que deviam entrar para a nova lei dos piropos, de tão grosseiras e más que são.

É mesmo sobre as apps.

Culpam-se os grindrs da vida. os manhunts. e as nossas fracassadas vidas amorosas são-no assim por causa dessas diabólicas apps.
Afinal, porque é que as apps - de "encontros" - não resultam?
Não podemos ser nós gays. 
Afinal, os héteros também as usam!
Não somos só nós, minoria autosegregada e apreciadora de - aparentemente - grandes pilas e divas pop. a maioria de indivíduos reprodutores também põe o seu pezinho pelo Tinder, Badoo, e até o polémico secondlove (o site para relações extraconjugais, que curiosamente até á presente data não aceita inscrições de homens que queiram ter casos com homens, porque é uma aplicação de valores familiares, mesmo no que toca a encornamento).

E indignamos-nos com a ideia de um preconceito cerrado, que nos digam que somos todos promíscuos e só queremos sexo...
E podia perfeitamente escrever aqui uma coisa toda new age, positiva com unicórnios e coelhinhos a dizer que é tudo um complô.
Culpar a astrologia, afinal Marte está em escorpião. É por isso. 
Culpar as condições económico sociais. Afinal, com os ataques terroristas, ninguém tem cabeça para relacionamentos sérios, e com a crise sai mais barato comprar preservativos que dividir despesas com o namorado.

O problema, é que...
Somos mesmo nós.
Dizemos andar atrás de príncipes em cavalos brancos quando saltamos para cima do primeiro boi cobridor que der mole.
Porquê?
Porque é mais fácil.
Ter uns rendez vous descomprometidos, Poder dormir com quem queres e não teres qualquer tipo de ligação ao fulano, é infinitamente mais fácil do que saltar para uma tentativa falhada de namoro - falando por experiência própria, não necessária, já que podiamos chegar a essa conclusão só com lógica comum, mas hey.
E nem há nada de errado com isso. 
O problema é que ninguém gosta de o admitir. 
Podem gabar-se aos amigos, fazer da vida sexual uma newsletter semanal, mas chegados ás apps, há todo um nevoeiro de hipocrisia em torno do assunto.
E é este o maior problema.
Encorajamos o uso das apps, não como uma ferramenta para conhecer pessoas e tentar algo mais do que tirar a cueca, mas como uma eterna muleta. 
Quando devíamos encorajar a ideia de inclusão acabamos por nos segregar escondidos por trás das apps, a combinar quecas semi anónimas enquanto fingimos todos ser cartazes ambulantes dos direitos maritais dos LGBT.
Como se admitir que se gosta de dar umas cambalhotas de vez em quando, seja pecado capital, e nós, lado rosa da força, sejamos umas virgens casadoiras do século XVII prestes a ser desonradas em praça pública por admitir que não queremos casar e brincar ás casinhas, que queremos só divertir-nos.
E as apps viram uma ajuda para o senhor casado que votou contra a co adoção, mas nos fins de semana combina encontros com homens de pila grande, embora "não seja gay".
Uma máscara para quem tem medo de ser segregado pelos conhecidos e exerce a sexualidade em segredo, 
E depois, enchemos o peito para bradar aos quatro ventos que as apps são as culpadas. que antes das apps não era assim. 
Quando nos esquecemos, que quem usa as apps... somos nós.
E enquanto não não mudar nada, venham as apps que vierem melhores ou piores que o grindr, vai ser sempre contra producente para tentar atingir a igualdade que tanto defendemos nas redes sociais.

Felicidade de ano novo

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016


É saber que toda a gente se anda a queixar das ressacas horríveis que ganhou da noite passada e de como tudo dói e soa demasiado alto
Enquanto eu bebi que nem um camionista, dancei e fiz karaoke até ás cinco e meia da manhã - a minha versão da Hello da Adele é digna de Grammy, já agora - e não tenho qualquer resquício de tal coisa.

Limpeza Colónica da Lista Telefónica

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


Dia 29 de Dezembro
Quatro e meia da manhã.
Tropeço ao ir para a cama cama agarrado ao telemóvel, aborrecido e com frio.
Faltam dois dias.
Dois dias para, nas minhas cuecas azul cliché, regado de espumante barato e confettis - provenientes daquelas pistolinhas pavorosas que alguém sempre tem a brilhante ideia de carregar desde casa para rebentar juntamente com as doze badaladas -  receber o ano novo.

E enquanto a minha parte racional acha toda a tradição imbecil e desnecessária - facilmente substituível por uma boa sessão de filmes e sexo tântrico - estou, como todos os anos, ansioso, à espera do momento em que carrego um botão gigante de Reset, e que todas as incomensuráveis cagadas que fiz este ano se vão, com as sete ondinhas, que nunca pulo, (porque afinal não estamos no brasil e o mar está gelado e não me apetece começar o ano novo com uma pneumonia e roupa salgada).

Desejo todos os anos o mesmo, saúde dinheiro e amor.
Mas como nunca acontece porra nenhuma, começo a suspeitar que há alguma espécie de interferência na linha para a qual se fazem a encomenda dos pedidos de ano novo, isso ou então a telefonista que regista os meus para as entidades superioras está sempre ligeiramente alcoolizada e compreende que a definição de amor se prende a sair com um rapaz que me pedia fisting anal e sadomasoquismo no segundo encontro, em vez de cafuné e croissants na cama.



Em jeito de retrospectiva, abro a lista de contactos e revisito os fracassos amorosos do ano da lista telefónica, uma tradição anual masoquista que não consigo evitar.
Os nomes dissociam-se de caras específicas, todos se transformam num borrão indistinto na minha cabeça passado algum tempo.
Relembro com algum embaraço as situações caricatas, memórias de uma gaysha com mau gosto.
O vesgo que me perseguiu semanas para um encontro que concedi, ganhando em retorno um pneu furado e uma tampa,
O sacana que convidou um amigo meu para um encontro na altura em que estávamos a sair,
O "hétero" que queria "experimentar" na garagem da avó com mulher em casa,
Eclipsam-se um a um com cada "deseja eliminar este contacto?" a piscar no ecrã.

E com um sorriso de satisfação vingada, dou por concluída a limpeza, uma renovação antecipada.
Deito-me e penso "para o ano é que vai ser".
Até ao próximo dia 29 de Dezembro, às quatro e meia da manhã.

Feliz ano novo

Eu...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015


O Funky desafiou, eu aceitei.
Afinal, é sempre giro sabermos um pouco mais uns sobre outros por cá, cá vai;

Sou muito... Crítico, comigo e com toda a gente.
Não suporto... Homens de 30/40 anos que acham que apanharem bebedeiras todas as semanas é um feito digno de admiração.
Eu nunca... saí da Europa
Já me zanguei... Comigo mesmo. Mais vezes do que gostaria de admitir. Não tenho culpa de ser idiota QB.
Quando era criança... Fazia piqueniques à porta de casa sozinho, com dezenas de livros e um rádio com cassetes da Disney.
Morro de medo...de acabar sozinho, e um dia acordar com 60 anos encalhado e ir para os bares fazer a corte aos putos de 18 de cerveja na mão.
Sempre gostei... de romances, seja em filme ou livro. por muito que goze com eles, adoro um bom final feliz, já que não os vejo na vida real.
Se eu pudesse... dava uma vida melhor à minha família
Fico feliz quando... consigo ajudar alguém. Seja através de conselhos ou ajuda prática, estamos cá uns para os outros.
Se pudesse voltar no tempo... Dizia a mim mesmo para não ter medo de ser gay, e deixar de ser imbecil, que não era só uma fase nem fazia mal a ninguém, e para não me meter naquele malfadado curso. Ah, e para não sair com aquele rapaz da padaria, que afinal era casado e não nos diz isso até ser demasiado tarde. e ensinava o meu eu do passado a viajar no tempo, porque me ia dar muito jeito.
Quero viajar para... Tailândia, Londres, Tóquio e Mykonos
Eu preciso... de me sentir amado.
Não gosto de ver... Aqueles casais que acabam as frases todas com "mor" "morzinho" "fofo" ou "baby". Ando sempre com uma navalha no bolso para cortar as linguas de tais exemplares.

Se gostarem destas coisas, desafio vos, Bratz Pedro

Musicalidades

domingo, 27 de dezembro de 2015

No Natal, ganhei uma viola.
Ando com vontade de aprender há algum tempo, veio a calhar.
Surfando a net à procura de tutoriais, todos tocam assim:

enquanto eu sou mais assim:
isto vai ser bonito.

As 4 pessoas que aparecem todos os anos no natal

sábado, 26 de dezembro de 2015

E lá se vai o natal, a fugir atrás dos últimos minutos do dia, levando consigo as enchentes de pessoas nos shoppings - por pouco tempo, porque os saldos estão a espreitar, ansiosamente - , o amigo pai Natal - manhoso, como sempre - as reportagens típicas da época. os Jantares solidários e as mais variadas sugestões para presentes nos programas da manhã e da tarde.
E cá estou eu, a aproveitar o silêncio, assistindo o último episódio de Miss Fisher's Murder Mysteries - que deviam ver porque é simplesmente fabuloso - e a encher o pandulho com chocolates e homenzinhos de gengibre - que, vendo bem, são os únicos homens como nesta época festiva.
Podia desejar-vos um feliz Natal, mas não me pareceu necessário, tenho a certeza que o aproveitaram tão bem quanto possível, na companhia dos que mais gostam, recordaram os que já cá não estão (como eu o fiz), ou talvez até sozinhos.

Pelos intervalos da preguiça vou passeando pela web, e na minha cabeça começa a formar-se uma simpática lista - eu e as listas... - sobre as pessoas que encontramos todos os benditos natais pelos nossos círculos sociais - on ou offline:

A Super entusiasta
OH MEU DEUS, É NATAL! SABIAM QUE É NATAL? EU TENHO UM BARRETE DE PAI NATAL!VOU PÔR O BARRETE DE PAI NATAL NO MEU CÃO!VAMOS FAZER PLAYBACK DO ALL I WANT FOR CHRISTMAS IS YOU DA MARIAH CAREY! BORA!
QUEM QUER TIRAR UMA NATELFIE?

É NATAL SABIAM?
sim, sabemos. acho que toda a gente tem acesso a um calendário, podes parar de publicar selfies com cornos de rena. we get the point.

A Fada do Lar
Aquela que vai postar tudo o que anda a fazer para o natal.
As bolachas a serem amassadas, depois no forno, depois no prato, a mesa a ser posta, a forma como dobrou os guardanapos em forma de floco de neve (o que até hoje me passa um bocado ao lado, porque em mais de metade de Portugal nem neva no natal, por isso não é uma coisa propriamente normal, mas hey.) .
E por meio de técnicas de sugestão psicológica, passam sempre a ideia que é super simples e fácil - quando não é - , sempre com um
Super Fácil! experimentem vocês também :)
ou um
E são estas pequenas coisas que fazem o natal :)
Que querem secretamente dizer
Podes tentar fazer um souflé de natal, mas sabemos os dois que nunca vai ficar tão bem como o meu, porque eu tenho um dom.

A Socialmente Consciente
Enquanto vocês estão em casa a comer bacalhau, há um monte de pobrezinhos a passar fome, espero que tenham isso em consideração enquanto digerirem a comida, e que façam por mudar a situação.
Porque a melhor prenda de natal possível é uma guilt trip.
O que é irónico é que toda essa consciencia social vem direitinha do Ipad, sentados á beira da Lareira a ver o frozen no plasma de casa dos pais e a beber um copinho de porto, nunca de uma sopa dos pobres a fazer voluntariado.


A Revoltada
O NATAL É IDIOTA
ODEIO O NATAL
VOU PARTILHAR MIL MEMES A SER SARCÁSTICO SOBRE O ASSUNTO E A SUGERIR QUE QUEM GOSTA DA ÉPOCA É POUCO INTELIGENTE
PORQUE É QUE TEMOS QUE TER O NATAL, CALEM SE JÁ COM ISSO
UÉ UÉ UÉ
Os que mais existem.
É uma moda ainda mais seguida que a das fotos dos pés na areia da praia.
É cool não gostar do Natal.
Porque é consumista(como se todos os feriados não tivessem o seu quê de capitalismo)
Sabem que mais? Niguém quer saber dos vossos queixumes. Não querem celebrar o natal, óptimo.
Parem de estragar a época a quem gosta, pelo amor de Deus.


E vocês?
Que outro tipo encontram regularmente nas épocas festivas?
Espero sinceramente que tenham passado uns bons dias :3

Natal é tempo de tradição

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

E nada melhor que o costumeiro
"Daqui a bocado vou aí levar-te a prenda de natal a casa, okay?"
Quando não te lembraste de comprar nada para a pessoa em questão.

Viver em casa dos progenitores, tem milhões de prós.
De entre os muitos que há, dou especial destaque a toda a falta de privacidade - afinal, quem precisa de privacidade - que se materializa diversas vezes aos ataques aleatórios de stepford wife arraçado de agente da divisão de controlo de narcóticos da minha mãe, que amavelmente me revista e reograniza todo o interior do quarto sem aviso prévio.

Como tal, toda a tarefa de ter preservativos por casa sem lhe causar uma arritmia cardíaca que despoletará o possível questionário ao nível do FBI - Como só as mães sabem fazer - sobre onde é que eu ando a gastar preservativos de sabor a morango, é bastante mais difícil do que possa parecer.
Como insisto em exercer esporadicamente o meu direito ao orgasmo, tive que me desenrascar.
A ideia que me pareceu mais lógica de há uns anos para cá, foi pegar num dos meus 20 e poucos casacos - não julguem - e nomeá-lo como "o casaco dos preservativos".

E é a esse feliz contemplado que calha o fardo de carregar tudo o que é preservativo que eu tenha à disposição, para uma altura de aperto, porque ninguém perde tempo a revistar casacos só porque sim.
Ora, tudo isto pareceu uma ideia genial e correu às mil maravilhas, até há uns dias atrás.

Resolvi ir comprar o almoço, uma coisinha leve e saudável e tal.
Vesti o meu biker jacket, e aquelas calças que por pacto demoníaco ou tecnologia inovadora deixam que o meu rabo pareça um poster dos boxers da armani, todo trabalhado na sensualidade, num daqueles dias em que acordamos a pensar que o mundo é um buffet, á espera de ser comido.

Comprei umas courgettes, uns pepinos e umas cenouras - por algum motivo a minha lista de compras estava um tanto ao quanto fálica naquele dia - uma embalagem de vaselina e umas bolachas de chocolate, e esbarrei contra o rapazinho mais delicioso de sempre na caixa.

Todo eu sorrisos e piscares de olhos, tiro do cartão para pagar e subitamente uma avalanche de preservativos espalham se pelo chão e pelo tapete da caixa, numa míriade de marcas e variedades, de extra finos a extra lubrificados, em quantidade suficiente para fornecer umas semaninhas o distrito da luz vermelha em Amesterdão.
Juntemos a isto as courgettes cenouras e pepinos e a vaselina - que nem era para mim - , e acho que podemos todos imaginar a minha vergonha, principalmente quando o rapazito se começou a rir da situação enquanto me ajudava a apanhar os ditos bem como os cacos da minha recém estilhaçada dignidade.

Podemos assumir que vou entrar em 2016 solteiro e com muitos preservativos para gastar.
Nada melhor para o espírito natalício colectivo que falar de humilhações pessoais, não é verdade?

Sabes que és gay quando:

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Já recebeste mais fotos de pilas durante a tua vida, do que postais de natal