Daqueles dias

segunda-feira, 30 de junho de 2014



Em que dás por ti sem vontade de tentar o que quer que seja, porque acaba tudo por sair ao lado.

Sentes-te velho quando

sábado, 28 de junho de 2014


Pensas em mudar o tarifário do telemóvel, e reparas que os tarifários são todos "sub25", e reparas que vais fazer 25 anos este ano e que estás automaticamente renegado aos tarifários caros e sem internet, porque segundo as operadoras móveis já não és jovem.
Se ouvirem falar de uma bomba posta na Vodafone ou na MEO ou na NOS, fui eu.

Tens Cara de Passivo!

sexta-feira, 27 de junho de 2014


Volta e meia, quando andava ao engate, tinha que ter a fatídica conversa sobre quem faz o quê.
Porque ao contrário do sexo hétero em que está tudo basicamente predeterminado fisiologicamente - quer-se dizer, só há um pirilau, não há grande volta a dar á coisa sem meter dildos pelo meio, digo eu - , no sexo gay, há toda uma diplomacia e negociação na coisa, geralmente determina-se quem vai fazer o quê, como uma transação comercial, muito organizada e cortês - dependendo da situação né - , não é uma rebaldaria em que o primeiro a enfiar ganha (embora tal hipótese seja possível e não tão desagradável quanto possa parecer, mas isso são outros cinquenta).
Por algum motivo, ouvi mais que muitas vezes num misto de divertimento, choque e renovado interesse - ou desilusão em alguns casos:
"A sério? Mas tens cara de passivo!"
enquanto continuámos a conversa a fundo - sem trocadilho pretendido.

E de inicio, ficava constrangido.
Pensava, se calhar faço expressões muito gays - o que em retrospectiva é imbecil de si só, porque todo eu sou gay, expressões incluídas. - talvez deva ser mais sério?
Ou será isto um elogio?
Será que tenho cara de ninfomaníaco?

Porque, sejamos honestos, é um bocado difícil de decifar o que é "cara de passivo", uma pessoa ás tantas pensa que tem alguma doença gay crónica, uma eterna cara de quem gosta de levar com o sardão até cheirar a churrasquinho, que só passa com terapia de choques ou lobotomia.
Antes de continuar, para quem leu o título e não percebeu - porque eu sei que tenho 3 ou 4 leitores heteros, que volta e meia vêm aqui escandalizar-se com as badalhoquices que eu escrevo, que suspeito que saibam tanto de sexo gay quanto eu sei de física nuclear - , um piqueno apanhado - sem trocadilho - sobre o assunto. Imaginemos que o sexo gay é uma troca de... presentes.
Claro que quando falo de presente, falo de

Quem... dá o presente, é o ativo, e quem o recebe é o passivo.



Mas lentamente fui percebendo, que muitos gays, discriminam posição sexual como um fator de personalidade.
Para muitas alminhas, ser ativo é melhor que ser passivo, uma coisa de macho, de orgulho e renome, enquanto que ser-se passivo, por muito agradável que seja é um bocado constrangedor e menos másculo.

E eu entendo, quando é uma questão física.
Nem toda a gente tem que gostar do mesmo, e se ficam desconfortáveis, Oh filhos, ninguém vos vai obrigar a ser picanha no espeto (a não ser que vão àqueles clubes de S&M, aí não garanto nada a ninguém).
Mas daí até discriminar só porque sim, não me cabe na cabeça.

eventualmente, cheguei à conclusão, que antes cara de passivo, que cérebro de idiota.


Hoje, enquanto esperava nas filas intermináveis dos serviços públicos, encontrei uma antiga cliente do supermercado onde trabalhei.

Costumava ir imensas vezes lá, e durante o tempo que lá trabalhei - como aconteceu com tantos outros clientes - desenvolvemos uma relação cordial.

Cumprimentou-me e perguntou me como estava a vida, e conversa puxa conversa acabámos a falar de trabalho. Perguntou-me onde trabalhava atualmente, se estava a gostar, e tal e falámos de oportunidades de trabalho cá no Algarve, que como toda a gente sabe, são muito sazonais.

Eventualmente, pediu-me o nº de telefone, "para o caso de aparecer alguma coisa jeitosa, podia contactar-me" .

"Pois sabes, eu tenho um bar, até pensei em chamar-te para lá, mas é um bar só de mulheres"

Pensei honestamente que a senhora tivesse um bar de lésbicas, e não liguei muito, continuamos alegremente na amena cavaqueira, até ela voltar a insistir.

"Pois, é que tenho um bar de mulheres e agora estou eu lá no bar, porque ando com problema com uma delas"
"Ah pois"
"É que a fulana que se anda a pegar com as outras da sala"
"Ai sim?"
"Pois, quer lhes roubar os clientes, e elas assim não ganham a comissão das bebidas nem as gorjetas"

E o meu cérebro começou a fazer a equação "clientes?"... "comissão?" " bar de mulheres?..."

E  caiu a ficha, com mais força que a gravidade atingiu a cara da Alexandra Lencastre e percebi que a senhora tem um bar de alterne.

E o restante da conversa, foi dos momentos mais constrangedores da minha vida tentar manter-me sério enquanto a senhora para lá falava das amarguras da vida dela, enquanto por dentro gargalhava por ter recebido um convite para trabalhar num bar de alterne primeiro que qualquer uma das minhas amigas.

52 rascunhos

quarta-feira, 25 de junho de 2014


A meio, parados por falta de tempo para os aprofundar.
E quase todos os dias, me lembro de qualquer coisa para escrever, mas este reboliço não me deixa fazer nada, e quando tenho tempo, quero deitar-me e dormir, ou ir passear.
A Lista de blogs por ler vai crescendo e daqui a bocado ninguém na blogaysfera se lembra quem é o Miguel R.
Socorro.

The Normal heart

domingo, 22 de junho de 2014


Já tinha na watchlist há umas semanas, mas só vi anteontem, e chorei litros - até gozaram comigo, certas pessoas que não vou citar para depois não dizerem que são mal falados aqui no blog, hnfs -  não consigo deixar de recomendar.

Frisemos já aqui que não, não é um filme sobre Gays na rebaldaria a dar quecas num penhasco e a apanhar sida, com muitas cenas de nudez e música tecno. Este não é um filme low budget para gays rebarbados que têm perguiça de ver porno.

Passsado na Nova Iorque da década de 80, mais precisamente entre 81 e 85, relata a história de um escritor gay que quando exposto à realidade ainda virtualmente desconhecida do virus da SIDA - que se tornou mundialmente conhecida nesse período - , se torna num ativista pelo seu reconhecimento enquanto epidemia.

O que é uma tarefa relativamente complicada, tendo em conta que o governo tende a ignorar o assunto porque a doença afeta apenas homens gays, que são uma minoria a vários níveis.
É uma história de luta, e não há um final "feliz", mas pelo meio, mete uma boa dose de drama romântico muito à Ryan Murphy (se ignorarmos completamente que produziu Glee, com a profundidade emocional de uma alcachofra em pickles né) e entreajuda, capaz de largar um ou dois "awn" até do mais empedernido coração.

De destacar a interpretação da Julia Roberts, que mesmo não tendo o papel principal, deu toda uma outra alma ao filme.

E é isso, porque já sei que se não falasse disto agora, me ia esquecer.

Silhuetas

quinta-feira, 19 de junho de 2014


É o melhor momento do dia, quando a luz entra fraca pelos estores semicerrados, e deixa que nos vejamos só por contornos. Não nos resta outra opção senão aproveitar aquelas horas de lusco fusco para ficar na ronha aos beijos na cama.

E se Jesus fosse gay?

terça-feira, 17 de junho de 2014


Isto não é um ataque á religião cristã, não me saltem já para cima pessoas extremistas, que não estou a afirmar nada.
É apenas uma hipótese (Como a hipótese que circula há anos e anos de que Jesus teve filhos com Maria Madalena.) que me ocorre de vez em quando - Não sei até que ponto plausível ou realista, mas nem interessa para o caso - quando vejo em reportagens afirmações como "os gays? até aceitava, mas sou católico".

E se por algum acaso, se viesse a descobrir, que o pilar da igreja católica, Jesus, era na verdade gay?

As pessoas deixariam de lhe atribuir importância religiosa?
Continuariam os seus ensinamentos a ter o mesmo peso?
Para onde ia a desculpa "eu até aceitava os gays, mas sou religioso"?
Mudaria alguma coisa a sociedade atual? (tendo em conta que é feita de aproximadamente 31.5% de cristãos )
Alguma vez sequer pensaram no assunto?

Deixo o debate aberto.

Cinema

domingo, 15 de junho de 2014



Na semana passada, fomos - eu e o namorado - ao cinema ver Maleficent.

Para um leigo, o filme foi ótimo. Angelina Jolie como sempre muito boa atriz, ótimos efeitos especiais e uma história enternecedora, com direito a um dragão no fim.
Para um nerd da Disney... meh.
Foi muito giro, mas a Angelina não conseguiu capturar todo o dark side da personagem, foi tudo um bocadinho forçado, nas linhas de "vamos mostrar que afinal a vilã mais icónica da Disney não era assim tão má quanto isso, dando-lhe toda uma historieta romântica". E no fim abriu mais perguntas do que deu respostas. Não percebi na mesma de onde vinha a Maleficente, porque é que era uma fada gigante, quem eram os pais dela, de onde tinha começado a disputa e toda uma panóplia de questões que foram criadas nesta linha alternativa da história.

Pobre coitado não sabia onde se tinha metido até eu começar a parafrasear as falas da Bela adormecida e a indignar-me com "HEY! Aquilo não é assim! eles estão a aldrabar!", enquanto lhe explicava muito entretido todo o enredo da Bela adormecida original, de 1959, e em que pontos é que era igual ao filme, com direito a comentários bastante desnecessários da minha parte.
Suspeito que a cara do rapaz tenha sido alguma coisa do género mais de metade do filme:

ou pelo menos até eu me calar e lhe dar a mão.

Ex's

sábado, 14 de junho de 2014

Aquele momento em que vês um um gajo que te deu com os pés, na rua, e reparas que ele está um bocado gordo e careca e devia definitivamente parar de fumar - porque aqueles dentes parecem um urinol público - , enquanto tu estás extremamente elegante e seqce, resumidamente, melhor que nunca - modéstia à parte. - vem-te aquele sentimento de vitória inexplicável que sabe ainda melhor que um mês de férias pagas nas maldivas.

Xoxas na praia

quinta-feira, 12 de junho de 2014



Há uns anos, tínhamos a onda dos pés na praia.
Milhões de fotos de pés felizes e contentes a escarafunchar na areia, e a tentar fazer inveja ao comum dos mortais.
Subimos lentamente para as pernas bronzeadas levantadas para o céu cobertas de óleo bronzeador, qual ostentação de vida louca de turista.
Agora a fisionomia fotográfica mudou, e as meninas pelas redes sociais - meu facebook incluído - fora, resolveram que partilhar os pés é pouco, que têm de ir mais a fundo, e que melhor maneira de fazer isto, que partilhar fotos da virilha, com filtro e vista em background do areal?
E é isto, este verão, a onda são xoxas na praia. na piscina, na varanda, onde quer que seja, desde que se se adivinhe o mexilhão encoberto pelo tecido do biquini.

Só falta a legenda "está bom tempo na minha vagina" ou qualquer coisa do género.
Isto sim, é classe.

Felicidade de Nerd


É saber que não há um jogo da amiga Lara croft a ser produzido, mas dois.
E ter a certeza que os vou jogar aos dois intensivamente quando saírem, nem que a vaca tussa.


Estou a precisar de um fim de semana num lugar deserto sem preocupações ou stresses.
Ou num hotel de 5 estrelas.
Ou num spa.
Todas as tentativas que tenho feito de relaxar acabam por falhar miseravelmente e a minha cabeça parece canja de galinha.
Aceitam-se ofertas, pago com sorrisos - porque sou uma pessoa bem educada, e falida.

Ruiu o amor

segunda-feira, 9 de junho de 2014


Ou pelo menos parte dele.
Todo o meu eu romântico se derretia cada vez que ouvia falar da icónica "ponte dos cadeados".
Embora não seja uma tradição secular - nem amigo do ambiente poluir o rio com chaves metálicas blablabla - , acho bonito todo o simbolismo, e há uns anos que fantasio lá ir,e talvez até deixar um cadeado - eu sei, mariquice nível mil, don't judge.
E hoje, afundou-se parte do meu coração quando soube que parte da ponte das Artes em Paris ruiu pelo peso dos cadeados.
Ou talvez pelo peso do amor... Quem sabe.

Felicidade de Facebook

domingo, 8 de junho de 2014


Enquanto dava uma vista de olhos pelo facebook, deparei-me como uma foto postada há horas por um antigo colega de faculdade.

Na foto, a atual namorada sorria feliz e contente, com as mãos na barriga de 7/8 meses enquanto se podia ler a legenda "família :)".

E isto transportou-me para há uns meses atrás, quando soube - da última vez que falámos efectivamente - que ia ser pai, e me veio contar, todo ele um misto de ansiedade e desapontamento.

Disse que não foi planeado, e aconteceu na altura em que estava prestes a acabar com a namorada.
Que Se davam pessimamente mal - coisa de que andava a falar-me há meses - , mas iam ficar juntos pela criança.
Que estava numa terra estranha sem a família e todo o dinheiro que ganhava no trabalho agora seria para as despesas com a criança.
Nem uma única vez se mostrou feliz com a notícia, ou animado com a vinda da criança. (E talvez seja problema meu, que sou muito idealista, e penso ter uma criança algures num futuro distante, e imagino toda uma reação diferente quando tal acontecer - como ainda não sei, mas muito provavelmente não será da forma convencional.)
Desistiu dos planos de voltar para Portugal e de regressar à universidade.
E foi a última coisa que soube dele. 

E lá está a foto, com centena e meia de gostos, de comuns mortais que pensam tratar-se de um momento enternecedor.
E é essa a ideia.
Não nego que esteja mais feliz com a ideia - ou mais habituado - , mas sabendo da história toda, não consigo deixar de sentir arrepios, enquanto me benzo e agradeço aos santinhos todos tal nunca me poder acontecer.

Em terra de facebook, quem tem uma câmara, é feliz.

A modinha do "pró gay"

sexta-feira, 6 de junho de 2014



Tenho uma enorme aversão a toda esta onda do pro gay.
E isto talvez possa parecer contraditório, e por isso é que as pessoas ofegam em choque e ficam espantadas, como se eu admitisse que Domingo à noite faço rituais satânicos com os gatos da vizinha.

Passo a explicar:

Aqui há uns dez ou quinze anos, o racismo era O tema, indiscutivelmente.
E houve toda uma  lavagem cerebral em massa.
Foram panfletos, publicidades, palestras, documentários e hordes de casais inter raciais nas novelas e milhões de vezes se ouviam variações da frase "eu não sou racista, até tenho um amigo preto".

E foi um bocado ridículo - mesmo estando de fora - ver toda aquela urgência de transformar o mundo num catálogo da Benetton em 5 minutos, tudo muito perfeito e instantâneo, qual refrão da mítica Imagine do finado John Lennon.
Afinal, estava in vogue.

Findos uns anos, o racismo passou de moda, e as pessoas eventualmente passaram a não querer saber tão drasticamente de cores e a odiar-se todas em igual peso e medida, o Obama virou presidente dos USA e subitamente ficou uma enorme cratera na consciência social onde antes assentava o racismo, surgindo a pergunta:
"E agora? Como é que nos vamos auto recriminar?"

E virou-se tudo para os gays.
E subitamente sinto-me como um daqueles ursos que andam de monociclo nos circos, para os quais toda a gente olha muito espantada.

Porque do nada, e por osmose, toda a gente adora os gays.
As celebridades aproveitam a boleia do marketing gratuito com enormes discursos de aceitação todos iguais, porque fica bem para a fotografia.
Tendo crescido numa terra mais ou menos "conservadora" ainda me custa mais a engolir que aquele gajo bronco que me infernizou a vida por eu ser gay no secundário, agora é todo ele pro gay, porque um rapper famoso fez uma canção sobre gays.
E ter um amigo gay é giro, um bocado como ter um poodle ou um Chihuahua, super chique.
E toda a gente nos apoia, e toma as nossas dores e aceita, porque é bonito aceitar um gay.
Assim ao mesmo nível de ajudar aquelas campanhas natalícias que suportam pobrezinhos tuberculosos.

E eu não digo que não quero ser aceite.
Não sou daqueles gays com síndrome da perseguida, que culpam o ser gay como a raiz de todos os males e que acham ninguém os compreende porque gostam de pila em vez de paxaxa (ou vice versa).

Quando a modinha mudar, e estiver in apoiar os albinos, ou as pessoas com 6 dedos nas mãos, ou os sopinhas de massa, é que se vai ver quem é mesmo pró gay.

Por agora,toda esta atitude condescendente, "é normal seres gay e a gente gosta muito de ti por isso" tão genuína como as mamas da Pamela Anderson.



Nunca tinha considerado até hoje um abraço como uma necessidade fisiológica.
O coração tem destas coisas.

Boas pessoas

quarta-feira, 4 de junho de 2014


Ando sem tempo pra nada.
E está me a irritar como o caraças.
queria deixar aqui a pergunta para debate, depois de uma conversa que tive ontem no trabalho:
Existem boas e más pessoas?
Se sim, o que as define?

Check List

domingo, 1 de junho de 2014


Bilhete impresso? check
Mala feita? Check
Máquina carregada? check
Mixtape para a viagem com as músicas todas da Jessie J e do Justin Timberlake possíveis e imaginárias? Check.
Toilette escolhida?
Horário Combinado? check
E se virem um gajo histérico em Lisboa... Ahm, não sou eu, que não faço dessas coisas pff.