O Complicado

domingo, 1 de fevereiro de 2015


Todos nós queremos a mesma coisa.
O grande A. 
L'amour, 
As borboletas no estômago.
Aquela felicidade parva que vem de dentro quando pensas na pessoa, sem grande motivação inerente, aquele conforto de sabermos que afinal, até não estamos sozinhos no mundo.
Porque amigos é muito bonito, é maravilhoso e o diabo aos quatro, mas não é a mesma coisa

E às vezes, acho que passo a sensação de omnisciência. mas eu não sei tudo.
Muito menos sobre estas coisas. Estou tão ou mais perdido que qualquer um de vocês que me leêm.

Apenas sei que isto vai muito por tentativa e erro, e eu tenho tentado e errado bastante - não tenho grandes problemas em admiti-lo - porque os sentimentos são um bocado como um móvel do IKEA. 
Pode parecer muito simples, e até é relativamente simples, mas sem livro de instruções, dá sempre em cagada monumental, e nalguns dedos martelados.

E com esta piquena introdução, vou quebrar a única regra que criei para mim mesmo quando fiz este blog. Nunca falar de uma situação ainda por resolver.

Conhecemos-nos há 3 meses e desde então temos estado algures numa relação.
A típica pergunta "Então, e quando oficializam? Quando passam a namorados?" desmultiplicou-se pelas bocas dos meus amigos.
E ficavam espantadíssimos quando eu dizia "Ainda é muito cedo. estou a palpar terreno. Quero conhecê-lo antes de me atirar de cabeça." Era como se estivesse a falar mandarim subitamente.
O erro maior em que as pessoas caem, é pensarem que isto é tudo automático.Que conheces um gajo, trocam algumas conversas melosas, e BAM vamos cavalgar para o horizonte num cavalo branco a ouvir paula fernandes como música de fundo viver felizes para sempre com 5 filhos adotados de países de terceiro mundo, qual Brangelina.
Envolvemo-nos.
Perdi-me na aventura que é conhecer outra pessoa, com esperanças de algo bom.
adaptei me às diferenças, e aceitei as pequenas dificuldades.
Porque elas estão lá.
E comecei a ceder.
E aqui poderíamos entrar numa ladainha, mas a verdade é que se queres que a tua relação dê certo, tens que saber ceder. Porque é uma relação, Não uma batalha de egos,
Há duas pessoas envolvidas, com necessidades e individualidade, e tem que se encontrar um meio termo.
Não é saudável nem credível que uma relação exista só em volta de uma das metades.
E quando comecei a senti-lo diferente, resolvi ignorar a intuição e tentar.
Porque o maior erro que vejo por aí, são pessoas que se queixam de estar sozinhas, mas não se esforçam minimamente por que a relação funcione. Um extremo my way or no way.
Por isso, não me importava quando ele remarcava, porque tinha planos com amigos. Afinal eles estavam lá antes de mim. e não sou propriamente controlador.
E pus o ego de lado, quando inventava desculpas para não estar comigo, e depois ia sair.
E continuei a ceder,e a aceitar claras demonstrações de indiferença, até culminarmos num ponto de não nos vermos há uma semana - trabalho e localidades diferentes pelo meio - , encontrarmos-nos num bar e ele mal me falar, porque "Estava com amigos e não me podia dar atenção".

E aqui dei por mim a por um travão e pensar:
"Mas que merda é que tu estás a fazer Miguel?"

E até agora não sei bem o que faça. Porque a resposta é dolorosamente óbvia, mas eu contiuo a gostar dele no fim de contas.

E sim, é preciso trabalhar numa relação,
Sim, é preciso ceder.
Sim, é preciso aceitar a diferença.
Sim é preciso ter paciência.
Mas e quando não é reciproco?
Vale a pena pôr em causa o nosso amor próprio e felicidade?
Tudo vale a pena para não ficarmos sozinhos?

Digam-me vocês.

27 comentários:

  1. Não, claro que não. Aceita - se a diferença, sem esperar que aceitem a nossa, mas no final de contas o umbigo de cada um é demasiado grande para se ter espaço para o da outra pessoa. Cada pessoa complica consoante os seus defeitos e virtudes.

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    1. Isto é tudo uma complicação, é o que te digo. vou antes namorar com uma tablete de chocolate xD

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  2. acho que sim, tudo vale a pena para não ficarmos sozinhos, mas neste caso vc está sozinho, só não está solteiro, e neste caso o certo seria terminar este namoro para te dar a oportunidade de deixar de estar sozinho.

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    1. É um pouco o contrário de "antes só que mal acompanhado".
      Abraço :)

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    1. Comer uma embalagem de ben&Jerry's e ver uma comédia romântica xD

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    2. Miguel, fiz isso e durou 3 dias :-p peanut buttercup cup. ..mas nada de comédia romântica

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  4. Tudo o que você escreveu está certo......adaptação, flexibilidade, etc....., mas esse "sacrifício" precisa de reciprocidade , caso contrário torna-se martírio!
    Bjs

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    1. Homem é tudo um martírio, acho que vou virar celibatário :P
      Bj

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  5. Acho que tens a resposta à tua pergunta. Uma relação é a 2, não a um, por isso teria de haver, por mínima que fosse, uma adaptação por parte dele. Têm de remar os dois para o mesmo lado, se não a coisa não funciona.
    Ou sentas-te com ele e, sem dramas, pões os pontos nos I's para ver se a coisa muda de alguma forma, ou então não vale a pena remares sozinho, porque a relação não irá a bom porto.

    Seja como for, que corra pelo melhor.
    Abraço

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    1. Quanto mais uma pessoa quer simplificar, mas as coisas se complicam.
      Obrigado :)

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  6. "Tudo vale a pena para não ficarmos sozinhos?"

    Não.

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  7. existem muitos rapazes que muito provavelmente não te fariam passar pelo mesmo, se estás a sentir que ele está a afastar-se, se calhar é melhor fazeres o mesmo senão vais acabar sofrendo :/

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    1. No amor e na guerra sempre se sofre e leva tiros... dependendo do tipo de tiro né xD

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  8. Nem sei que comentar.. reescrevo, sublinho e assino em duplicado.

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  9. E sim, é preciso trabalhar numa relação,
    Sim, é preciso ceder.
    Sim, é preciso aceitar a diferença.
    Sim é preciso ter paciência.
    Mas e quando não é reciproco?
    Vale a pena pôr em causa o nosso amor próprio e felicidade?
    Tudo vale a pena para não ficarmos sozinhos?

    Concordo com tudo isto, e sei bem o q é construir uma relação ... mantenho uma a 40 anos ... aprendi uma coisa neste tempor e excluí da lista ... "CEDER"
    Isto não cabe ... Troquei o CEDER por ENTENDIMENTO ...

    Agora o mais importante ... TEM QUE SER RECÍPROCO pois não sou do tipo q pensa e e faz tudo só para não ficar sozinho.

    Beijão

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    1. Acho que meu manual de relações se perdeu, vou ligar pro ikea e pedir um novo xD

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  10. Nunca te esqueças: mais vale só que mal acompanhado. Agora, só tens de perceber se estás mal acompanhado ou não. Isso só tu podes determinar...

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    1. Vou fazer um reality show com a minha vida amorosa xD

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  11. Não vale, mas depende das condicionantes de cada um, a que leva a tomar (ou não) atitudes. Aquilo que funciona para mim, não funcionará eventualmente para ti. Não há fórmulas mágicas... podia dizer-te "o rapaz não te quer" ou então "investe que pode ser que dê resultado"... mas essa conclusão tem de ser aferida por ti, porque só tu possuis os dados todos para resolver essa equação. Não te posso impor a minha perspectiva de vida até porque, e como já escrevi, ela funcionará comigo e poderá não funcionar contigo. E tendo escrito isto, os manuais dizem que não vale tudo e que temos que ter amor-próprio, mas a verdade é que uma relação dá trabalho e exige cedência (dos dois lados) e só quem está envolvido é que sabe até que ponto estará disposto a ir.

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  12. Depende do que conheces também da outra pessoa: se já sofreu muito por amor, se se sente desconfiada/desanimada com o desapego dos outros, se é muito sensível e usa uma aparente indiferença como defesa...

    Mas acima de tudo, saberes que quando esse sentimento de solidão ou de "dar demasiado" aparece de forma consistente, deves dar dois passos atrás e pensar bem no que TU precisas. Porque desculpas para agirmos como agimos todos temos.

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    1. é por as coisas serem tão subjectivas que uma pessoa fica meio indecisa... nunca sabes os factores todos em tão pouco tempo, mas ao mesmo tempo investir numa coisa que não parece ter pernas para andar parece mau negócio

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  13. Tu sabes a resposta tanto a essa pergunta como a "Mas que merda é que tu estás a fazer Miguel?". Quando estás numa relação, é suposto seres flexível e aceitares as pequenas (ou grandes) diferenças do outro, mas não te esqueças que é suposto o outro também o fazer por ti. Um erro comum na fase das borboletas é fazer de tudo para agradar ao outro. Não é errado, mas reciprocidade espera-se. Dois não fazem o que um não quer...

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(sou ótimo a motivar as pessoas hein?)